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Especial dia da música: 4 músicas relacionadas à psicanálise

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Nós, brasileiros, adoramos ouvir música. Cantarolar, dançar, ouvir como fundo para nossos pensamentos, tudo isso nos agrada. Hoje, 01 de outubro, é o dia da música! Para celebrar, trago para vocês a relação de Freud com a música e, junto disso, músicas relacionadas à psicanálise. Ficou interessado? Então acompanhe a leitura ao som daquela música que mexe com seu coração!

O que é o Dia da Música?

O dia da música foi criado para que nós, meros mortais, pudéssemos apreciar, por um dia inteiro, a existência de uma maneira belíssima que nós criamos de nos comunicar. Com uma linguagem, dependendo do estilo, simples ou rebuscada, a música consegue nos transpassar mensagens com muita beleza e harmonia.

Quem nunca se sentiu tocado por uma melodia? Ou, até mesmo, por uma letra específica? O ser humano tem a capacidade de sentir o sentimento do outro através de expressões artísticas. E, pela música ser um tipo de expressão artística acessível, nós nos comovemos muito. Com a música, nós podemos nos sentir felizes, tristes, animados ou depressivos. Eu, por exemplo, fico muito nostálgica ao ouvir “Pais e Filhos”, do Legião Urbana.

No Brasil, há muitos gêneros musicais populares. Por exemplo, a Música Popular Brasileira, o rock, pop, funk, sertanejo (raiz e universitário), e muitos outros! Cada um desses estilos nos atendem em momentos específicos. Ou seja, se eu estou me sentindo feliz e empolgada, é mais provável que eu coloque para tocar uma música agitada. Porém, caso eu esteja triste, preferirei um ritmo mais calmo e melodramático, como um MPB sobre tristeza.

Ademais, esse dia foi instituído, em 1975, com o apoio da UNESCO, para levar os sons a todos os setores da sociedade. Assim, o objetivo era promover os valores de amizade e paz! Bonito, não? Com isso, podemos observar que a música tem muito poder sobre nós.

Mas, então, como a música se relaciona com a psicanálise? E como Freud se relacionava com a música?

Freud e a Música

Há muito material sobre a vida de Freud, inclusive, especificamente sobre sua relação com a música. No filme “Mahler no divã”, Freud é abordado como alguém que não gostava de música, pelo fato dela lhe causar “síncopes”. Ademais, Freud, em outro de seus escritos, mostra-se indiferente à musicalidade, porque, para ele, não havia maneira de entender seu conteúdo para, assim, explicar a si próprio seu efeito.

Por isso, Freud afirma não obter qualquer prazer ouvindo música, diferente de quando observa e absorve outras expressões artísticas, como a arte. Ademais, ele também dizia que, para trabalhar, era necessário absoluto silêncio e, por isso, não ouvia músicas. Pensando nisso, será que o dia da música faria sentido para Freud?

Além disso, se Freud não gostava de música, será que a psicanálise (sua criação), não tem nada a dizer sobre essa arte tão incrível?

Especial Dia da Música: como a psicanálise se relaciona com a música?

Freud, em sua “Interpretação dos Sonhos”, instaura para a música a função de ativadora de lembranças. Ou seja, ao ouvirmos uma música, podemos acionar lembranças que estão inculcadas no nosso inconsciente! Isso pode ser bom, por exemplo, retomar uma memória de infância que nos acalenta. Porém, também pode ser ruim, como quando se ouve uma melodia que estava presente em um momento traumático, como uma sirene, ou a trilha sonora de um filme que lhe traz medo e insegurança.

Além disso, essas memórias acionadas não são “pré-selecionadas”, sendo trazidas ao consciente sem uma explicação prévia. Isso pode nos deixar um pouco confusos, sem saber o motivo daquela sensação ter surgido. Por exemplo, o sentimento de saudade, mas sem um objeto específico. Saudade de quem? Saudade de quê? Não sabemos, é apenas saudade.

Ademais, segundo o psicanalista Sandler (2000), a música é o modo ímpar de dizer o que não pode ser falado — e ouvir o inaudível. Ou seja, às vezes, nós sentimos em nosso âmago a necessidade de nos expressar, mas não sabemos muito bem como, nem onde. Aí, vem a música, e nos faz perceber que podemos dizer o que queremos com outras palavras, com metáforas e conjunções sonoras, que irão fazer com que nossas mensagens cheguem ao ouvido de outras pessoas com interpretações mil.

O indivíduo das vontades e pulsões do inconsciente é capaz de falar nas letras das músicas. O inconsciente guarda todas as memórias da pessoa, visando protegê-la de possíveis sentimentos ruins que a consciência não conseguiria lidar. Por isso, é do inconsciente que as emoções suscitadas pela música saem e se transformam. Assim, é o inconsciente que mais se beneficia da existência da música!

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Por fim, separamos para você algumas músicas que, em nossa concepção, são relacionadas com a psicanálise. Confira agora!

4 músicas que podem com uma reflexão psicanalítica

  1. Xote dos Milagres — Falamansa

Nessa letra repleta de simbologias, há a sensação de que o compositor estava a falar de sua mãe. Para Freud, nossa relação com os progenitores é responsável por diversas questões presentes em nosso inconsciente. Ou, em outra interpretação, pode haver um complexo de Édipo, já que o compositor pode estar relacionando um amor não correspondido com sua mãe. Já parou para pensar nisso?

  1. Pais e filhos — Legião Urbana

A questão da depressão e a relação dos filhos com os pais é bem retratada nessa letra. Os compositores nos deixam diversas questões em aberto. Por exemplo, sobre os filhos se tornarem os pais ao crescerem, ou a questão de querer fugir de casa para, quem sabe, se livrar da influência de seus progenitores. Vale a pena ouvir essa obra e ler a letra com calma!

  1. Chão de Giz — Zé Ramalho

Corre pela internet uma interpretação de que, em sua juventude, Zé Ramalho tenha se apaixonado por uma mulher casada, da alta sociedade. Na letra, Zé Ramalho explicita seus anseios pela consumação carnal com esse objeto de desejo. Mas, além disso, também revela sua necessidade de amor próprio, chegando à conclusão de que todos os seus esforços para alcançar essa mulher serão em vão. Pois, para ele, o sexo não é o suficiente, tendo a necessidade de existir o amor. Por isso, ele não irá se sujar, fumando apenas um cigarro.

  1. Evidências — Chitãozinho e Xororó

Na segunda estrofe, o compositor afirma que:

“Eu me afasto e me defendo de você



Mas depois me entrego

Faço tipo, falo coisas que eu não sou

Mas depois eu nego”

Na concepção psicanalítica, isso aborda um conflito entre o Id e o Superego, conceitos da segunda tópica de Freud. Isso acontece, pois o indivíduo tenta negar aquilo que ele realmente é para, assim, encaixar-se no conceito ideal do objeto de desejo.

Conclusão

Por fim, concluímos que a psicanálise está presente em todas as áreas de nossa vida, principalmente na música! E para você, qual composição tem muito a ver com a psicanálise? Deixe aqui no comentário uma interpretação sua! Quer aprofundar ainda mais seus conhecimentos sobre essa técnica terapêutica? Então se inscreva agora no nosso curso, 100% online, de Psicanálise Clínica! Com ele, você estará apto a clinicar e ser um psicanalista de sucesso!

 

 

 

 

 

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