diferenças entre primeira tópica e segunda tópica

Diferenças entre primeira tópica e segunda tópica

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Neste artigo você entenderá as diferenças entre primeira tópica e segunda tópica, que são as duas fases de teorização da obra de Sigmund Freud.

A palavra psique tem origem do grego psykhé, e é um termo utilizado para retratar a alma ou o espírito.

Seu conceito inclui os pensamentos, sentimentos e comportamentos, sejam eles conscientes ou inconscientes. Através dela, pode-se observar o comportamento humano e sua forma de se relacionar com o mundo.

Diferenças entre primeira tópica e segunda tópica: se complementam, se sobrepõem ou se excluem?

Ter conhecimento sobre os níveis em que a psique atua na mente de um ser humano é essencial para que se possa compreender seus comportamentos, pensamentos e sentimentos de uma forma mais profunda. A psique humana é formada na infância, a partir da influência que o indivíduo recebe de seus pais, educadores e, posteriormente, da sociedade. Baseada nela, Freud, desenvolveu o modelo topográfico, que se refere ao modo como ele compreende a estrutura da Psique.

A palavra topografia tem sua origem nas palavras gregas “topos” (lugar) e “graphen” (descrever), que significa a descrição exata e minuciosa de um lugar. Ou seja, o modelo topográfico representa como a psique está organizada. Para representar essa organização da mente, Freud desenvolveu a primeira tópica, chamada de Modelo Topográfico. Nela o aparelho psíquico é composto por três sistemas: o inconsciente, o pré-consciente e o consciente.

Freud descreveu a mente com a metáfora de um iceberg, onde a parte visível correspondente à consciência. A parte submersa é o pré-consciente. E o inconsciente é a parte oculta, que abriga os desejos e experiências reprimidas. Para ele, o que está no consciente não é o idêntico ao que está no inconsciente. Logo, a finalidade do processo psicanalítico está em trazer para a consciência o que está reprimido no inconsciente.

Diferenças entre primeira tópica e segunda tópica para Freud

Para Freud, o consciente é uma pequena parte da mente, que inclui todas as coisas das quais temos consciência em um dado momento. É a capacidade de ter percepção dos sentimentos, pensamentos, lembranças e fantasias. O pré-consciente é uma parte do inconsciente que pode tornar-se consciente com facilidade, como as porções da memória que nos são facilmente acessíveis.

Nele estão os pensamentos, as ideias, as experiências, os conhecimentos, as lembranças, que podem ser trazidas à consciência, com algum esforço. Já o inconsciente, guarda elementos instintivos que não são acessíveis pela consciência. Há também o que foi excluído da consciência, censurado e reprimido por trazer dor ou lembrar algum trauma.

O que foi excluído, Freud chamou de recalque ou repressão e, de forma ilustrativa, identificou-o situado entre os limites do inconsciente e do pré-consciente. O recalque seria responsável pelo impedimento ao sistema de conteúdos que seriam angustiantes, insuportáveis ou intoleráveis à psique, sendo advindos de experiências infantis.

Diferenças entre primeira tópica e segunda tópica e o Modelo Estrutural ou Dinâmico

Desse modo, esses conteúdos angustiantes, formados pela representação mais o seu afeto correspondente, estariam submetidos ao nível inconsciente e, portanto, inacessíveis às demais instâncias. Ao perceber que seu modelo possuía limitações para um entendimento mais expressivo dos achados psicanalíticos, Freud não o descartou, mas ampliou seu entendimento sobre a dinâmica das instâncias psíquicas propondo uma nova forma de compreensão do modelo estrutural do aparelho psíquico, que é a segunda tópica, uma fase mais madura da obra freudiana.

Na segunda tópica, chamada de Modelo Estrutural ou Dinâmico, Freud divide a mente em três instâncias psíquicas: o id, o ego e o superego. Ele vai sugerir a formulação de um modelo não mais voltado a um entendimento de lugar virtual, mas sim de estruturas ou instâncias psíquicas, que interagem constantemente para que ocorra o funcionamento do aparelho psíquico. Neste modelo identificou que no ID estão os impulsos (pulsões) desorganizados e sem direcionamento.

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Essas pulsões do ID vão buscar sua satisfação, sem considerar a racionalidade, a moralidade ou a sociabilidade. O superego é responsável pela imposição de sanções, normas e padrões. Tem sua formação pela introjeção do conteúdo vindo dos pais. Tem a função de controlar regras sociais e morais que buscam domesticar o que no ID é desejo e pulsão. Possui uma parte consciente e outra inconsciente.

Considerações finais

O ego advém da primeira infância, onde os laços afetivos com os pais são intensos. Possui sua maior parte consciente. Funciona como o equilíbrio entre as pulsões do ego e a repressão do superego. Força o processo identitário de “ser alguém” perante si mesmo e o mundo externo. Ao observar tais estudos, verifica-se que a primeira e a segunda tópica não se excluem ou se sobrepõem, mas se complementam.

Explicitando de forma mais prática ao entendimento, observa-se que o indivíduo nasce ID. Após receber regras e padrões dos pais e da sociedade sobre certo e errado, o que pode e o que não pode, começa a formar o SUPEREGO.

Entre o quero tudo e não posso nada, precisa haver um equilíbrio, que é o ego. No pré-consciente, inconsciente e consciente é onde ela armazena essas informações que recebe desde a infância.

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    O presente artigo sobre a primeira tópica e segunda tópica freudianas foi escrito por Beatriz Costa, professora, psicoterapeuta, coach e psicanalista em formação. Contato: [email protected]

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