metáfora do iceberg

A metáfora do iceberg para Freud

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O Iceberg foi escolhido por Sigmund Freud para representar algo até então desconhecido, o universo da mente humana, no que resultou na metáfora do iceberg.

Postula na representação a ponta como sendo o consciente e a parte submersa representando o inconsciente a parte desconhecida e cheia de conteúdos até então de difícil acesso. Seria a gênese de tudo o que se conhece hoje sobre a teoria psicanalítica algo pensado e criado por ele. Veja a seguir sobre a metáfora do iceberg para Freud.

O Inconsciente e a metáfora do iceberg

Não foi uma tarefa fácil, porem se transformou numa ciência capaz de desvendar os desejos e anseios do campo psíquico. Freud não atribui a si mesmo a descoberta do Inconsciente.

“… Os poetas e os filósofos descobriram o inconsciente antes de mim. O que eu descobri foi o método cientifico que nos permite estudar o inconsciente.” (Sigmund Freud).

Partindo desse pressuposto dito por Freud, parafraseia-se Fernando Pessoa que fala em sua poesia do inconsciente: em “O emissário do Inconsciente: …” Emissário de um rei desconhecido, Eu cumpro informes instruções de além, E as bruscas frases que aos meus lábios vêm Soam-me a um outro e anômalo sentido… Inconscientemente me divido Entre mim e a missão que o meu ser tem, E a glória do meu Rei dá-me o desdém Por este humano povo entre quem lido… Não sei se existe o Rei que me mandou. Minha missão será eu a esquecer, meu orgulho o deserto em que em mim estou…, Mas há! Eu sinto-me altas tradições De antes de tempo e espaço e vida e ser… Já viram Deus as minhas sensações… (Pessoa, 1995, p. 128).

Arthur Schopenhauer e a Psicanálise

Já a ótica da filosofia sobre o inconsciente, na literatura vários foram os filósofos que trataram do inconsciente, ou seja, concepção não consciente.

Entretanto, dentre esses filósofos o que mais se evidenciou por aproximar mais com a teoria psicanalítica foi o filosofo Arthur Schopenhauer.

Primordialmente a filosofia de Schopenhauer pode ser apontada como referência no estudo das relações entre a psicanálise e a filosofia.

A poesia e a Filosofia na Psicanálise freudiana

Dois saberes importantes :a poesia e filosofia que fundamentaram o tratamento proposto pela psicanálise freudiana, a partir da noção de inconsciente.

Este foi um pequeno parêntese para ilustrar a origem de noção de inconsciente, mas merece maior destaque em outro momento. Dessa forma, atentando-se ao método cientifico proposto por Freud que possibilita o estudo do inconsciente que é chamado por ele de Psicanálise.

Constructo teórico baseado nos preceitos da hermenêutica, campo de estudo de caráter investigativo e interpretativo.

Ainda sobre a metáfora do iceberg

Na metáfora do iceberg, o que está no plano visível, acessível representado pela ponta do iceberg é algo do consciente, porem a parte submersa representa o inconsciente de difícil acesso que só será possível pelo método criado pelo pai da psicanálise.

Essa parte obscura da mente contem conteúdos desconhecidos pelo sujeito que ao se tornar consciente e após ser elaborado torna-se a vida do individuo muito mais livre, libertos de conteúdos recalcados, traumatizantes. O que poderia até reverter sintomas físicos até então sem explicação para patologias físicas sem causa orgânica.

Caminhando para a Psicanálise

Foi um longo caminho percorrido por Freud até chegar o que se conhece hoje como psicanálise. Nesse caminhar nomes importantes como Charcot, Breuer permearam a história do novo método cientifico.

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À priori, usou-se outras técnicas como Hipnose juntamente com Charcot, depois teve início do método catártico, com Breuer que se trata de uma liberação de afetos e emoções que estaria ligado as condições traumatizantes do passado através de lembranças, que faria desaparecer os sintomas apresentados.

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    Essas parcerias foram importantes no estudo e tratamento da histeria patologia da época que aparentemente seria uma causa orgânica, porém mais tarde descoberto que teria raiz emocional, dessa forma se prosseguia em direção da psicanálise desvendando o inconsciente pelo método da associação livre.

    A construção da Psicanálise

    Neste trajeto a psicanalise vai sendo construída aos poucos, o caminho não foi fácil, sinuoso e cheio de obstáculos. Muitos da época não deram credito ao estudo e tratamento proposto por Sigmund Freud. Contudo ele não hesitou em desistir, prosseguiu mesmo diante das críticas recebidas na época.

    Aqui se abre um parêntese que aparece em uma cena do filme: Freud em Além da Alma. Em que Dr. Charcot então professor de Freud faz uma analogia sobre o Inconsciente.

    Charcot diz a Freud “que os escorpiões tem que ficar no escuro, fazendo alusão ao inconsciente, que naquele momento não deveria ser estudado. Porém Dr. Charcot em seu leito de morte, pede a Freud que continue seus trabalhos e estudos sobre o inconsciente.

    O submerso inconsciente e o iceberg

    Prosseguindo com seus estudos Freud demonstra que no inconsciente há experiências arcaicas presentes em cada história do sujeito formando conflitos psíquicos, nesse lugar chamado inconsciente tem uma lógica própria de funcionamento de difícil acesso.

    No submerso do inconsciente há representações que precisam ser traduzidas em forma de palavras, o sistema inconsciente é atemporal, não se desgasta com o passar do tempo, não possui contradição de negação, não existe o não.

    Considerações finais

    Do ponto de vista freudiano o inconsciente é regido pelo Principio de prazer. Nem tudo que é inconsciente é recalcado, mas tudo que é recalcado é inconsciente.

    Enfim pode-se concluir que os estudos escritos freudianos, incluindo a metáfora do iceberg, se mostra riquíssimo para o entendimento do aparelho psíquico, fazendo a vida psíquica possível de passar pelo processo analítico permitindo a cada um lidar com sua história.

    Quem se aventura a estudar psicanálise não há como se não encantar por essa maravilhosa ciência que se estrutura ao logo do século e se faz totalmente atual em todos os tempos no tratamento da saúde mental.

    Este artigo foi escrito pela autora Keila Cristina ([email protected]), Psicóloga clínica de base psicanalítica há 10 anos. Apaixonada por psicanalise e psicanalista em formação pelo IBPC.

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