disfunção sexual feminina

Disfunção sexual feminina: repensando as abordagens

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O que é a disfunção sexual feminina? Estamos no século XXI, onde vemos a liberdade de expressão e de corpos sendo pregada em todo lugar. Filmes, livros e séries abordam cada vez mais a descoberta da sexualidade dos jovens e também na terceira idade.

A psiquiatria junto com a medicalização vem sendo desmistificada cada vez mais em relação a saúde mental, aumentando a qualidade de vida de milhares de pessoas. Brinquedos eróticos não são mais motivo de vergonha, tanto para serem usados individualmente, quanto em casal. Empresas investem em representatividade e diversidade, afirmando que tudo bem assumir sua orientação sexual.

Entendendo a disfunção sexual feminina

Tudo parece estar caminhando, mas há um ponto que ainda dá passos de formiga: a questão das disfunções sexuais. Principalmente a feminina. Podemos ver que há uma parcela da sociedade que gosta de mostrar que evoluiu e é liberal (no sentido de “liberta”).

Mas ao mesmo tempo, ainda temos homens viciados em pornografia, e reproduzindo os filmes na vida real. Encaram como vídeos didáticos, como se fossem aprender como praticar sexo imitando o que vêem.

Por outro lado, temos mulheres com um prazer passivo, esperando serem satisfeitas, mas que não conseguem devido ao sexo performático que ainda é encontrado. Não exercem o prazer ativo por vergonha, por mais que tenham intimidade com o parceiro.

A disfunção sexual feminina e o prazer

Percebo em minha clínica que os homens sis heterossexuais (em sua maioria) se preocupam com o próprio prazer, depois em mostrar virilidade à parceira, e só em terceiro lugar, se preocupam de fato com o prazer dela. A mulher, por sua vez, se preocupa em primeiro lugar com o prazer do homem, em segundo vem a motivação em performar, e muitas vezes nem chegam a se preocupar com o próprio prazer.

Durante muito tempo, o motivo das disfunções de prazer feminino era considerado ou alguma questão física, ou pela falta de conhecimento do próprio corpo.

Enquanto era normal meninos se masturbarem, para as meninas esta atividade era impensável, regada de tabus, vergonhas e moralismos. Porém, como mencionei acima, as mulheres estão cada vez mais adeptas dos brinquedos eróticos e sabendo se auto-satisfazer.

Pesquisas sobre a disfunção sexual

Sabemos que 92% das mulheres se masturbam, sendo que 2/3 delas o fazem três vezes por semana. A mesma pesquisa realizada em 1979 mostrava que apenas 74% das mulheres diziam se masturbar.

Também é de conhecimento público em várias pesquisas disponíveis online, que 86% das mulheres homossexuais atingem o orgasmo nas relações sexuais, enquanto isto só acontece com 66% das mulheres heterossexuais.

Isto ocorre pela cultura de que mulheres atingem o clímax sexual através da penetração. Sendo que isso só é possível em aproximadamente 20% das mulheres. Ou seja: juntando os dados mostrados acima, chegamos à seguinte conclusão: mulheres conhecem o próprio corpo. Mulheres hétero chegam mais ao orgasmo do que as homossexuais. Homens pouco ou nada se importam com o prazer feminino e reproduzem o sexo baseado em penetração (aprendido nos filmes).

O orgasmo

Após tomarmos conhecimento de todos os dados oferecidos acima, inicio a abordagem sobre disfunções sexuais femininas e como elas são tratadas em análise.

Em primeiro lugar, a mulher tende a achar que não chegar ao orgasmo é culpa dela (mas já vimos anteriormente que na maioria das situações, a mulher não tem nenhum tipo de problema físico).

Barreiras para entender a disfunção sexual feminina

Então, vamos analisar quais seria estas barreiras que impedem as mulheres de chegar ao prazer:

1) A busca por tratamento

Por achar que o problema é dela, por vergonha, e muitas vezes, até pensar que é normal, a mulher não busca ajuda. E simplesmente se conforma de que esta é a qualidade sexual que terá e que merece ter por toda a sua vida.

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    2) Não saber explicar o problema

    Quando finalmente consegue buscar ajuda (seja de um psicólogo ou de um ginecologista), muitas vezes a mulher explica sua situação de forma equivocada.

    Por exemplo: dizer que tem problemas com lubrificação, quando na verdade, não teve estímulo suficiente para ficar lubrificada. Ou então, relatar dor na relação, quando o único problema era excesso de tensão. Ao relatar sintomas distorcidos, muitas vezes o profissional sugere soluções que não irão resolver o problema da paciente.

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    3) Não ter o retorno esperado do profissional

    Infelizmente, muitos profissionais ainda não estão preparados para lidar com assuntos relacionados à sexualidade de forma natural. Ficam constrangidos ao orientar mulheres, principalmente as de mais idade (como se não tivessem direito mais ao prazer).

    Quando a mulher finalmente toma coragem e se abre para um profissional, e o mesmo não exerce a função de continente, esta atitude irá reforçar no inconsciente da paciente de que há algo de errado com ela mesma, e que abordar este assunto é impróprio. Dificilmente ela tomará coragem para falar deste tópico outra vez.

    Novas abordagens sobre a disfunção sexual feminina

    É preciso haver uma conscientização massiva com terapeutas psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, ginecologistas, etc, para que eles saibam abordar com tranquilidade a própria sexualidade.

    Além disso, é preciso exercitar técnicas para ler entrelinhas. O profissional não deve aceitar como verdade absoluta o primeiro relato de sintomas da paciente.

    É preciso se aprofundar, criando um ambiente seguro e confortável para que ela se sinta pronta para falar.

    A falta de intimidade

    A dita disfunção sexual pode ser simplesmente inexperiência ou falta de intimidade com o parceiro. Ou até mesmo, de fato uma questão física.

    Mas também pode provir de traumas antigos, abusos, religião, crenças, disforias corporais, etc. Treinar a escuta e a abordagem, independente da especialidade do profissional é extremamente importante para que se busque uma solução (e/ou tratamento) adequada e eficiente.

    Não adianta conhecer perfeitamente a anatomia feminina, se não conseguirmos chegar nas profundezas do sofrimento psíquico.

    Este artigo sobre disfunção sexual feminina foi escrito por Joanna Ferrari Alves (Instagram: @joanna.psicanalista), psicanalista formada pelo IBPC, terapeuta de Família e Casal pelo ITF-MG, pós-graduada em Abordagem Psicanalítica na Terapia Familiar, MBA em Gestão de Recursos Humanos.

    4 thoughts on “Disfunção sexual feminina: repensando as abordagens

    1. Perfeito trabalho Dra. Joanna.
      Importantissímo com fim de esclarecer se a disfunção sexual é de origem física, espiritual, por suas profundezas do sofrimento psíquico.
      Fraterno abraço

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