entrevistas preliminares

Entrevistas preliminares e início do tratamento em psicanálise

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Na Psicanálise, para que seja possível o início do tratamento, é recomendado que seja realizado durante um período entrevistas preliminares. Durante esse período, é realizada uma sondagem diagnóstica para que seja possível iniciar o tratamento. Essa sondagem não é um questionário de anamnese com perguntas e respostas no formato sim ou não. Mas uma entrevista na qual seja possível o sujeito fazer uma narrativa de sua própria vida, da sua história.

A importância das entrevistas preliminares no início do tratamento

As entrevistas preliminares podem durar algumas semanas, mas são necessárias para que se possa conhecer as motivações que levaram o paciente a procurar o Psicanalista.

Além de ter a motivação diagnóstica, de possibilitar a identificação, ou pelo menos, gerar uma suspeita de qual tipo de estrutura Psíquica (neurose, psicose ou perversão) o sujeito está enquadrado, é o período em que o profissional traça a direção do tratamento mais adequado para aquele paciente.

A sondagem diagnóstica possibilita diferenciar se os sintomas apresentados são de uma neurose histérica ou obsessiva, ou de o início de um desencadeamento de uma psicose, que só poderá ser percebido após um período, ou pelo menos crie suspeitas desse possível diagnóstico. A Psicanálise não é composta de métodos pré-definidos, com causas e efeitos determinados.

A direção do tratamento psicanalítico

Freud em seu texto ‘Sobre o início do tratamento’ deixa isso claro, que o que se tem são recomendações para que seja possível o início do tratamento, não uma obrigatoriedade. E a clínica permite entender que não é possível aplicar um manual de atuação replicável a todos os pacientes, pois cada sujeito tem uma forma de lidar com o sofrimento, com as questões que são enfrentadas na vida.

O processo analítico é a descoberta da medida de cada um. Cada sujeito carrega consigo particularidades constitutivas e uma forma de lidar com as questões que a vida apresenta, com isso é necessário que o direcionamento do tratamento seja adequado a cada caso.

A condução de uma análise com interpretações antes do tempo, sendo o analisando psicótico, poderá desencadear sintomas que até então estavam “estabilizados”. Apesar de haver algumas recomendações para o início do tratamento, não é possível uma mecanização da técnica dado a riqueza da mente humana e sua plasticidade. Cada sujeito é único, a condução de cada atendimento é única.

As entrevistas preliminares no início do tratamento e a transferência

O início do tratamento só poderá acontecer após um mínimo de transferência, onde o sujeito direciona o seu sofrimento subjetivo ao Psicanalista, lhe dando o lugar do sujeito do suposto saber, aquele que poderá trazer alívio ao seu sofrimento.

A transferência é o motor da análise. O paciente colocando o analista neste lugar do suposto saber é o que vai possibilitar que os conteúdos inconscientes sejam direcionados ao analista, sendo assim, só é possível o processo analítico através do processo transferencial do paciente para o analista.

Um ponto que precisa ser destacado é o que toca a contratransferência, não só em relação ao início do tratamento, mas como em todo o processo analítico.

A contratransferência e as entrevistas preliminares

A contratransferência é quando o analista se vê atravessado por alguma questão que o analisando levou para análise, inviabilizando a escuta deste para além da sua própria questão.

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Quando é identificado pelo analista que tem algo seu nas questões do analisando, isso deverá ser levando para análise pessoal do analista e dependendo de como está essa trama, o tratamento deverá ser encerrado e o paciente encaminhado para outro profissional.

O analista precisa ser cauteloso ao estar neste lugar do suposto saber, para que não deixe que sua escuta seja interferida e até mesmo faça investidas no tratamento devido as suas próprias questões. No atendimento Psicanalítico o analista sai do lugar de sujeito e ocupa o lugar de objeto.

Conteúdo de uma análise

Não existe um manual de condução de análise, então o conteúdo a ser trabalhado desde a primeira sessão poderá ser a história de vida, uma parte da infância ou a partir de quando surgiram os sintomas, quem decide o que levar para análise é o paciente.

O importante nesse momento, é o paciente levar ao analista informações sobre si, para que esse conteúdo seja material de trabalho no processo analítico. Mas é importante destacar que, essa narrativa não é uma como uma conversa comum, onde precisa de uma linearidade, uma coerência. A narrativa deve ocorrer livre, para que assim, através da fala o inconsciente se manifeste.

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    O conteúdo levado pelo analisante não fará diferença, pois essas partes retornarão em outros momentos sem respeitar o tempo cronológico da narrativa, pois durante uma análise é o inconsciente que está em questão.

    Considerações Finais

    Não existe uma determinação, regras em como conduzir as entrevistas preliminares. O que existe são recomendações para que seja possível o início do tratamento, como a sondagem diagnóstica e algumas indicações em como direcionar o tratamento conforme a estrutura psíquica que o sujeito está enquadrado.

    É importante que o analista colha durante as entrevistas a maior quantidade de informações sobre a vida do paciente, pois as questões tragas pelo paciente que serão as ferramentas para o trabalho analítico.

    As entrevistas preliminares não têm um tempo fixo para acontecer. Tendo a indicação que também não se alongue muito, elas deverão durar o tempo necessário para que possa fazer investidas em direção à cura.

    Este conteúdo sobre entrevistas preliminares e o início do tratamento é de autoria de Monique Vianna. Comunicóloga e Psicanalista, em especialização em Saúde Mental e Psicanálise, realiza atendimento Online [[email protected]].

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