Estádio do Espelho: conheça esta teoria de Lacan

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Em raros momentos questionamos a nossa real imagem no mundo atual, tendo a sensação rápida de irrealidade. Mesmo que a gente não se lembre, isso começou logo no início da vida, ajudando em nossa construção social. Entenda melhor a teoria do estádio do espelho e o seu papel fundamental em nosso crescimento.

O que é o estádio do espelho?

Estádio do espelho é o instante mental onde a criança capta a percepção sobre sua unidade corpórea. Por meio de uma identificação com a imagem refletida no espelho e de outra pessoa, entende que ela também é unidade. Assim, cria mecanismos para compreender e avaliar que também possui imagem e identidade.

Basicamente, se mostra como o momento onde a criança finalmente encontra e entende sua imagem no espelho. Inicialmente, aquilo se trata de um desconhecido, algo que é compreendido como o contrário posteriormente. Mesmo sendo tão pequena, ela percebe que o contato humano é quente e maleável, não frio e liso.

Toda essa descoberta se dá por meio do imaginário da criança, onde intuitivamente ela compreende a situação onde está inserida. O protótipo desse trabalho começou em 1931 com Henri Wallon, psicólogo, batizando de “Prova do espelho”. Contudo, foi Lacan que aperfeiçoou o trabalho e deixou pilares importantes na teoria.

A mão do inconsciente

Como aberto linhas acima, Foi Henri Wallon que iniciou a base do estádio do espelho. Cinco anos depois, Lacan retoma esse trabalho, mas não sem antes fazer mudanças importantes ao desenvolvimento. Isso porque Wallon acreditava que o processo era totalmente consciente, à escolha da criança, mesmo sendo tão imatura.

Lacan, por sua vez, instaurou e preservou a ideia de que tudo ocorre inconscientemente no imaginário infantil. Segundo ele, o pequeno não tem coordenação motora e potência pela tenra idade. Ainda assim, é perfeitamente capaz de imaginar a apreensão e controle de seu corpo. Pode não controlar, mas imagina seu potencial a isso.

O corpo, sua unidade corpórea, é operado através de identificação com a figura do semelhante em forma total. É ilustrada e elevada por meio da experiência que o bebê entende sua própria aparência refletida. Dessa forma, o estádio do espelho seria a matriz do que viria a ser o Ego futuramente.

Construção da personalidade

Diariamente, a criança acaba se conhecendo por meio de quem nutre uma relação com ela. À medida em que cresce, ela passa a fazer associações e acaba nutrindo percepções em relação a quem interage com ela. Isso inclui seu próprio nome, já que, auditivamente, ela passa a se conhecer melhor por meio de uma identidade sonora.

Ainda que pareça algo pequeno, tudo isso colabora para que o seu desenvolvimento flua como esperado. Entretanto, cabe ressaltar que apenas isso não serve para individualizar a criança em relação ao seu corpo. Isso vai sendo feito através de desprendimentos graduais, como o desmame, os primeiros passos e as primeiras palavras.

“Tentei fugir de mim, mas aonde eu ia, eu estava”

O estádio do espelho propõe que a criança faça a construção de uma identificação com seu semelhante. O seu imaginário trabalha de modo a fazer com que a criança se enxergue através de alguém ou algo. Ao longo de seus momentos iniciais, isso é feito com a ajuda do:

Espelho

Sendo o principal objeto desse artigo, o espelho assume a função temporária de ponto à criança. Cabe ressaltar novamente que o objeto em si não tem importância, porém seu objetivo sim. O pequeno se enxerga nele, acredita se tratar de outro bebê, mas percebe a própria imagem. Isso desencadeia partes dos princípios em relação à identidade.

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A mãe

Outra forma da criança se enxergar é por meio da própria mãe. O contato diário a estimula a buscar pontos de referência na sua matriarca. O toque, o cuidado, o carinho e as palavras servem de referencial para que a criança se encontre.

A sociedade

O estádio do espelho se estende até os 18 meses aproximadamente. Nessa época, a criança já está mais acostumada com o vai e vem dentro de casa. À medida em que mantém contato com diversas pessoas, ela também tenta se ver refletida nelas. Isso permite a identificação ou negação de algumas características pessoais.

A busca

O estádio do espelho propõe que a criança, mesmo sendo ainda tão pequena, já inicie uma busca inconsciente por si mesma. O espelho em si não teria tanta relevância, mas a sua função primária é o que dá o contraste. Por meio dele, o pequeno inicia uma jornada pretendendo descobrir mais sobre o que sua mente captou, começando por:

Questionamentos

Assim que se depara com o espelho e o objeto refletido nele, o indivíduo começa a se questionar. De início, pode acreditar que se trata de outra criança, mas gradativamente essa impressão some. A superfície lisa e fria, ainda que convença, não se trata de alguém vivo. Com isso, gradualmente, passa a se identificar nela.


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Referência

Assim como no espelho, o bebê buscará referência quando olha aos próprios adultos. Inconscientemente, ele visa à identificação da própria imagem, primeiro de corpo e depois de mente. Isso contradiz em parte que o desenvolvimento maturacional era o que ajudava na constituição do Eu na criança. Também depende da implicação com outro alguém.

Fragmentação

Enquanto busca se identificar no mundo, a criança acaba por fazer confusão de si e do outro. Isso porque pode passar a se enxergar como ele de fato, demonstrando um sinal claro de corpo fragmentado em construção. Com o passar do tempo, este consegue concluir a ideia de corpo unificado, ajudado pela experiência que teve com o espelho.

Comentários finais sobre o Estádio do Espelho

Ainda que pareçam lineares e previsíveis em suas ações, desde novas as crianças já entram em processo da construção identitária. Isso começa por volta dos primeiros meses de vida, momento adequado para o estádio do espelho ser construído. Por meio dele, a criança trabalha para se ver, se identificar e buscar autonomia.

A autonomia vem em relação a não se prender na identidade de alguém para construir a própria. Com o estímulo correto, podemos fazer com que essa experiência ocorra como o esperado. Assim que tomarem consciência de que são quem são, os pequenos podem se abrir aos próximos estágios da vida.

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