Mito de Cronos: entenda a história da mitologia grega

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A mitologia grega carrega figuras emblemáticas que mexem com o imaginário popular até os dias atuais. Uma delas pode ser vista na fogura principal do Mito de Cronos, que carrega a força dos primórdios da vida e da morte também. Entenda mais sobre ele e como sua própria história reflete diretamente a imagem paterna no mundo moderno.

Sobre Cronos

Segundo a mitologia grega, Cronos liderava como a principal divindade dos primeiros titãs na história. Isso porque ele influenciava a agricultura e o próprio tempo, decidindo o curso da história para todos. Fruto da união de Urano com Gaia, figurava como o titã mais jovem. Contudo, o seu poder e postura impressionavam.

Infelizmente, a divindade era gananciosa e lutou contra o próprio pai, assumindo o poder e se casando com sua irmã. Entretanto, havia uma antiga profecia que contava de seu destino. Segundo ela, ele seria derrubado por um de seus filhos. A fim de evitar esse destino, o deus acabou devorando cada filho que tinha com Reia para se safar.

O nascimento de Zeus

Entretanto, sua esposa escondeu um deles, Zeus, e entregou uma pedra enrolada em pano ao marido que não desconfiou. Adulto, Zeus libertou cada titã aprisionado e uniu forças para fazer o mesmo por seus irmãos, expulsando seu pai. Assumindo seu lugar, se tornou imortal, graças a dádiva do seu pai.

Interpretação no mundo real

O mito de Cronos, ainda que possa soar bastante fantasioso, pode nos dar verdadeiras impressões do mundo real. Quando olhamos ao passado, podemos ter a sensação de que não cabemos na posição que ocupamos no agora. Sempre queremos mais tempo para realizar algo que estava em nossa lista, mas aí surgem os filhos.

As crianças representam tudo o que há de novo, substituto e imaculado. Aos olhos dos pais, representam a sua vulnerabilidade, já que agora possuem um ponto fraco. Ainda que isso não chegue à luz de suas consciências, muitos temem ser substituídos por suas crias. Contudo, o velho sempre deve dar lugar ao novo, uma vez essa é a ordem das coisas.

Entretanto, mexer no movimento natural do tempo traz apenas sofrimento para os familiares de alguém. O futuro é construído com base no que fazemos agora e devemos nos responsabilizar por isso. Se somos pais, assim como tivemos nossa vez de atuar no mundo, o futuro é o turno dos nossos filhos. Ao invés de lutar contra essa realidade, devemos fazer com que possam ir mais longe que puderem.

Caraterísticas de Cronos

Ainda que seja uma figura relevante na história grega, Cronos não é lembrado de forma tão amistosa como pode imaginar. A divindade era o exemplo perfeito da diferença entre medo e respeito, algo que muitos confundem mesmo hoje. Mesmo que sem querer, acaba fazendo um paralelo com a personalidade abusiva dos pais, onde vemos um indivíduo:

Ganancioso

Por conta de uma profecia que ameaçava seu reinado, o mesmo não hesitou em tomar medidas drásticas para solucionar o problema. Isso inclui o bem-estar de sua família, que era a principal vítima de seus abusos. A aparente morte dos filhos era apenas uma sequela na sua escala indefinida ao poder absoluto.

Violento

Em momento algum Cronos hesitou quando se pensava em devorar suas crianças. Na sua mente, elas eram apenas obstáculos para que ele não continuasse na posição que ocupava. Isso se estende a sua mulher também, já que Reia temia as ações do marido. Com isso, podemos notar um reflexo direto da sociedade patriarcal com a qual convivemos.

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Negativo

Para os mais céticos, a pergunta “Que tipo de pai engole os filhos?” pode surgir. Como aberto linhas acima, alguns pais têm dificuldades em aceitar a presença dos filhos. Enxergam-se obsoletos, sem função ou qualquer tipo de força sobre o momento. Nesse contexto, nascem comportamentos que buscam minar a individualidade e os talentos de crianças e jovens.

A vigorosidade violenta da figura paterna

Ao analisarmos o mito de Cronos vemos que ele é um exemplo perfeito que podemos dar ao discutirmos sobre a figura do pai abusivo. A cultura patriarcal coloca os homens numa posição onde devem ser respeitados, independente do que façam. Além de subverterem a figura feminina, isso também acaba atingindo as crianças. Assim como na natureza, qualquer ameaça em potencial deve ser eliminada.

Note que a violência à qual ele recorre funciona como resposta a um problema ao qual ele não quer se dedicar. Quando olhamos para alguns pais atualmente, vemos exatamente o mesmo reflexo quando se trata de educação. Assim que os filhos contrariam suas vontades, os mesmos são repreendidos com agressões físicas e verbais que não resolvem nada.

Em ambos os casos, notamos que há uma incompletude na própria criação e perspectiva de vida. Não podemos afirmar que há amor em algum nível em ambos os casos, de forma alguma. Engolir” seus filhos ou simplesmente agredi-los mostra o quão desesperado um homem está para impor respeito. Aliás, o respeito aqui se cria pelo medo, de modo que vemos mais um fruto da masculinidade tóxica.

Consequências

O abuso perpetrado por Cronos acaba gerando uma reação em cadeia de contrariedade. Isso porque Zeus retorna para dar fim às ações do pai, implementando uma política civil mais justa. Assim como ele, os filhos iniciam um levante para depor seus pais. Nas suas atitudes, encontramos:

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A luta contra tirania

O que fica mais visível são os esforços para derrubar as atitudes violentas da figura paterna. Não só os filhos, mas todos vivem em um regime onde a tirania é carrasco permanente. Já que não respeita a figura do pai, não tem de se preocupar com moralismos aqui, tornando suas ações justificáveis.

Falta de referencial

Quando um filho entra em disputa com o pai, deixa bem claro que repudia tudo o que este faz. A ideia é substituir sua imagem grotesca por algo que ele mesmo acredita, sendo benéfico a todos. Sendo assim, o filho que cresceu ausente do pai afirma que fará tudo diferente quando chegasse seu momento. Ele se torna tudo aquilo que idealizava.

Comentários finais sobre o Mito de Cronos

Ainda que seja apenas parte de uma cultura, o mito de Cronos serve para observar o relacionamento paterno. O deus representava tudo aquilo que não se espera de um pai, seja a ganância, violência e apatia. Na contramão dele, devemos ofertar apoio incondicional aos filhos, servindo de ponto de referência a eles.

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