Consumo e Inconsciente: 5 ideias sobre o impulso de comprar

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Atualmente, uma das principais formas de uma pessoa afirmar a sua condição financeira é por meio das compras via cartão de crédito. Entretanto, os gastos em demasia revelam uma vontade oculta de se compensar por alguma coisa. Vamos entender melhor a relação entre consumo e inconsciente e como isso pode impactar em nossas vidas.

1. Por que muitos consomem impulsivamente?

Desde pequenos, percebemos que algumas pessoas tendem a serem mais “mão aberta” em relação às compras. A todo momento chegam com algum objeto novo ou após ter consumido algum produto. Quando menores até podemos associar esse comportamento a um certo poder. Entretanto, não é bem assim que funciona, já que esse hábito revela um problema.

Quando falamos em consumismo e inconsciente falamos diretamente das pessoas que necessitam suprir algumas questões interiores. Em algum ponto de suas vidas, elas se sentiram negligenciadas de alguma forma, seja física ou emocionalmente. Por causa disso, buscaram formas de aliviar esse mal-estar de forma imediata e prazerosa.

A principal maneira de fazer isso se encontra nas compras, já que proporcionam alívio e prazer imediato. A ideia de uma pessoa fazer algo por si mesma constantemente sufoca qualquer sensação de que ela não é assistida. A fim de compensar o vazio que carrega, tentará jogar objetos nesse vácuo o quanto puder. Por fora pode parecer algo glamouroso, mas do lado de dentro a dor nunca some.

2. O papel da cultura

O ambiente e o tempo atual influenciam diretamente na relação entre consumo e inconsciente. Isso porque a figura de alguém que mergulha em lojas indica um estado de felicidade plena a qualquer pessoa. Dados os níveis de depressão do momento, muitos acabam mordendo essa isca e tentam reproduzir esse comportamento em suas vidas.

O problema é que as propagandas não revelam o lado sombrio dessa proposta capitalista. Entregar-se ao vício em compras acaba por trazer problemas internos e externos para muita gente. Isso porque deixamos de prestar uma verdadeira atenção aos nossos problemas e nos compensamos impulsivamente para esquecer. Assim, nos tornamos negligentes com dinheiro.

Isso pode ser constatado até na fala descontraída das pessoas, a exemplo do famoso “bater perna”. Nesse caso, a proposta em caminhar por um centro comercial até achar algo para comprar objetiva desviar o foco de outro objeto problemático. Sem contar também que isso contribui à compra sem necessidade. Se não sabemos do que precisamos, não sabemos por que comprar.

3. Consequências de consumir desenfreadamente

O consumo e inconsciente estabelecem uma relação de projeção e compensação do indivíduo ao ambiente. Como dito linhas acima, isso pode ser ocasionado como algo que ele interpreta como perda. A ausência de determinado objeto em sua vida provocou reações que acabaram supridas por compras em excesso. Infelizmente, acaba por acarretar:

Dívidas

Nem todo mundo é educado financeiramente para cuidar de suas contas de modo adequado. Os consumistas até têm noção de que devem guardar suas reservas, mas acabam cedendo ao impulso e realizam mais compras. Consequentemente, acumulam dívidas sem solução que a cada mês se tornam uma bola de neve.

Problemas nos relacionamentos

Quem possui vida conjugal ou até contato bem próximo da família corre o risco de romper esse laços. Isso porque as dívidas e o hábito consumista acabam por corroer as finanças desse grupo. Muitos casais acabam rompendo seus relacionamentos justamente pela falta de controle de um dos parceiros.

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Alterações comportamentais

O consumo acaba se tornando um impulso sempre que algo abate esses indivíduos. Todavia, quando isso é suprimido por fatores externos, o indivíduo passa a sofrer com mudanças comportamentais. Isso inclui a ansiedade, a raiva e a angústia de não poder efetuar qualquer compra.

4. O impacto social do consumo

A reflexão sobre consumo e inconsciente nos leva à certeza da degradação das relações sociais. Isso porque o consumista acaba por alimentar um padrão de pensamento negativo em relação ao próprio estilo de vida. Dessa forma, faz com que se afaste gradualmente da sociedade e de si mesmo, promovendo:

Exclusão

É regra: se uma pessoa não adere o mesmo estilo de vida deste, é tratada como estranha e excluída. A ideia do consumista é propagar sua linha de pensamento em relação a um produto ou serviço. Assim, todos devem também vestir as roupas da moda ou ter a última tendência em algo. Cria-se uma bolha onde se afasta quem pensa de modo diferente.

Compulsividade

A compulsividade vai bem além de nós mesmos e afeta o ambiente de produção. Com mais consumidores, mais matéria prima e mão de obra são conquistadas. Quanto a essa última, é possível ter acesso. Já em relação à primeira, muitos dos recursos utilizados não retornam à natureza quando não há um esforço para propagar o consumo consciente. Por outro lado, o consumo desenfreado afeta diretamente a natureza.

Depressão

Um dos impactos mais graves se encontra na alimentação do quadro de depressão. Com o passar do tempo, o indivíduo acaba se isolando do mundo por conta de seu estilo de vida. O mesmo pode ainda se ver preso em sua compulsão, mas atrelado a isso pode surgir uma apatia generalizada. Talvez ele perceba que não pode tapar o vazio dessa forma.


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5. Tratamentos disponíveis para quem não consegue parar de comprar

A má conexão entre consumo e inconsciente deve ser trabalhada diretamente dentro do consultório. Um psicoterapeuta pode induzir o paciente a revisitar as causas dessa dependência incontrolável em compras. Assim que descobrir o caminho, haverá propostas para recondicionar o seu comportamento.

A mudança de postura deve ser alimentada diariamente, de modo a evitar qualquer entrega em momentos de fraqueza. Desse modo, o paciente saberá se controlar e ponderar o valo de suas escolhas. A medicação entra aqui para aliviar qualquer sintoma decorrente desse comportamento. Isso inclui os sinais advindos da depressão.

Comentários finais sobre a relação entre consumo e inconsciente

Pouco se entende sobre como o consumo e inconsciente estão interligados e influenciam em nossas vidas. Por causa de alguma defasagem do passado, criamos mecanismos inconscientes para suprir uma ausência ao mudá-la de lugar. O problema é que tal alternativa é viciante, descontrolada e destruidora.

Os consumistas devem ser olhados muito além das etiquetas que adquirem. Eles têm necessidades reais de serem assistidos, trabalhados e libertados do seu vício. Até que mergulhemos na dor de alguém, só podemos especular e nunca saber a verdade. O mínimo de compreensão deve ser entregue acima de tudo.

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