Análise Psicanalítica dos filmes: Gênio Indomável e Cor da Noite

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A Análise Psicanalítica pode ser feita sobre diversas esferas, principalmente a cultural. Ademais, muitos filmes tem uma abordagem da psicanálise, mesmo que a gente não entenda de primeira. Por isso, hoje, nosso artigo abordará a análise psicanalítica de dois filmes: Gênio Indomável e Cor da noite. Ficou curioso? Então continue a leitura e saiba tudo!

O início da Psicanálise

Conhecendo a trajetória de Freud, observamos que, em busca de aprimoramento profissional da suas práticas, métodos e técnicas psicanalíticas, ele trilhou um longo caminho desde a hipnose até a Associação Livre. Isso com o uso da técnica da escuta. 

Esta na qual o indivíduo falava, na sessão psicanalítica, sobre seus conteúdos sem qualquer restrição ou julgamento. Posteriormente, ele investigava, analisava e interpretava, na tentativa de relacionar a fala aos conteúdos do seu inconsciente.

A técnica da escuta é utilizada como uma intervenção psicanalítica pelos seguidores de Freud diante de problemas psicoemocionais, como um importante recurso para auxiliar o indivíduo a se conhecer melhor. Possibilitando ao analista decifrar, traduzir e revelar ao indivíduo seus desejos, possibilitando-o a descoberta por ele de que ele é quem sabe de si.

Esta escuta só é possível devido o posicionamento do analista, que implica em estar disposto e preparado para ir além do somente ouvir o que está nas palavras, mas escutar o que as palavras não dizem e até mesmo se posicionar na sua função.

Análise Psicanalítica: Gênio Indomável e Cor da Noite

Desse modo, o  posicionamento analítico é de escutar “com o terceiro ouvido”, segundo expressão cunhada por Theodor Reik, no seu último parágrafo em “No início é o silêncio” (1926):

 “O analista não escuta somente o que está nas palavras, ele escuta também o que as palavras não dizem. Escuta com a “terceira orelha”. Assim, escutando o que diz o paciente e suas próprias vozes interiores. Ou seja, o que surge de seu inconsciente.

Os processos que estruturam a escuta analítica dos personagens nos filmes Gênio Indomável e a Cor da Noite se destacam por exigir o encontro de um caminho pelo qual consigam estabelecer uma comunicação subjetiva, num universo singular.

A situação traumática procura defender das ameaças, que emite um sinal de alerta, sendo sinais de angústias de alguma ação de enfrentamento ou fuga. Há também uma angústia por parte do analista diante dos problemas de seus pacientes. Isso no sentido de operar com o seu inconsciente a partir do apagamento do seu eu, para que sinta a dor do outro em si próprio.

O diálogo estabelecido entre analisando e analisados apresenta uma possibilidade de resolução de problemas que se acumularam durante anos.

A Resolução dos Problemas em Gênio Indomável e Cor da Noite

No filme Gênio Indomável, para ajudar Will, um personagem de 20 anos, gênio da matemática que, entretanto, não aceita esse dom, alguns analistas são postos em cena. Assim, o primeiro analista demonstra uma capacidade de escuta limitada, não podendo suportar aquele tipo de trabalho voluntário. Ou seja, não suportando a fala provocativa de Will em insinuar que era gay, por isso ele o abandona.

O segundo analista também desiste, uma vez que Will representa estar hipnotizado e é seduzido sexualmente, levantando do divã, com euforia, revelando que estava brincando. O terapeuta utiliza a técnica de hipnose do início do século passado, não havendo nenhuma relação em ação. Há apenas a tentativa de vasculhação que o analista tenta fazer no interior daquele corpo inerte, mas sem sucesso.

Já o terceiro analista é apresentado a Will, aparentemente, como um sujeito comum, o qual, também o recebe como um sujeito normal, mantendo-se persistente diante da ironia do escutado. Sean identifica o medo por trás das atitudes agressivas de Will e a conversa entre os dois também é agressiva inicialmente, apresentando-se, Sean, mais controlado que Will.

 O comportamento ético do mencionado psicanalista e a forma como o mesmo conduz as terapias resulta em uma grande amizade entre os dois. Sendo este o único a conseguir quebrar as defesas de Will.

Por que apenas o último analista teve sucesso?

O posicionamento deste analista, durante a intervenção psicanalítica através da escuta, oportunizou que Will enfrentasse os problemas do passado que foram acumulados. Portanto, superando as dificuldades de relacionamento, proporcionando-lhe, inclusive, optar sobre as escolhas da sua própria vida, que até então se encontrava perdido.


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Assim, optando pela sua felicidade pessoal, em função da sua vida profissional, quando o mesmo parte ao encontro da sua amada.

No filme A Cor da Noite, essa escuta é realizada de forma conjunta, ou seja, o analista propõe uma análise em grupo, na qual cada um fala de seus medos, traumas e problemas.

Dessa forma, o mesmo tenta entender os motivos que os leva, “o grupo”, a persistir nos comportamentos negativos ao longo de suas vidas.

A escuta no filme A Cor da Noite

Diante de tantos problemas individuais, Bill Capa, que é psiquiatra, se vê enredado por um crime, do seu amigo Bob, que terá que ser desvendado. Ademais, Bob é um colega de profissão que era dono da clínica onde deixou vários pacientes que faziam terapia, “o grupo”. Assim, Bill os conhecera recentemente e aceita dar prosseguimento à escuta dos mesmos.

Ele passa a desconfiar dos próprios pacientes e a manter uma relação amorosa com a misteriosa Rose. Ela também é uma paciente, mas que sempre se passou por homem diante do grupo de pacientes, o que o levara a ter que desvendar também o mistério sobre ela.

Os problemas psicoemocionais dos personagens, principalmente da Rose, demonstram a fragilidade e a angústia, do eu que passa a ter que fazer acordos, concessões e inibições de algumas ações.

 A situação traumática ganha força e a mesma se vê incapaz de organizar uma defesa eficaz, levando-a a um delírio total, pressionada pelos papéis que representa.

Diante desses problemas psíquicos, a intervenção psicanalítica através da escuta  também oportunizou não só a personagem, Bonnie/Rose, assim como os demais componentes “do grupo”, que descobrissem quem de fato eram. Ou seja, os conflitos dos seus eus, com o propósito que se identificassem em suas realidades vividas.

Conclusão

Assim como Freud explicitou, na psicanálise há a necessidade da escuta, principalmente pela Associação Livre. Nesses filmes, essa técnica é bem utilizada, o que ajuda os analisados a entenderem e solucionarem seus problemas. 

Gostou do artigo? Continue nos acompanhando para ter acesso a muitos conteúdos sobre a Psicanálise, suas teorias e técnicas!

 

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