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Filosofia e Psicanálise: relações entre as áreas

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Alguns filósofos já haviam trabalhado com o conceito de processos não-conscientes, antes mesmo de Freud, entre estes, o filósofo que mais se destacou foi Arthur Schopenhauer. Por isso afirmamos que há relação entre a Filosofia e a Psicanálise.

Porém, filosofia e psicanálise: existe relações entre as áreas? Algumas partes da filosofia de Schopenhauer convergem com a ideia de inconsciente na teoria freudiana. A consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o interior, mas apenas a crosta. (SCHOPENHAUER, O mundo como vontade e como representação, 2005. p. 368).

Filosofia e Psicanálise: relações entre as áreas

Para traçar esse paralelo entre Schopenhauer e Freud, se faz necessário entender um pouco mais a relação entre Freud e o inconsciente e a filosofia e a Psicanálise.

No livro Estudos sobre a Histeria (1893-1895), Freud e o médico Breuer deram extrema importância à investigação da histeria e dos seus sintomas, a partir do momento em que os fenômenos histéricos foram vistos com a seriedade de impactos psicológicos inacessíveis à consciência.

Partindo deste ponto, Freud cria então o chamado método catártico, visto a insuficiência dos tratamentos para a doença na época. Com a ideia de que é preciso trazer uma informação à tona, a noção de inconsciente já começa a se encorpar. Dessa forma, o estudo sobre o inconsciente foi aperfeiçoado, dando forma à teoria psicanalítica de Freud.

O método catártico

No método catártico, com o auxílio da associação livre e da atenção flutuante, Freud analisa e interpreta as fantasias e os sonhos dos pacientes. Analisando sob uma outra perspectiva, Schopenhauer, Nietzsche e outros filósofos já tinham citado os processos não-conscientes antes mesmo da Psicologia e da Psicanálise.

Schopenhauer foi o autor que foi mais fundo no trabalho com o inconsciente. Mesmo não se referindo diretamente à este termo, escreveu sobre processos não-conscientes. Sabe-se que durante sua formação em medicina, Freud leu sobre filosofia.

Filosofia e Psicanálise: relações entre as áreas

Porém, mesmo que filósofos e outros autores já tenham falado de inconsciente muito antes de Freud, cabe ao pai da psicanálise o reconhecimento científico deste termo.

Sendo assim, sob esse ponto de vista, podemos dizer que o inconsciente psicanalítico bebeu na fonte da filosofia, ou então que Freud e Schopenhauer beberam da mesma fonte.

Apesar de algumas divergências, os dois autores trazem semelhanças. Afinal, Freud não tinha interesse em desenvolver um método filosófico acerca da vida, mas em tornar a psicanálise um conhecimento científico.

O inconsciente psicanalítico e a filosofia schopenhaueriana

Sobre o inconsciente, o conceito de Vontade schopenhaueriano e o de inconsciente freudiano mostram algumas aproximações. Para Schopenhauer a Vontade é algo que está no sujeito antes mesmo que ele veja o mundo como objeto. A Vontade é a coisa-em-si de todas as coisas. É um querer essencial e inesgotável e sendo assim, autodestrutivo.

Ela é independente e soberana ao princípio de razão, é um desejo cego e instintivo, e assim como o inconsciente freudiano, ela é atemporal. Por isso, o homem e a natureza vivem em uma eterna relação de amor e ódio. Não foi, no entanto, a psicanálise, apressemo-nos a acrescentar, que deu esse primeiro passo.

Há filósofos famosos que podem ser citados como precursores – acima de todos, o grande pensador Schopenhauer, cuja ‘Vontade’ inconsciente equivale às pulsões mentais da psicanálise. Foi esse mesmo pensador, ademais, que, em palavras de inesquecível impacto, advertiu a humanidade quanto à importância, ainda tão subestimada pela espécie humana, da sua ânsia sexual. (FREUD, Uma dificuldade no caminho da psicanálise, 1917. pp. 178-179)

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O impulso da vontade

A Vontade é um impulso indomável e irracional que para Schopenhauer se dá através da representação, assim como para Freud o inconsciente se dá através dos sonhos, alucinações e fantasias.

Assim como Freud, Schopenhauer também já tinha dado grande importância ao papel da sexualidade nas nossas vidas. Para este último a sexualidade estava associada à Vontade, como uma vontade de viver, onde o maior interesse do indivíduo seria a perpetuação da espécie.

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    Já faz muito tempo que Arthur Schopenhauer, o filósofo, mostrou à humanidade o quanto suas atividades são determinadas pelos impulsos sexuais, no sentido comum da expressão. (FREUD, Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, 1905. p. 134.) A Vontade schopenhaueriana pode ser desmembrada em três partes: a Vontade Universal, a Vontade Individual e a Vontade Objetiva.

    A Vontade Universal, a Vontade Individual e a Vontade Objetiva.

    A Vontade Individual seria a Vontade Universal, porém com um aspecto individual, direcionado à cada indivíduo e não abrangendo todo o mundo, como a Vontade Universal. A coisa-em-si é uma e inteira, ela é igual para todos, porém na sua representação pode se apresentar de diferentes modos e aí entra seu caráter individual.

    A Vontade Objetiva é a forma pela qual a vontade se objetiva, ou seja, para Schopenhauer através do corpo. Logo, fica visível uma semelhança, onde o Id e o inconsciente seriam equivalentes à Vontade Individual.

    O corpo como sendo a objetivação perfeita da Vontade, mostra que conteúdos reprimidos e impulsos cegos advindos dessa mesma Vontade, terão suas frustrações e sintomas apresentados no próprio corpo.

    Ideias schopenhauerianas

    A ideia schopenhaueriana de loucura e genialidade também mostra uma relação com o inconsciente.

    Para o filósofo a loucura seria uma manifestação acentuada de algo que o indivíduo reprimiu. Ou seja, Schopenhauer já antecipava a noção freudiana de recalque. O alto grau em que a psicanálise coincide com a filosofia de Schopenhauer – ele não somente afirma o domínio das emoções e a suprema importância da sexualidade, mas também estava até mesmo cônscio do mecanismo do recalque (…) (FREUD, Um estudo autobiográfico, 1925. pp. 75-76.)

    Mais relações entre a Filosofia e a Psicanálise

    Outro ponto positivo entre os autores é a característica da Vontade como vontade de viver, mas ao mesmo tempo autodestrutiva, que se relaciona com a dialética da Pulsão de Vida e Pulsão de Morte em Freud. Uma dualidade existente no pensamento de ambos.

    Portanto, mesmo com divergências, que não foram abordadas neste momento, fica claro que Schopenhauer e Freud apresentam pontos de aproximação entre suas teorias, havendo relações entre a Filosofia e a Psicanálise. Ambos tinham ideias muito modernas, diferentes e controversas para a época em que viviam, ideias que geraram muitas críticas, mas também muito respeito, sendo possível que fossem levadas adiante por seus seguidores.

    Assim como Freud, Schopenhauer também foi, até um certo momento, rejeitado pelo meio acadêmico por conta dos seus pensamentos considerados revolucionários.

    Conclusão

    É notório que mesmo sendo incompreendidos, ambos trouxeram teorias e conceitos que não só agregaram, mas também mudaram a forma de se fazer Filosofia e Psicologia.

    O fato de Schopenhauer ter se debruçado sobre alguns conceitos presentes na teoria psicanalítica de Freud antes do mesmo inaugurar a Psicanálise, não diminui a contribuição inovadora de Freud.

    Afinal, é preciso separar e entender a abordagem mais abrangente e filosófica feita por Schopenhauer da abordagem psicológica e científica feita por Freud, abordagens diferentes, mas que podem se complementar.

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    Este artigo sobre “Filosofia e Psicanálise: relações entre as áreas”, foi escrito pela autora Thais Barreira([email protected]). Thaís possui bacharel e licenciada em Filosofia e será futura Psicanalista no Rio de Janeiro.

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