Freud e Einstein

Relações entre Freud e Einstein

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Dois dos maiores pensadores da história moderna mantiveram um contato próximo para dialogar sobre o lado destrutivo da humanidade. Em suas respectivas áreas, cada um tentou levantar hipóteses para explicar os motivos da raça humana recorrer à violência sempre. A partir daqui acompanharemos as relações entre Freud e Einstein e quais respostas encontraram juntos.

Sigmund Freud e Albert Einstein e a ameaça de guerra

“Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça de guerra?” abre a carta escrita para Freud por Einstein. O físico recorria ao psicanalista um auxílio para que pudesse compreender por outras vias a inclinação destrutiva da humanidade. Dada à forma como se construíram intelectualmente, foi preciso um esforço para trabalharem suas perspectivas.

A partir daí, Freud e Einstein dariam início a uma conversação urgente a respeito do futuro da humanidade. Às vésperas dainvasão nazista na Áustria, o documento também questionava como mecanismos de poder sugestionam homens à morte. A Política é exposta como ferramenta manipula dentro de um jogo de poder nocivo.

Porém, Einstein foi além e iniciou o caminho que abordava as diretrizes psíquicas e comportamentais dos indivíduos. O mesmo questiona se poderíamos evoluir a tal ponto de nos tornamos blindados à psicose do ódio. Freud, por sua vez, respondia às perguntas com base na sua doutrina de vida, respeitando os princípios de cada um.

A Psicanálise teria as respostas?

Freud e Einstein, aparentemente, mantinham uma relação mútua de respeito com as suas áreas de trabalho. Em algumas passagens, os dois se mostram abertos a propor questionamentos acreditando que o outro posso concluir. Nisso, Einstein proporciona a ideia de que a Psicanálise poderia ter resposta a esse problema.

Ele procura enfatizar que o homem tende a prender em sua essência um desejo de ódio massivo e destruição. Por causa dessa paixão doentia, uma psicose coletiva tomaria conta das massas e a empurraria mais fundo à guerra. Mas aqui apenas um especialista na mente humana, como Freud, teria gabarito de resolver isso na ciência dos instintos humanos.

Embora pareça uma massagem de ego no tocante à psicoterapia, temos aqui algum reconhecimento mais influente de sua atuação. Em busca de encontrar um ponto de elucidação, Einstein saiu de sua zona de conforto e caminhou para áreas que pouco conhecia. Felizmente, ainda que não da forma que esperava, talvez, recebeu sua resposta.

A resposta

No encontro filosófico entre Sigmund Freud e Albert Einstein, Freud se mostrou surpreso por conta da pergunta. De início, apontou que o tema de como proteger a humanidade da guerra poderia ser respondido por estadistas. Mas entendeu que Einstein estava ali, escrevendo, não como cientista, mas como filantropo.

O mesmo pedia uma resposta-abordagem a respeito do tema sob a ótica da Psicanálise. Freud, por sua vez, indicou que tudo era desencadeado por conta das pulsões do indivíduo. O psicanalista aponta que em muitas pessoas há uma crueldade e agressividade naturais e partes da composição de cada um.

Isso era baseado em cima dos relatos dramáticos consequentes dos transtornos de personalidade.

Castas

Freud e Einstein conversaram abertamente a respeito das classes dominantes na construção da sociedade. De acordo com as cartas, as classes dominantes possuíam um interesse doentio em exercer controle sobre os demais. A fome de poder político se mostrava insaciável e inconsequente, de maneira a mostrar um comportamento mais egoísta que o comum.

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Nisso, uma forma eficaz de aumentar a expansão desse poder era por meio do uso das guerras. Elas se adequavam perfeitamente aos propósitos de aumentar os interesses pessoais de cada pessoa de maneira desumana. Einstein, aliás, se perguntou o que duraria mais: o universo ou a estupidez humana, mas brincando sobre a incerteza do primeiro.

Além das guerras, outros embates dolorosos que ajudam nisso era:

Conflitos advindos da intolerância religiosa

Ao longo do tempo a perseguição a qualquer indivíduo que contrariasse uma “religião majoritária” sempre gerou sequelas grandiosas. Em parte, algumas pessoas podiam se valer desses conflitos para exercerem sua influência. Ao longo da história, diversos soberanos se valeram de suas diretrizes religiosas para impor o ódio e controle nos demais.

Perseguição a qualquer minoria

Negros, gays, deficientes, grupos religiosos menores, mulheres… A seu modo, cada um desses indivíduos sofreu graves provações por não se encaixarem em padrões nocivos e desumanos. A título de exemplo, considere o nazismo, que matou mais de 5 milhões de judeus. Outro exemplo é a escravidão a que muitas pessoas foram submetidas ao redor do mundo.


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A Psicanálise na guerra

Nas interações entre Freud e Einstein, o primeiro indicava os motivos pelos quais o ser humano se incitava à guerra. Mais uma vez, os impulsos tomavam a vez no controle dos indivíduos e empurram as pessoas ao desastre. Dentre as razões, apontou:

Desejo da agressão e destruição

Nesta parte, Freud indicou que os impulsos agiam diretamente para o alimento dessa força destrutiva. A satisfação deles se daria por meio da junção das emoções e idealizações dos indivíduos. Nisso, a forma como ele compreende o mundo internamente influencia na sua postura de resposta a ele.

Conquista e demonstração de poder

O ego do indivíduo sem refinamento o coloca numa posição de dominação maléfica e, claro, destrutiva. A exemplo dos mais poderosos, muitos desses em épocas mais obscuras demonstravam avidez em subjugar o outro. Graças a isso que se alimentava costumes degradantes onde o exercício do poder estava na humilhação do outro.

A intervenção do “Eu” no desencadeamento das guerras

Nas conversas entre Sigmund Freud e Albert Einstein, o primeiro apontou que o desejo de abraço à guerra faz parte do instinto destrutivo. Com isso, a forma de resolver iria contrapor a ele o “Eu” antagonista, Eros, de maneira a neutralizar sua força. O instinto do amor ajudaria a dar uma solução ao problema final da humanidade.

Em suma, Freud indicava que o amor seria a solução para apaziguar a intervenção da guerra. O pai da Psicanálise chegou a citar um trecho do Novo Testamento para amarmos os outros como a nós mesmos. Dessa forma, poderíamos todos nós compartilhar os nossos interesses e fazer a comunhão de sentimentos bons e universais.

Para isso, ele propunha um cuidado maior com a educação que se dava ao homens com mentalidade mais independente. Segundo Freud, esse tipo de educação precisaria ser livre de intimidações ou qualquer coerção. Contudo, ele também era consciente de que essa ideal na educação se tratava de uma utopia.

Nós causamos a nossa própria desgraça

A correspondência entre Einstein e Freud trouxe à tona percepções sensíveis e dolorosas sobre a nossa realidade como sociedade. Ao fim, fica claro que o homem causa a sua própria infelicidade, sendo vítima de suas próprias ações. Embora imerso nessa realidade há tantas gerações, o mesmo não aprende com seus erros.

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Todavia, procura se justificar como forma de limpar a sua consciência de julgamentos e condenações moralistas. Por isso que recorre as leis de Deus interpretadas pelos homens da antiguidade. Graças a elas, pode se safar de males consequentes em decorrência de suas ações destrutivas.

Essa proteção moralista e justificada ajudaria a alcançar uma felicidade mais plena. Porém, o tamanho dessa felicidade correspondia diretamente à sua grosseria existencial praticada.

Considerações finais sobre Freud e Einstein

Ao questionarem sobre por que a guerra, Einstein e Freud entraram em um debate filosófico a respeito da construção da moral humana. Embora a Psicanálise tenha apontado algumas diretrizes, como as pulsões, a abordagem permaneceu aberta a continuações. Ao mesmo tempo em que temos uma resposta, não conseguimos aplicá-la.

Talvez isso faça parte do condicionamento natural do indivíduo, em que ele não se afasta de quem foi educado para ser. Essa parte é explicada pelos aspectos culturais que insistem em repetir padrões de destruição muito arcaicos. Sem a devida convergência, continuaremos a nos mutilar por meio da guerra em suas variadas.

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