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Primeira e Segunda Guerra Mundial para Freud

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Ao longo do tempo, os seres humanos criaram e sofreram muitas guerras. Dentre elas, a primeira e a segunda guerra mundial. Confira agora nosso artigo que retrata a visão freudiana das guerras mundiais!

Contextualizando

A história da humanidade é repleta de atos considerados violentos e agressivos, já descritos até mesmo na Bíblia e na filosofia clássica, como Platão, no Livro IX da República (1990). A Guerra fez parte da vida de Freud. Além disso, são bem conhecidas as contribuições de Freud relativas aos momentos de guerra e paz.

A história da psicanálise se mistura na biografia de Freud. Porque sua trajetória, influências e avanços convergem e promovem mudanças na vida e obra de um dos principais personagens da psicanálise.

No final do século XVIII e início do século XIX, o mundo passou por grandes transformações. Com o fortalecimento do capitalismo , o crescimento da população, as transformações no sistema de transporte, a urbanização. Além disso, as duas grandes guerras.

As Guerras e Freud

Nesse contexto, Freud, nacionalista, viveu a iminência da Primeira Guerra com entusiasmo, o que pode ser acompanhado em suas cartas aos seus correspondentes. Entretanto, como o tempo passava, a guerra trazia aflições e medos. Isso fazia emergir novas questões, como a violência e a proximidade da morte. Por isso, Freud sentiu intimamente com a ida de três de seus filhos para o Exército. A irmã de Freud, Rosa, perdeu seu único filho em combate.

Outrossim, psicanalistas, como Max Eitingon, Karl Abraham, Sándor Ferenczi e Otto Rank foram convocados para servir como médicos na guerra. Por isso, Freud compartilha suas aflições da Primeira Guerra, e coloca como uma dos temas centrais a morte, em Reflexões para os tempos de guerra e morte (FREUD, 1915). Ele que, à distância, guarda o posto e anseia pelo retorno de seus entes queridos. 

A psicanálise em relação às guerras mundiais

A guerra mundial tem influências ainda constantes em Introdução à psicanálise e às neuroses de guerra (1919), Por que a Guerra? (1932), e tantas outras.  Assim como Freud, a psicanálise foi profundamente influenciada pelo cenário mundial. Porque houveram cancelamentos e adiamentos, como o congresso de 1914 em Dresden que foi cancelado. Além do V Congresso da IPA (Associação Internacional de Psicanálise) que, como tema, teve os traumas de guerra, e as reuniões da Sociedade Psicanalítica de Viena que, antes semanais, tornaram-se ocasionais. 

Ademais, o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e seus anos subsequentes, foram marcados por desemprego, conflitos e crise econômica. Em 1939, a Alemanha invadiu a Polônia, marcando o início da Segunda Guerra Mundial, deixando, em seis anos de duração, aproximadamente setenta milhões de mortos. Além disso, Freud, que na Primeira Guerra estava do lado dos fortes, na Segunda Guerra, estava com os fracos, sendo alvo do nazismo, inclusive seus filhos foram interrogados pela polícia nazista.

Em resumo, Freud era judeu. Não se reconhecia como um homem religioso, mas portador da tradição cultural judaica.

A relação de Freud com a guerra mundial

Em 1926, em entrevista a Geroge Sylvester Viereck, Freud diz: “Minha língua é o alemão. Minha cultura, minhas realizações são alemãs. Eu me considerava intelectualmente alemão, até que notei o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria germânica. Desde então, prefiro me dizer um judeu” (GAY, 1989, p. 409).

Então, em 1932, Freud e Einstein trocaram correspondências sobre a guerra, feita por solicitação da Liga das Nações, antecessora da ONU. Impressionados com os horrores da Guerra Mundial, os dois refletiram sobre a natureza da guerra e a forma de evitá-la ou diminuir seu alcance. Por isso, Freud foi escolhido por Albert Einstein para responder “Por que a guerra?”.

Além disso, Einstein questionava se havia alguma forma de livrar a humanidade da ameaça da guerra, e chegou a declarar que Freud poderia sugerir métodos que resolveriam o problema. Ele desejava saber como seria possível, a ausência da guerra e a paz mundial à luz da Psicanálise. Entretanto, Freud se esquivou e endossou o que Einstein havia colocado, afirmando que as guerras ocorrem devido às questões políticas, psicológicas, sociais, culturais e econômicas.  E, com a expansão do anti-semitismo racial à política governamental Freud, e outros autores sofreram diversas represálias.

Repressões da guerra contra os pensadores

Em 1933, Freud, Thomas Mann, Albert Einstein, Marx, Kafka, e outros autores tiveram seus livros queimados em praça pública. Por serem considerados heresia e afronta à raça ariana, foram queimados em praça pública por nazistas. Em 1934, Freud é cortado da sua lista de membros da Universidade. Por fim, em 1936, Moritz Schlick, professor e membro do Círculo de Viena, foi assassinado na universidade por um estudante racista.

O final da guerra mundial para Freud

Em 1938, Freud tinha ótima reputação no mundo, recebeu ajuda de grandes personalidades que promoveram sua fuga. A princesa Maria Bonaparte, com a ajuda de pessoas influentes na época, conseguiu angariar recursos para conseguir o visto para Freud e sua família. Freud, relutante, buscou exílio em Londres, com parte de sua família, mas deixou suas quatro irmãs idosas em Viena. Onde uma morreu de fome no campo concentração de Theresienstadt e três foram assassinadas. 

A polícia nazista fez Freud assinar uma cláusula para permitir seu exílio, que assegurava que o regime nazista o havia tratado com todo respeito e consideração, por conta de sua reputação científica, e que Freud podia viver e trabalhar em plena liberdade.

Um ano depois, em 1939, ainda em Londres, ele faleceu. Mesmo muito tempo após a morte, Freud e a psicanalise caminham juntos. E sua contribuição foi e continua sendo essencial para a historia e evolução da psicanálise.

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Este artigo foi escrito pela aluna do curso de Psicanálise Clínica Juliana Vecchi Marinuchi, especialmente para o nosso Blog.

 

 

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