implicito significado

Implícito: significado no dicionário e na psicologia

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Em linhas gerais, diz-se que implícito é uma informação indireta, não óbvia, oculta. Enquanto o explícito seria uma informação direta e aberta. Vamos analisar o que é implícito, o significado do termo e a diferença com seu antônimo. Para isso, é importante conhecer os conceitos do ponto de vida do dicionário e da psicologia.

Diferença entre explícito e implícito

Vivemos em tempos que as oposições ganharam espaço nas mídias sociais, crescem as divergências, marcadas com desrespeito, trocas explícitas de palavras hostis e ou ironias implícitas às ideias alheias.

Observamos, por outro lado, aqueles que invocam ao bom senso, que todos podem ter opiniões que se diferenciam, mas que o desrespeito, a violência na tentativa de calar o diferente, quebra o contrato social de convivência e possibilidade de diálogo, característica de um Estado de Direito, no qual historicamente nos encontramos.

Nesse cenário posto, destaco as palavras explícito e implícito para refletir sobre dois vieses, a do significado dicionarizado e a do significado dado na psicologia.

Significado no dicionário

Ao se buscar no dicionário os significados, encontramos que as palavras explícito e implícito, ambas pertencem à classe gramatical Adjetivo, portanto qualificam o que é tido como posto.

Etimologicamente, também ambas vêm do latim:

  • Explícito: “explicitus, a, um”, com o sentido de explicado.
  • Implícito: “implicitus, a, um” com sentido de enlaçado, entrelaçado.

Portanto, é explícito quando o que se diz é o que se quis dizer, e implícito quando se diz sem dizer, mas que no contexto é possível entender o que subjaz, o que está nas “entrelinhas”.

Encontramos as palavras ainda como antônimos, em lado opostos, na explicitude a transparência e na implicitude o velado. Se pensarmos o que seria, neste contexto semântico, um conhecimento explícito, seria um conhecimento ipsis litteris, tal como está escrito, explicado.

Um conhecimento implícito, seria um conhecimento contextual, que dependeria da cultura.

Significado de Implícito e Explícito na psicologia

Já a psicologia, há algum tempo, tem o cuidado com a quebra de divergências que reduzem o conhecimento do homem sobre si mesmo, suas relações sociais, com os objetos construídos e com o meio ambiente.

Encontramos no trabalho de DIENES e PERNER (1999) que

“Reconciliar divergências significa conceber a aprendizagem humana não só como um processo de mudança resultante da experiência, mas como aquisição de conhecimento, por processos tanto implícitos quanto processos explícitos.”

Assim, explícito e implícito são processos de aprendizagem que não se opõem ou se excluem, mas que permitem percepções diferenciadas que não restringem em mudanças comportamentais, mas ampliam em mudanças de processos e representações.

Ainda segundo os estudos dos autores supra citados, os processos implícitos são da ordem das mudanças comportamentais e seu mecanismo se dá na associação, e os processos explícitos são referentes às mudanças de processos e representações, mudanças essas que se dão pela reestruturação.

Associação na criação de conteúdos implícitos e explícitos

Nos estudos sobre a evolução da mente humana, entendemos que as mudanças comportamentais se originam na capacidade de associação, competência em detectar regularidades – discriminar as diferenças e generalizar as semelhanças, assim como mecanismos pré-associativos como reação de orientação e habituação.

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    A questão é, uma vez feita a associação, obtido um conhecimento implícito, entendido as regularidades e irregularidades sobre tal objeto, seu funcionamento e suas possibilidades, que fazer para externá-lo, como explicá-lo, como representá-lo?

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    Assim, tendo a consciência como processo de intencionalidade, são necessário processos de explicitude – reestruturação.

    Reestruturação da explicitação

    Em seus estudos, Kermillof (1994) propõe que a explicitação se dá por meio de 3 níveis:

    Supressão Representacional

    Reprime-se ou se ignora a contribuição de um estímulo. A nossa percepção inviabiliza ver dois objetos ao mesmo tempo como, por exemplo, duas figuras sobrepostas ou duas ideias antagônicas, controlando a explicitude, se pode alternar as dimensões, como neste último exemplo, ora entendendo os argumentos de um ora os de outro, poderá assim reestruturar e explicitar os dois.

    Suspensão do Representacional

    A representação inibida é substituída por outra função ou significante. Quando assistimos uma novela, atores e atrizes representam personagens de uma trama narrativa, fora do set das filmagens ator ou atriz serem confundidos com a personagem, causaria estranheza à consciência existente na ação. Ator/Personagem é uma transformação simbólica.

    Redescrição Representacional

    É o mais, segundo autor, impenetrável, pois “explicitar envolve não só o objeto de representação, mas a teoria a seu respeito e a perspectiva que o orienta, o agente e sua atitude pragmática ou epistêmica”, pg.124. Ou seja, entender que toda realidade é uma possível realidade dentro de um conjunto de possíveis perspectivas de mundo.

    É o grande diferencial de nossa espécie frente a outras – constituir representações de representações.

    Por exemplo: quando realizamos uma promessa a alguém, construímos uma realidade virtual da qual difere da realidade naquele momento existente. Entre o espaço da realidade atual e a possível consumação da realidade virtual, há espaços de transformação de um estado ou mais.

    Observa-se que a explicitação só é entendida com as possibilidades ferramentais da cultura.

    Assim, para psicologia, a convergência da evolução da mente, processos da implicitude (associação) e da cultura juntamente com os mecanismos de explicitude (reestruturação) é que podem conceber uma aprendizagem humana não descontinuada.

    Concluindo: significado de implícito e explícito

    Ao refletirmos, resguardando as diferenças de áreas e seus objetos e objetivos de estudo, vemos que Explícito e Implícito, quer como vocábulos pertencentes a lexicografia de uma língua com suas descrições gramaticais, etimológicas e de significados de uso não estão tão distantes do uso da psicologia, o que sem dúvida as diferencia é a sistematização dos processos de construção – os processos que envolvem a cada um dos conceitos, na perspectiva da aprendizagem.

    Destaco nessa reflexão que as oposições trazidas no começo do texto fazem parte das vivências sociais, a violência e a tentativa de apagamento dos diferentes é que empobrecem nossa história.

    As construções narrativas individuais e coletivas nos auxiliam a não vivenciar fragmentos descontinuados de nós mesmos e do nosso entorno. Convergir e Divergir são movimentos legítimos, só não devem se eliminar para não restringir quando desejamos expandir.

    Referências bibliográficas

    Dienes, Z., & Perner, D. (1999). A theory of implicit and explicit knowledge. Behavioral and Brain Sciences, 22, 735-808. Leme, M. I. S. (2004).

    Educação: O rompimento possível do círculo vicioso da violência. In M. R. Maluf (Org.) Psicologia Educacional. Questões contemporâneas. São Paulo: Casa do Psicólogo. Karmillof-Smith, A. (1994).

    Précis on beyond modularity. Behavioral and Brain Sciences,17, 693-743 In: Leme, M. I. S. (2008).

    Reconciliando divergências: conhecimento implícito e explícito na aprendizagem. Michaelis. Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 1998. Dicionários Michaelis, 2259 p.

    Este conteúdo sobre o que é implícito, explícito e a diferença entre esses conceitos foi escrito por Sandra Mitherhofer ([email protected]). Possui graduação em Língua e Literatura Portuguesas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1986) e mestrado em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2003). Atualmente é professora contratada pelo centro Unimódulo – Caraguatatuba/SP. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Língua Portuguesa , Linguística Aplicada e Capacitação de professores no que concerne às intervenções de leitura e escrita. Participante da Comissão Avaliadora Própria da Instituição. Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Cruzeiro do Sul/São Paulo (2016). Atua nas disciplinas de Contabilidade e Análise de Custos, Auditoria, Perícia e Engenharia de Custos, Metodologia de Pesquisa entre outras. Responsável pela Oficina Contábil – Fomentação à Iniciação Científica. Atualmente, estuda Psicanálise.

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