Livro 1984

Livro 1984 de George Orwell: a distopia e sua atualidade

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O livro 1984 de Orwell sobrevive a seu próprio tempo, livro que poucos leram mas que muitos conhecem, ou pelo menos, já ouviram falar. Uma obra que trata da desumanização, de esvaziar o sujeito das suas possibilidades e potencialidades, que pensa a possibilidade do sujeito tem de carregar o seu próprio sentimento. Obra máxima que precisa ser revisitada e aqui sem spoiler.

Sobre o autor George Orwell

Conhecido, por muitos, por ser autor de livros como 1.984 e A Revolução dos Bichos, nasceu Eric Arthur Blair, para surpresa de muitos, na India, na época colônia da Inglaterra. Saí da terra natal e é aceito na Escola de Eton, sendo bolsista de Aldroux Huxley – outro escritor fantástico, autor de Admirável Mundo Novo.

Trabalha em sebos, livraria de livros usados, como minerador de carvão. Vai lutar na Guerra Cívil Espanhola, contra o governo de Franco, junto com a sua primeira mulher. Acaba contraindo tuberculose, doença essa que é responsável por sua morte em Londres. Vive por muito tempo nas ruas londrinas, acolitado por criminosos e mendigos, oportunidade que tem, não apenas para olhar para uma Londres destruída, como também para vive-la.

O livro 1984, porém, é todo ele escrito com o autor isolado em uma ilha com poucos recursos, ilha essa escolhida por seu editor, onde o texto foi por diversas vezes escrito e reescrito, com Orwell degladiando com o texto, pensando na escrita como um processo . Ao morrer tem na lápide o nome de Eric,que podemos pensar na tentativa de anunciar que a morte foi do Eric que nasce na Índia, não do George Orwell escritor .

O contexto do livro 1984 de George Orwell

Necessário colocar o autor e suas obras dentro do contexto da Guerra Fria como sistema político, do imperialismo por ideias, não mais por colonização. O livro é adaptado para quadrinhos, para o cinema e até na música; todos com a permissão ( autorização ) de sua segunda mulher.

A adaptação para os quadrinhos, com a intenção de atrair o público mais jovem, teve o incentivo da CIA. No cinema há duas versões, uma de Michel Andersen em 1956 e uma outra em 1984 com o diretor Michael Radfort.

Há nesse contexto a criação, nos Estados Unidos, da DARPA ( Agência Avançada de Pesquisa de Projetos de Defesa ) ,em 1958, englobando a militarização do espaço, a rede mundial de computadores, a vigilância global, fazendo coleta e análise de dados.

A obra: distopia de (em) 1984 e em 2021

Com todo o seu potencial Orwell relata com maestria o negativismo em relação ao futuro, a ascensão de regimes ditatoriais, o uso de tecnologia destinada a vigilância, a distopia, o sufoco de viver em uma sociedade orientada pela opressão e autoritarismo, a necessidade de padronizar comportamentos. Esse universo é problemático e avassalador, relata a falência de uma humanidade onde o que foi prometido nunca é cumprido.

Existe a falência da humanidade, o sujeito não usufrui da prometida liberdade que havia sido anunciada, ocorrendo um processo de frustração. Um sujeito atropelado pela coletividade, em uma grande tentativa de controlar o corpo e cercear o individuo, como enfoca Michel Foucault.

A primeira edição é de 1949, mas consta na capa o ano de 1948, um erro de grafia que foi corrigido posteriormente, ambientado em um mundo futuro no momento da publicação primeira. O protagonista Winston Smith trabalha reescrevendo a história, manipulando o passado, mas não o personagem em si.

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Livro 1984 e o amor proibido

Laborando no Ministério da Verdade onde altera a fonte da informação o tempo todo, a referência ao passado é fragmentada, não sendo possível uma articulação. O que não pode ser reescrito tem que ser imediatamente destruído. Mas o nosso protagonista encontra um amigo, O Brien, que é convocado para vigiar e chamar Smith a normalidade.

Existe um amor proibido. Julia, personagem que possui questões esclarecidas, tem sentimentos, abre portas para novas e profundas reflexões, reflexões essas que, na maioria das vezes, não são esclarecidas para o protagonista. Existe o Ministério do Amor, que possui a finalidade de torturar e controlar as pessoas.

Nesse contexto, o relacionamento é apenas para gerar filhos, herdeiros esses que devem servir ao “ partido”. Também incluo como personagem o Quarto 101, lugar onde as pessoas com” desvios” são torturadas com aquilo que mais temem. Por causa desse quarto Smith delata Julia e o inverso ocorre igualmente. Smith e Júlia confessam a traição, existe a impossibilidade de transpor, não há outro caminho a não ser o da traição, pois os laços são impossibilitados.

Distopia e atualidade

Há outras dimensões da violência : não existe o espanto quando os filhos do vizinho do protagonista vão a um “ espetáculo” de enforcamento. Outro aspecto violento é a Novilingua; criando dificuldades para expressar, negando ou alterando os sentidos das expressões; afinal a linguagem tem uma ideologia. . . a palavra carrega sentido e se me aposso dela se torna um instrumento de dominação. Assim a nova fala estreita o âmbito do pensar.

Smith sabe o poder da palavra, tanto que se esconde para produzir e isso faz com que ele se mantenha enquanto sujeito.

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    Porém a coletividade apaga o indivíduo, a sociedade investe para destruir a subjetividade e, para isso, faz uso da linguagem, do uniforme confeccionado por uma única fábrica.

    Considerações finais

    O Grande Irmão ( Big Brother ), é o que retira do sujeito a privacidade, afinal a Tela nos vigia, mas hoje ocorre o oposto : o ser humano possui um desejo de perder a sua subjetividade, tudo é exposto em todas as mídias.

    Em 1984 não existem as leis sociais, mas a comunidade é extremamente rígida; o plano maior é destruir o amor, sentimento esse que não pode prosperar, uma vez acordado para a mudança o fenômeno pode ocorrer novamente, grande perigo.

    Relendo o livro remeto a Alex, protagonista de Laranja Mecânica, que cede aos bons sentimentos ( duvida eterna ) por não desejar mais passar pelos métodos da tortura. Orwell em 1984 faz um convite para acordar para a realidade, sair da acomodação, dos nossos lugares de equívocos com o desejo de abertura de portas para possibilidades.

    O presente artigo foi escrito por Ricardo Pianca([email protected]), neopsicanalista e filosofo. Sempre em formação e leitor voraz, na tentativa de conciliar livros e cinema com psicanalise.

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