Mãe do Século XXI: Conceito de Winnicott na Atualidade

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Mesmo com o avanço da sociedade, muitas ideias e ideais arcaicos se mantiveram presentes. Por exemplo, o ideal de mulher e mãe perfeita, que vive apenas para os filhos e para o marido. Entretanto, a mãe do século XXI não está sendo constituída por esse “padrão Amélia”, o que gera conflitos.

Além disso, a sociedade patriarcal se sente ferida quando uma mulher, além de mãe, trabalha fora. Mesmo isso sendo necessário em tempos de escassez econômica. Você sabe o que o psicanalista e médico Winnicott aborda sobre essa relação da mãe do século XXI? Confira agora!

Mãe do século XXI para Winnicott

As ressonâncias do pensamento de Donald Winnicott (1975) sobre o conceito de “mãe suficientemente boa” nunca ecoaram tanto quanto nos últimos anos. Ao observarmos, por exemplo, os discursos femininos nas redes sociais, é comum nos depararmos com expressões como “maternidade real” e “tabu da maternidade”. Isto é, a questão da dedicação feminina à maternidade tem sido colocada bastante em evidência e gerando repercussão. Assim, criando novos caminhos para assunto.

Ao longo da história da humanidade, os indivíduos sempre se atraíram com a ideia da fertilidade, da geração de outras vidas e “seus mistérios”. Em algumas culturas, inclusive, até hoje os seres capazes de “gerar” ou “gerir” a vida são adorados e temidos. Dessa forma, a representação da mulher, sempre associada ao fator reprodutivo e de “cuidadora”, estimula essa vertente sagrada e quase “sobrenatural” da maternidade. Porém, com os avanços tecnológicos e ideológicos, a mulher hoje se vê entre a maternidade e precisar também exercer outros papéis. Por exemplo, o profissional.

Assim, a noção de uma mãe inteiramente entregue aos cuidados do bebê não pode mais ser vista como antigamente. Então, retornamos ao pensamento de Winnicott, que, desde o século passado, já pensava a mãe como criadora de um universo em que o bebê já se vê fora de um contexto extremamente protetor. Assim, passando – aos poucos – a lidar com a frustração e se adaptar ativamente.

O que é ser uma boa mãe?

Claro que Winnicott não pretendia ensinar as mães a serem “suficientemente boas”. Porém, é com conceitos como esse que podemos levantar a discussão a respeito das representações femininas. E, principalmente, da maternidade enquanto “realização” da mulher ou como papel fundamental. Além disso, é necessário trazer à tona a matéria sobre essa mãe como cuidadora exclusiva. E, além disso, como a única capaz de atender às necessidades do bebê.

Pode parecer, haja vista as vozes que defendem o “empoderamento feminino”, que há essa noção de que a mulher evoluiu bastante em sua representação fora da “responsabilidade” fundamental na maternidade. Porém, não é bem isso que percebemos em discursos atuais.

Um caso público recente que demonstra bem isso é o da apresentadora Sabrina Sato. Que, no último carnaval, foi amplamente criticada por “deixar” sua filha bebê para desfilar na avenida. O próprio termo “deixar” já traz uma visão de como a mulher parece ser uma extensão da criança em seus primeiros meses – quiçá anos – de vida.

A mãe do século XXI: o machismo e o patriarcalismo

O tom adicionado aos discursos demonstra o quanto a sociedade ainda está distante do que propagava o médico Winnicott. Porque em seus conceitos, ele discutia a respeito do papel maternal de “deixar” o bebê aos poucos entender que ele deve lidar com suas frustrações. E, assim, adquirir resiliência diante do mundo desde muito cedo. Na visão (ainda machista da nossa sociedade), a mulher tem uma participação fundamental (é fato, claro) que, portanto, deveria ser inteiramente exclusiva nos primeiros meses de vida de uma criança. Isso como se o bebê realmente não pudesse ser responsabilidade de outra ou outras pessoas. Haja vista que a sociedade não cobra tanto do homem, por exemplo, que sai para trabalhar ou se divertir.

A revolução dos conceitos psicanalíticos sobre o papel da mãe

Além de todas as considerações já inseridas a respeito da “atuação” da mãe, cabe salientar que, como coloca Alfredo Naffah Neto (2007, p. 225), coube a Winnicott “…alterar significativamente toda a tradição que o precedeu, impondo-lhe uma perspectiva, um ponto de vista eminentemente seu”. Dessa forma, a partir das influências de seus antecessores, o médico inovou ao ter esse olhar sobre a subjetividade da mulher. Assim, modificando um pouco o que antes colocou Freud a respeito da mãe dentro da psicanálise. 

Apesar de muitos séculos de história entendendo a mãe como aquela que cuida e conforta, e de uma sociedade eminentemente masculinizada, Winnicott propõe uma reflexão da mulher com o seu corpo, a sua sexualidade e a maternidade. Isso, principalmente, na representação da mulher como inseparável do latente desejo de ser mãe. 

No trabalho de Winnicott, temos esse refinamento na psicanálise das “influências” da mãe nos caminhos sexuais e corporais inconscientes traçados pelos filhos. Ou seja, nas vivências com ela que, segundo Freud, geram pulsões, compulsões ou transtornos. Porém, o médico Winnicott relativiza essa relação, sugerindo uma nova postura da mãe. Uma nova postura para que a criança ganhe mais autonomia e não estabeleça essa relação de dependência latente.

Conclusão sobre a mãe do século XXI

Acerca de tudo o que foi colocado, cabe ressaltar que Winnicott, com o conceito de “mãe suficientemente boa”, estava à frente do seu tempo. Porque já estava prevendo uma transformação na questão da maternidade e da representação da mulher na sociedade. Ou seja, a mãe do século XXI. Estamos diante de uma questão latente em nosso tempo e podemos verificar que a visão do médico auxilia as mães e, também, os homens a compreender essa relação. E, assim, podemos repensar modelos padronizados e estigmatizados da maternidade.

Faz-se urgente uma discussão ampla e geral para que as mulheres possam se livrar da culpa. E, com isso, praticar a maternidade com liberdade e auxílio masculino. Portanto, sem cobranças e construindo indivíduos mais autônomos e felizes. Além disso, com esse avanço das mulheres na sociedade, as crianças poderão ter outra visão da maternidade. Assim, no futuro, mais mulheres se verão livres das represálias sociais e com mais facilidade para se libertar.

E você, é mãe ou sente vontade de ser? Como você se sente representando esse papel? Seu companheiro te acompanha na criação dos filhos? Ou apenas diz que “ajuda”, deixando toda a responsabilidade para você? Deixe aqui um comentário!


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Este artigo foi produzido por Regiane Raquel de Oliveira, uma de nossas alunas do curso de Psicanálise Clínica.

 

 

 

 

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