manual das patologias psicanalíticas

Manual das Patologias Psicanalíticas e sua (im)possibilidade

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É possível a criação de um manual das patologias psicanalíticas?

Entendendo o manual das patologias psicanalíticas

Associado aos chamados ‘temas emergentes’ na Psicanálise, atualmente existe uma concepção, percepção e visão por parte de alguns analistas pesquisadores em suas reflexões e nas construções de livros, artigos, textos e ensaios dirigidos ao segmento especializado (nicho ‘psi’), à academia e ao tecido social em geral, além dos analistas que possuem um foco forte sobre possíveis patologias psicanalíticas pós-modernas emergentes, de que seria muito interessante aos entusiastas da Psicanálise a tentativa de construção ‘coletiva’, por parte dos psicanalistas, de um ‘MPP’: Manual das Patologias Psicanalíticas.

Os temas emergentes em Psicanálise estão em discussão na chegada da pós- modernidade dos tempos líquidos e das disrupturas sociais e já são muitos os tópicos com seus diversos assuntos instigantes agregados ou não, de forma a serem enfocados em bloco ou de forma individual e publicados seja na rede de internet, intranet, revistas eletrônicas, artigos de jornais, enfim, e um deles é justamente a criação do manual de patologias psicanalíticas já consagradas em cases pregressos bem estudados por profissionais da área e veiculado em revistas especializadas, blogs enfim. E que, evidente, seja um trabalho coletivo de uma comissão nacional de consenso para se reunir e fazer o MPP.

Diante da situação já ocorrerem propostas no sentido de criação de MPPC, ou seja, Manual das Patologias Psicanalíticas Consagradas que são os cases de sucesso já relatado e conhecido. As reações são diversas. Vamos tentar, em tese, contextualizar algumas percepções.

O manual das patologias psicanalíticas e a Federação Brasileira de Psicanálise

Muitas Entidades das quais, algumas até gostaram da visão da FEBRAPSI (Federação Brasileira de Psicanálise) fundada como associação em 1967, e que evoluiu até ser uma federação, e estão de alguma forma vinculadas a IPA (International Psychoanalytical Association) tinham óbices ‘em tese e a priori,’ contra a construção de um manual das patologias psicanalíticas e contra a Psicanálise ser uma formação universitária formal e nível superior independente da Psicologia e da Psiquiatria. Que fosse realmente uma graduação era uma ideia que ficou fora de questão.

Não podemos perder de vistas que Associação Brasileira de Psiquiatria fomentou um movimento ótimo de articulação das entidades psicanalíticas e muitos temas vieram à tona alguns ganharam até espaços e outros temas como o MPP ficou a deriva, solto, de alguns somente. E temos a questão das chamadas exigências ou pré-requisitos como por ex. ser obrigado a estar ligado a IPA, Isso meio que afastou muitos operadores das ciências psicanalíticas e quebrou a chamada capilaridade. Evidente que não havia ainda uma posição forte pró um MPP, (Manual de Patologias Psicanalíticas) e sempre houve um entendimento e a compreensão de que o DSM e CID suprem bem.

Porém, já assimilaram e alguns introjetaram em seus enfoques e narrativas que o objeto primordial da Psicanálise é o ‘fato psicanalítico’ que em última análise é o inconsciente. Alguns operadores da Psicologia e Psiquiatria reagem em tese, com a concepção de que todo psicólogo ou psiquiatra pode ser psicanalista, mas o inverso não é verdade. E de fato essa premissa expressa uma verdade técnica de formação, até porque quem deseja ser psicanalista é porque não quis ser psicólogo e nem médico psiquiatra e fez outro percurso e se capacitou e foi lidar com um objeto da Psicanálise fora do eixo dos objetos dessas duas ciências.

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A Psicanálise e o manual das patologias psicanalíticas

Mas a visão de nichos fechado hermeticamente acabou atrapalhando muita coisa, quebrou a capilaridade. Por ex, podemos citar o case da OAB no Brasil, com a prova paga como requisito para registro profissional quebrou a capilaridade. Sem a capilaridade integra fica difícil a construção de iniciativas que venham atingir a todos. O grande erro da Psicanálise foi quebrar o principio da capilaridade. Muitos estão cometendo esse erro grave. Outro ponto a ser destacado que o psicanalista não pode receitar psicofármacos.

Alguns psicanalistas fazem uma formação farmacêutica para ter um base porque muitos sabem que a alopatia, a fitoterapia e até a homeopatia não podem ser simplesmente deixadas de lado numa emergência, como por exemplo um sério ataque de pânico ou um surto grave. O psicanalista não é um psicólogo e nem pode se apropriar e exercer a psicologia mas os psicólogos sabem que precisam muito da psicanálise.

Para o psicanalistas ao aplicar um teste psicométrico alguns acham que seria em tese, exercício arbitrário das próprias razões e uma usurpação de função e atribuição. Mas, esta concepção foi até o momento que ficou bem claro os objetos e atribuições de cada campo do conhecimento ‘psi’ estavam finalmente delimitados. A Psicanálise tem seu corredor e duto que é muitas vezes trilhando pela Psicologia e Psiquiatria.

Um fato Psicológico

A Psicologia reivindicou para si o ‘fato psicológico’ tanto ligado ao comportamental como a toda a estrutura e mecanismos de defesa. A Psiquiatria na sua hora, postulou ser a legítima operadora do ‘fato psiquiátrico’ e lidar com a ‘bioquímica cerebral’ e possui uma interface forte com Neurologia, e sem dúvidas, tem a exclusividade, capacidade e habilidade de praticar o receituário psicofarmacológico face possuir o ato médico. Porém, nada impede serem ativadas as interfaces, seja por iniciativas partículas, ou institucionais via academias inclusive, serem postuladas e fomentadas, ou outros formatos de fomentos e interfaces que possam aderir.

Entretanto, não podemos perder de vistas que a Psicanálise mostrou que o seu objeto é o fato psicanalítico, ou seja, o inconsciente e que e lida com os atos psicanalítico e tem sua caixa de ferramentas. E que, muitos atos considerados como fatos psicológicos e fatos psiquiátricos são na realidade efetivamente ‘fatos psicanalíticos’, como morte, luto, o próprio nascimento, as transições na percepção linear da vida ou ciclo da vida, não os rituais de passagem em si, mas, o momento das transições, as crise que se instalam passam a ser fato psicanalítico, como por exemplo o suicídio, o homicídio, a fuga, as tramas, fraudes, agressões com lesões até graves, separações, enfim.

Os divergentes ligados a algumas vertentes da Psiquiatria, em tese, argumentam que não, que por exemplo, o suicídio seria em tese, um fato psiquiátrico por excelência. Já a Filosofia entende que a morte é um fato filosófico. Entra em campo a Teologia argumentando que o óbito é um fato teológico do mistério espiritual. Porem, são fatos entrelaçados, que estão numa interface muito forte às vezes imperceptíveis e até inconscientes.

Os fatos psicanalíticos e o manual das patologias psicanalíticas

Os fatos psicanalíticos possuem em si perante terceiros uma rede de interfaces. O equívoco é cada ciência puxar a brasa para si. Alguns esqueceram que no mundo moderno houve o aprendizado da inter, pluri, multi e transdisciplinariedade e que caminhamos a passos de gigantes para a meta e poli disciplinariedade na pós modernidade. E neste diapasão existem várias lições apreendidas com ‘n’ projetos de êxitos confirmados, onde conseguiram resultados estrondosos.

A Psicologia, por exemplo, possui um vinculo forte com a Psiquiatria e também opera dentro do DSM e do CID; também a Psicanálise se socorre muitas vezes do DSM e CID não obstante com isso que não possa ser construído ‘pari passu’ um MPP, Manual das Patologias Psicanalíticas, e que futuramente tanto a Psicologia como a Psiquiatria venham a se socorrer também deste documento postulado por alguns imbuídos na concepção das interfaces como por exemplo a pluri, trans e meta disciplinariedade.

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    Eis que cada interface tem sua nuance especialíssima. Alguns operadores das ciências ‘psi’ notadamente da esfera da Psicologia e Psiquiatria tem forte resistência a essa atitude porque não assimilaram ainda que praticamente todas as esferas do saber já estão ‘além’, mais avançadas, já quebraram a casca do ovo e saíram da bolha e estão numa interface pluri e multidisciplinar já antevendo chegar a meta e polidisciplinariedade para caminharem de mãos dadas em direção a ecodisciplinariedade que será indubitavelmente o futuro do planeta, o meio ambiente.

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    Ainda sobre as ciências ‘psi’

    As ciências terão que achar meios de serem selos ‘verdes’ alusão a meio ambiente, de terem o seu selo de ambientalmente corretos. Isso já é uma percepção praticamente sem volta. O mundo pós-pandemia vai se direcionar para o meio-ambiente.

    É um clamor social que se impõem mundialmente. Pois, se o oxigênio não for à bola da vez como haverá a sobrevivência do planeta ?! Não haverá. As árvores são maquinas naturais de fabricação do oxigênio e estão sendo destruídas. A vida vai se extinguir levando a reboque consigo tudo.

    De nada adiantará as ciências ‘psi’ um conflito sem sentido como estavam travando. É preciso resgatar a visão de interfaces. Ficar parado olhando o planeta na UTI e caminhando ao óbito onde restarão só planícies e planaltos áridos e vazios não faz sentido algum. Esta nova visão ‘eco’ esta gerando reflexões de que a ciências ‘psi’ precisam se harmonizar e criar o que precisa ser criado, interfaces e capilaridade.

    Considerações finais

    As pessoas estão ficando doentes e precisamos de um manual de patologias psicanalíticas para guiar melhor os trabalhos. Muitos apoiam esta ideia que pode até parecer inédita ou quem sabe bizarra, mas não é mais uma idealização ou mero sonho; passou a ser uma necessidade.

    Os operadores da Psicanálise precisam de um futuro manual de patologias psicanalíticas e precisam entender que a interface é vital bem como resgatarem a capilaridade removendo os entraves, abrirem seus estatutos e retirarem pré-requisitos. A FEBRAPSI, por exemplo, poderia ser muito maior do que é, se não tivesse fixado amarras e óbices.

    E por fim, a Psicanalise vem crescendo muito, deu um grande ‘up’ e muitos estão buscando essa técnica e método para compreender e entender melhor os rumos das pessoas e do mundo.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira. Licenciado História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacológica; acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica. E-mail: [email protected]

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