Melanie Klein

Melanie Klein: biografia, teoria e contribuições à psicanálise

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Para falar sobre esse ícone psicanalítico – Melanie Klein, vamos imergir um pouco em sua biografia, trajetória, obras e teoria como legado de excepcional valor a psicanálise. Biografia Melanie Klein, psicanalista austríaca, nasceu em 30 de março de 1882 em Viena.

Entendo mais sobre a Melanie Klein

Seu pai de raiz judaica foi um estudioso do Talmude (conjunto de livros sagrados para os judeus. Discursões rabínicas são essências da lei, costumes, ética e a historicidade do judaísmo), onde em seus 37 anos de idade se apartou da ortodoxia religiosa, buscando a ambiência acadêmica em medicina. A mãe se ocupava de um pequeno comércio de plantas e répteis como contribuição no orçamento familiar.

A família de respeitado conceito culto, era dominada por uma linhagem de mulheres. Melanie Klein, não era bem aceita e acolhida pelos pais que tinham uma convivência pouco harmônica. Quando se tornou mãe, também sofreu as decepções maternas vivenciadas por sua mãe. A juventude de Melanie foi traumática, marcado por uma significativa sequência de lutos.

1896, Melanie tinha profundo interesse pelas artes, embora seus estudos tivessem como objetivo, o exame de admissão no Liceu feminino, para ingressar na medicina. Porém, logo após o casamento com Arthur Klein, abandonou a medicina e retomou seus estudos nas searas das artes e história, sem alcançar a graduação.

Melanie Klein e a Psicanálise

Posteriormente teve 3 filhos. Imersão na psicanálise e trajetória cronológica 1916 – Budapeste, iniciou seus contatos com as obras do pai da psicanálise e foi analisanda de Sándor Ferenczi que a incentivou a realizar atendimento a crianças. 1919 – Assumiu o status de membro da Sociedade de Psicanálise de Budapeste. Um ano após, conheceu Sigmund Freud e Karl Abraham em um evento no congresso psicanalítico de Haia.

Foi convidada por Abraham para trabalhar em Berlin. Freud sempre adotou uma postura mais afastada de Klein, inclusive evitava comentário a seu respeito ou opiniões sobre suas ideias, embora Kelin declarar-se freudiana até o fim de seu dias. 1923 – Dedicou-se exclusivamente a psicanálise, onde aos 42 anos, iniciou uma análise com Abraham que durou 14 meses. 1924 – Klein apresentou seu trabalho A técnica da análise de crianças pequenas, durante o VIII Congresso Internacional de Psicanálise.

1927 – A filha do pai da psicanálise, Anna Freud, publicou um livro com o título: O tratamento psicanalítico de crianças, onde Melanie Klein teceu incômodas críticas a suas ideias, o que provocou uma divisão de subgrupo kleiniano na Sociedade Britânica de Psicanálise, onde ironicamente no mesmo ano tornou-se membro da sociedade. 1929 a 1946 – Fez a análise de um menino de 4 anos chamado Dick, portador de esquizofrenia.

Melanie Klein e seus atendimentos

1930 iniciou atendimentos psicanalíticos a adultos. 1932 publicou uma obra intitulada A psicanálise da criança nos idiomas inglês e alemão. 1936 realizou conferência abordando como tema: O desmame. 1937 mais uma publicação Amor, ódio e reparação, com Joan Rivière. 1945 A Sociedade Britânica de Psicanálise foi fracionada em 3 grupos: Annafreudianos (Freud contemporâneo), kleiniano e independente. 1947 – Aos 65 anos continuou sua sequência de publicações, dessa vez sob o título Contribuições a psicanálise.

1955 – Foi fundada a Fundação Melanie Klein e também publicado o artigo A técnica psicanalítica através do brinquedo. 1960 – Acometida por uma anemia, foi submetida a uma cirurgia devido a um câncer de cólon, falecendo no dia 22 de setembro aos 78 anos. Uma jornada como legado, que propiciou ganhos imensuráveis a psicanálise se tornando uma referência de relevante valor.

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Teoria, pensamentos e divergências Melanie Klein, com seus pontos de vista originais, também foi polêmica e aguçou em alguns críticos dividindo sua percepções naqueles que diziam que as ideias kleinianas eram complementares, e outros afirmavam ser contraditórias. É considerada a criadora da psicanálise de criança por meio da técnica do brincar.

A teoria de Melanie Klein

A teoria Kleiniana, estrutura sua fundamentação na infância mais primitiva, onde ocorrem as fantasias inconscientes logo após o nascimento da criança em sus primeiras experiências com o mundo exterior, assim como na teoria do caráter inato, onde se desenvolve a personalidade sob os influxos da pulsão de vida e pulsão de morte em conexão com as relações objetais.

O termo “posição” utilizado por Klein, possui um significado singular, conceitua-se como um elemento presente tanto na infância quanto ao longo de toda a vida, porém, são nos primeiros anos de vida que ele é responsável em demarcar a criança e sua relação com os objetos, assim como suas angústias, ansiedades e defesas.

Os estudos de Klein sobre as neuroses infantis e o desenvolvimento da psique no início da vida, deram sentido a compreensão para elaborar e fundamentar diversas psicopatologia e os transtornos da personalidade. São análises e estudos aprofundados de tamanha relevância técnica e teórica, que só podem ser equiparados as obras do pai da psicanálise.

Relações objetais

A teoria das relações objetais kleiana deriva da teoria pulsional de Freud embora difira do pensamento freudiano em 3 pontos fundamentais: O primeiro se apresenta com menor ênfase aos impulsos biológicos e maior atenção aos padrões de relacionamento da criança com as pessoas de sua convivência. Segundo ponto é que Melanie Klein apresenta uma abordagem mais maternal, evidenciando o cuidado e a intimidade da mãe, o que se contrasta com a teoria freudiana que enfatiza o poder e o senso controlador da figura paterna.

E por concluir, o terceiro ponto caracteriza a teoria objetal de Klein contempla que a busca por relações e contatos, é a motivação principal do comportamento humano, e não o prazer sexual, base freudiana de onde parte a maioria das explicações de Freud quanto ao funcionamento psíquico e as psicopatologias. Importante se faz deixar claro o significado de relações objetais, embora haja uma sutil variação entre teóricos, porque entre eles cada um foca em diferentes relações, porém vamos tentar convergir ao menor espaço possível entre os conceitos.

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    Relações objetais, são as conexões que a criança estabelece com os objetos que estão interligados com seus desejos e necessidades. Esses objetos podem ser pessoas, partes de pessoas como o peito da mãe (objeto do mamar), também podendo ser coisas inanimadas. Klein e Freud convergem no sentido de partir do princípio básico que o ser humano está sempre buscando sempre reduzir a tensão que é provocada por desejos insatisfeitos.

    Considerações finais

    No caso das crianças em seus primeiros anos de vida, o objeto que reduz essa tensão é a pessoa ou parte dela que atende a suas necessidades, por esse motivo Melanie Klein estuda as relações que elas estabelecem com seus primeiros objetos como a mãe e seu peito, que se solidificam como modelo e referência para seus relacionamentos interpessoais.

    Nessa ambiência, os relacionamentos estabelecidos na vida adulta nem sempre são o que aparentam, pois todo relacionamento está envernizado por representações psicológicas de antigos objetos que tiveram grandes representatividades em nossa infância, incluindo as pessoas.

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    Klein, deu uma imensurável contribuição a psicanálise, não apenas por seus valiosos conceitos, mas pelo exercício de sua autonomia em pensar e propor novas formas de entendimento na psicanalise como todo.

    O presente artigo foi escrito por José Romero Gomes da Silva([email protected]br). Psicanalista doutorando, Me. Teólogo, colunista.

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