neurose e psicanálise

Neurose e Psicanálise: compreendendo a relação

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Pode-se definir neurose e psicanálise e este de forma muito simples como sendo a análise da psique, ou seja, da estrutura psíquica das pessoas, e nessa questão a neurose, a psicose e a perversão foram as estruturas elencadas pela psicanálise Freudiana.

A neurose e psicanálise Freudiana

A complexidade deste campo do ser humano requer melhor elucidação. Pode-se explicar a questão, dizendo que psicanálise é um método de investigação, que busca os significados inconscientes dos atos, palavras e produções imaginárias. Esta descoberta aconteceu por meio do médico neurologista e psiquiatra Sigmund Freud, que ao se dedicar em descobrir as causas de certas enfermidades para as quais não havia remédio que as revertesse, deparou-se com inúmeras doenças que não havia qualquer justificativa de ordem física, nenhuma deteriorização dos tecidos.

Eram paralisias, cegueiras, vômitos, tremores, tiques, amnésia, surdez, delírios, fobias (medos), obsessões e convulsões. Todas essas doenças eram de origem inexplicadas e resistentes às ministrações de medicamentos. Freud, então, foi paulatinamente utilizando de métodos psicológicos, desde a hipnose até a Catarse, penetrando nas profundezas da personalidade do homem, que até então, eram totalmente desconhecidas.

Posteriormente, desenvolveu um método conhecido como livre associação, através do qual os pacientes falavam livremente de tudo que lembravam ou lhes vinham à mente. Concentrava-se especialmente aos relatos das memórias perdidas na infância. Descobriu que, por vezes, certas doenças que atormentam os adultos, tiveram suas origens em conflitos mentais ocorridos na infância, que não foram resolvidos.

Freud, neurose e psicanálise

Dentro deste contexto, Freud anunciou ao mundo que conflitos psicológicos não resolvidos na infância, ficam recalcados e fixados no inconsciente por toda a vida, gerando transtornos futuros. A notícia causou um impacto, uma verdadeira revolução no mundo inteiro.

Entretanto, não demorou a aparecer os contraditórios, os discordantes. Freud, porém, sem se importar com eles, continuou usando seus métodos, obtendo resultados satisfatórios, provando que tinha razão.

O surgimento das neuroses

As neuroses são afecções do inconsciente que não apresenta nenhuma lesão no aparelho psíquico. Trata-se sim de uma aptidão imperfeita de saber viver, fazendo nascer o mal estar, angústia e a dificuldade de ser, aparecendo a conduta social. Como o estado consciente permanece, torna-se um sofrimento penoso neste estado mórbido. Pode-se dizer que uma neurose é uma tentativa infantil de procurar resolver os conflitos de um adulto.

Exemplificando: Um bebê “aprende” que é capaz de obter tudo o que deseja chorando, gritando, batendo, contendo o fôlego, engasgando, enfim, amedrontando com tais atitudes seus pais ou responsáveis. Isto certamente ficará fixado na sua mente e quando estiver com 40 anos, será o mesmo bebê manhoso, emburrado, fechado, deixando de conversar por qualquer motivo, pressionando todos ao redor (família – trabalho – sociedade) na tentativa de obter a satisfação de desejos inconscientes.

Há muitos anos, psicanalistas e pesquisadores da mente vêm detectando o prolongamento e a extensão das atitudes infantis nos adultos, causando por vezes enormes prejuízos a sociedade, nesses tempos de acelerado progresso na área da tecnologia e da informática. É importante, portanto, a sociedade empreender ações preventivas na questão da saúde psicológica que visem o ajuste da idade psicológica, de modo a extinguir comportamentos, que são potencialmente nocivos à humanidade. Então, a neurose significa uma reação exagerada da mente e do sistema nervoso diante dos distúrbios físicos ou experienciais desagradáveis.

Neuróticos, neurose e psicanálise

As neuroses também podem ser fabricadas, como num bombardeio em tempo de guerra ou revolução, falecimento de uma pessoa amada, fracasso no trabalho ou nos estudos, dificuldades financeiras, tudo isso gera conflitos e, consequentemente, a estafa, hoje denominada estresse. Há pouca compreensão a respeito dessa doença, o que leva as pessoas a não compreenderem ou até mesmo terem aversão aos neuróticos.

Todavia, a maneira correta de lidar com o neurótico, na família ou no trabalho, é primeiramente não o desprezar, ter tolerância, generosidade, etc. Mediante uma aproximação aos neuróticos comuns há de descobrir que, apesar de tudo, eles são pessoas sinceras e até boas de coração. Os neuróticos ao terem estimuladas suas potencialidades, apresentarão resultados positivos e surpreendentes.

Assim deve-se evitar uma aproximação negativa, destacando apenas as insuficiências; isso é muito comum da parte de familiares poucos esclarecidos. Na verdade, os neuróticos desejam que as pessoas demonstrem interesse por eles; tem necessidade de amigos que os ajudem a viver mais satisfatoriamente. São pessoas excessivamente sensíveis, as vezes muitos agressivos, as vezes muito acanhados, deprimem-se facilmente, se deixam dominar por pensamentos negativos, tem tendência ao nervosismo sem motivo aparentes.

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Ainda sobre o neuróticos

Os neuróticos não sabem lidar adequadamente com as frustrações pessoais, são muitos sonhadores. Quando se centralizam em si mesmo são excessivamente retraídos. Quando humilhados, dificulta e muito sua recuperação, especialmente quando alguém sugere responsabilizá-los pela sua própria doença, classificando-os como fingidos, simuladores etc.

Todavia, com uma boa compreensão do seu meio ambiente e com um tratamento psicanalítico, pode-se converter sua personalidade, de modo que o neurótico não necessite viver isolado ou amarrado.

A cura através da terapia freudiana

O tratamento psicanalítico é de um modo geral, de longa duração; há caso onde a pessoa passa longos anos em tratamento. O avanço da sociedade, as revoluções sociais e as demandas sociológicas exigem adequação de todos segmentos da humanidade. A psicanálise não poderia aparecer alheia a tal fenômeno social sob pena de beneficiar apenas uma minoria, quando na verdade uma significativa maioria precisa de ajuda. O tratamento convencional da psicanálise apresenta alguns inconvenientes, um deles o tempo: por exigir um longo período para um tratamento eficaz.

Muitos pacientes ficavam sem possibilidade devida as preocupações prévias, que não lhes permitiam-se o tempo suficiente. Condições sociais é outro fator de dificuldade, uma vez que, por ser longo, torna-se caro, a ponto de se dizer que tratamento psicanalítico era só para ricos. Estes dois fatores principais foram levados em conta e então se pensou numa alternativa que fosse mais acessível, sem comprometer a qualidade do tratamento. Surgiu então as psicoterapias breves, utilizando-se dos métodos da psicanálise.

A psicoterapia breve ajuda em dois sentidos: abrevia a duração do tratamento, e, sendo de menor duração, a questão financeira também fica reduzida. Isto facilita o acesso para pessoas de um menor poder aquisitivo. O tratamento com o método da psicoterapia breve é bastante satisfatório, pois foi sugerido por Freud, em 1918, e por Gilliéron em 1968. Contudo, é preciso ficar claro que as psicoterapias breves não são um atalho para o trabalho da Psicanálise. Nesse método tanto o paciente como o terapeuta se doarão muito mais.

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    Considerações finais

    Até hoje persistem as discórdias quanto a Psicanálise. Todavia, não se pode rejeitá-la absolutamente, pois a uma infinidade de doenças e sintomas não solucionados medicamentosamente, encontrando cura na Psicanálise. Hoje isso é inegavelmente claro nas questões das doenças psicossomáticas, ou seja, de origem psíquica, que fazem o corpo sofrer. Muitas vezes a causa desse mal foi originada num conflito emocional intenso durante a infância, o qual não foi resolvido e nem mesmo percebido no início.

    Esse conflito uma vez não resolvido permanece aparentemente inofensivos, bem fixado na mente da criança com se fora algo latente, vindo muito tempo depois à tona como um distúrbio emocional, como uma inquietação interiormente incômoda. Então a criança, não conseguindo superá-lo, fixa-se no mesmo, passando para a fase adulta com um comportamento infantil.

    Inconscientemente é dominada por estranhos sentimentos que a levam a querer solucioná-los, mas não como um adulto e sim como criança. É chamado então, de neurótico “atormentado” pela infância não resolvida.

    O presente artigo foi escrito por Paulo Cesar dos Santos, aluno IBPC, graduando em psicologia e pedagagia. Email [email protected]

    3 thoughts on “Neurose e Psicanálise: compreendendo a relação

    1. A questão é que a neurose como que se torna contagiante: se você convive com uma pessoa assim, ela será resiliente em convencer que a,maneira dela de “ver o mundo” é a correta ou em trabalho de equipe como querer que acatem o que ela sugerir! E nem sempre a dor por uma perda, faz o neurótico, mudar. Em quem estiver próximo e “ouvi-lo”, será quem receberá, doravante, dicas de como viver sob sua orientação e, ai se a pessoa aceitar, sempre, até o luto que esteja vivenciando, o neurótico, tende a ser superado e, um
      “novo neurótico, nascerá”, como vai fazendo uma das minhas irmãs com a maioria da “Irmandade”!

    2. Interessante estudo. Parabéns! Realmente temos muitos adultos que não se libertaram dos conflitos na infância. Muitas vezes prejudicando a sua vida com a família e também a sua vida profissional.

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