psicanálise e racismo

Psicanálise, Racismo Racial e Discriminação Cognitiva

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Hoje entenderemos juntos a relação entre psicanálise e racismo, continue a leitura e entenda mais.

Psicanálise e racismo

As pessoas de um modo geral, tanto no Brasil como no mundo inteiro, já ouviram falar do dia 21 de março que foi instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas), como o “Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial”. Essa data ficou consagrada por que no dia 21 de março de 1960, na África do Sul, 20 mil negros protestavam contra uma lei que limitava os lugares por onde eles podiam circular.

A manifestação era pacífica, mas tropas do Exército Federal e da Policia Nacional do governo de ‘apartheid’ que estava no poder de Estado, atiram contra a multidão gerando mortos e feridos. Foi um dia trágico para o planeta. Após esse evento traumático, numa toada meia que geral, vários países em cadeia e irmanados por redes de solidariedade fixaram datas em seus calendários e cronogramas nacionais visando reservar espaços de memória.

O Brasil que possui uma população afrodescendente muito grande, também, institui datas especiais. Foi instituído o Dia Nacional da Consciência Negra a ser celebrado, no Brasil, em 20 de novembro. Foi criado em 2003 como efeméride incluída no calendário escolar até ser oficialmente instituído em âmbito nacional por lei federal. E este ano houve uma reação mais forte no Brasil, pró-negros que de fato vinham sendo proscritos e evitados em vários setores.

Ainda sobre a psicanálise e racismo

Atores negros em novelas e filmes eram poucos. Idem na mídia. FFAA no Brasil melhorou a inclusão e promoções assim como várias empresas (organização). Houve a crítica contra o regime de cotas no país, mas mais ligado a questão da falta de base da pessoa que ingressava num curso forte sem ter passado por uma escola mais qualificada e enfrentar a complexidade e muitas vezes a intolerância de mestres que não raro, reprovam acadêmicos argumentando critica do modelo e falta de base, mas com forte racismo racial ocultado aliado a discriminação cognitiva encaixado nas premissas.

Pergunta que não quer se recusa e calar à luz da Psicanálise numa tentativa de interpretação do fenômeno: ‘Por que ainda ocorre isso quando já estamos numa transição para a pós-modernidade dos tempos líquidos?’ Será que a Filosofia Geral, a Sociologia Crítica, a Antropologia Cultural, a Medicina, a Psiquiatria, a Psicologia, a própria História, a Pedagogia e Ciências Políticas entre outros campos consagrados do saber humano não geraram uma teoria consistente de tudo isso ? Esta é pergunta que não quer calar.

Fato inconteste é que a ‘tez’ ou ‘a pele’ negra foi ideologizada. Isso é ponto pacífico pleno. Alguns pesquisadores da área médica e biológica e alguns analistas das áreas ‘psi’, se questionam em vários eventos, de onde surgiu essa ideologia funesta ? Quem será que foi o idealizador da ideologia no passado ?

História, psicanálise e racismo

Desde os tempo dos estudos de Charles Robert Darwin (1809-1882) muitos já sabem que a pessoa que possue pele ou tez negra é porque viveu em regiões quentes, de sol a pino. Isso escureceu a pele, mas levou séculos. Idem quem nasceu no Oriente com sol forte, o fenótipo e genótipo, configurou olhos mais puxados e fechados, mecanismo de defesa do filtro dos raios solares.

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É uma verdade cientifica segundo muitos pesquisadores que, exemplificando, comentam que pessoas do Sul do Brasil de origem italiana e alemã que vão morar no NE, Nordeste, seja por profissão ou opção ou mudança de perfil de vida, elas após residirem mais de 30 a 40 anos, mudam muito o fenótipo. Até o cabelo reage. Porque é o sol a pino que gera as mudança nas pessoas.

Essa conclusão é biológica plenamente constatável. Militares ingleses que serviam no Egito e Oriente Médio, no tempo dos combates com Turquia, eles regressavam totalmente diferentes. Tinham a tez (pele) mais queimada, lábios mais inchados, cabelos fora do padrão europeu, casavam-se com meninas da região gerando filhos com mudanças significativas no fenótipo e genótipo.

A cor da pele

O deserto era visto como o oceano dos árabes, falta água. O corpo se adapta. Lá eram eles que dominavam; os ingleses eram dos mares. Então, era impressionante as mudanças no biótipo, afetando o fenótipo (as características observáveis ou caracteres de um organismo ou população, como a morfologia, desenvolvimento, propriedades bioquímicas ou fisiológicas e comportamento) o que levou também com o tempo às alterações no genótipo, nos genes.

Os fatores ambientais da possível interação geraram efetivas mudanças. Isso prova que a discriminação do negro foi tão-somente ideológica. Porque é uma pessoa igual as demais em todos os lugares, sob todos os pontos de vistas. O que muda é apenas a cor da pele, o corpo negro ou amarelo. Os detratores dos negros que falavam em raça inferior e cérebro defasado foram ridicularizados.

Negros que foram para Grã Bretanha e se formaram engenheiros, médicos, militares, professores, entre outras artes e ofícios, foram excelentes profissionais. O racismo de cor de pele ou tez, ou seja, do corpo, foi ideológico para conseguir mão-de-obra barata ou sem custo algum. Tanto que o escravo era considerado máquina e ativo patrimonial na contabilidade dos escravagistas. E usavam estopa para roupas, sacos de lã tecida e a comida e galpões que chamavam de ‘senzala’ para às máquinas descansar e ser de novo usada.

Lixo humano, psicanálise e racismo

O tempo médio era calculado de 25 anos para ROI (Retorno do Investimento) do ‘senhor’ de engenhos. Depois o negro virou ativo permutável e foi comprado para ser empregado em atividades nas urbes. A comida era considera combustível ou energia como é a gasolina e o diesel hoje em dia. Na composição orgânica do capital o negro era lançado como capital fixo, e não variável, portanto ‘pro forma’, máquina. Quando um negro prendia o braço ao passar cana- de-açúcar no moedor, o feitor usava um facão e cortava o braço, deixando um coto.

E esse negro que era chamado de ‘estropiado’ era encaminhado para cidades e aproveitado como acendedor de lampião a noite nos postes de ruas ou era usado para vigiar casas a noite e gritar as horas, um tipo de olheiro e ganhava comida e uns trocos, réis. Era considerado máquina estragada jogada no lixo humano. Já haviam lugares onde os chamados ‘estropiados’ se reuniam porque precisavam sobreviver e ficavam no limbo. Tanto que castigos de amputação era terminantemente proibidos face o patrimônio, pois era ativo fixo vendível, anunciável em jornais. Alguns vendidos à prestação e com empréstimos de bancos.

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    Feitores aplicavam chibatadas com cintos lisos e molhados, ‘no lombo’ como diziam, para não estragar o couro, ocultar com saco de pano. O nº de marcas indicava o tipo de pena. Se tivesse mais de trinta cicatrizes era chamado de ‘fujão’. Foi uma verdadeira tragédia que os senhores de engenho e feitores fizeram com aval do governo que cedeu sob pressão imensa da Grã-Bretanha pelo fim da escravidão.

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    A liberdade

    Quando ocorreu liberdade legal, os negros foram proibidos de comprar terras pelo Congresso Nacional. Isso forçou o surgimento de cortiços e depois as favelas. Favela era no nome de uma planta dos morros muito bonita e depois passou a ter significado pejorativo de exclusão e local de pobreza e miséria, mazelas. Outros casos foram constados por pesquisadores, como estupros das meninas miscigenadas, que eram filhas ‘bastardas’ como diziam; os senhores que engravidavam escravas dentro de casa e não queriam saber de seus filhos com elas. Ignoravam ter netos.

    Muitas mulheres casadas com senhores ‘de respeito’ como chamavam os donos das produtoras agro com emprego de mão-de-obra escrava fingiam não saber nada da vida pregressa das negras violadas. O racismo racial foi muito grave, porém o pior racismo foi o cognitivo que ainda continua. Porque este racismo cognitivo ele não ficou atrelado a ideologia de cor de tez ou pele e pegou os corpos brancos, os amarelos, que são os índios e nivelou e alinhou com os negros libertos chamando-os de escória.

    Negaram o estudo para os escravos libertos e para os brancos das periferias a começar pelo eixo Rio-SP. A experiência dos Jesuítas (1549-1759) com indígenas foi interessante e anos depois desarticulada, porém, não era pujante a educação. Os índios eram após catequizados direcionados para mão-de- obra sem mobilidade social e sem direitos alguns. Os processos de resistências e o inconsciente das pessoas envolvidas na escravidão foram dolorosos.

    O perdão nacional, psicanálise e racismo

    Alguns pediram perdão nacional e até se suicidaram anos depois da abolição, outros passaram a laborar se dizentes abolicionistas confrontados pela ética na Europa. Porém, nunca abandonaram as teses do racismo cognitivo que continuou e recrudesceu e continua forte.

    Com a chegada da linha rentista monetarista meados de 1983, e o neodarwinismo social, o racismo e discriminação cognitiva agravou muito. E foi para o nível superior puxado por organizações que passaram a se inspirar no ‘BDS’, movimento Boicote, Desinvestimentos e Sanções, criado para combater Israel e que se capitalizou, entrando em vários países com suas teses adaptadas.

    Através do positivismo jurídico (lawfare) conseguiram fazer o rentismo monetarista e a prospecção empobrecendo cada vez mais as classes de renda. O grande caminho seria recapilarizar o país de novo desmontando os nichos, os feudos e segmentos blindados com uma democracia realmente garantista. Ainda prevalece o equívoco do mero legalismo e administrativísmo se apresentando como garantismo que não é pleno.

    Considerações finais sobre a psicanálise e racismo

    O racismo ‘racial’ vem aos poucos arrefecendo pela ação forte da mídia e processos legais incisivas ações das Defensorias e Promotorias Públicas que mexem com superegos, porém, o racismo e a discriminação cognitivos vem se aprofundando ´puxado e empurrado’ por pessoas de nível superior inclusive, algumas inconscientes, sem consciência crítica e outras ávidas por prospecção e arrecadação, lucros que revertem para si com taxas de administração ou gestões temerárias.

    O racismo e o preconceito cognitivo são o pior de todos os preconceitos porque fazem a acepção de pessoas e impõe o darwinismo social e o resto vem a reboque, que é acepção de pessoas pela aparência de roupas, local onde mora, estado civil, defeito físico, algumas patologias, discriminação sexual e de certas atividades e ofícios enfim.

    O desafio é desarticular, desmontar e destruir o racismo e preconceito cognitivo. Será um passo gigante se o Brasil vencer essa vertente.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira. Graduado com licenciatura em História e Filosofia. PG em Psicanálise. Realizando PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacológica; acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica. Contato via e-mail: [email protected]

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