Você sabe o que é racismo recreativo? Então, fique atento, pois nesse artigo falaremos sobre o significado e a origem. Confira!

Racismo Recreativo: significado, origem e o que fazer

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Você sabe o que é racismo recreativo? Então, fique atento, pois esse assunto é muito presente nos dias de hoje! Por isso, nesse artigo falaremos sobre o significado e a origem. Confira!

O que é racismo recreativo?

Para entender sobre esse assunto, vamos por partes. Assim, segundo o Dicio, recreativo siginifica algo que distrai. Ou seja, algum tipo de divertimento para nos entreter. Logo, podemos entender que programas de humor são recrativos. Nesse sentido, o mesmo acontece com os filmes e as séries.

Assim como apresentações de stand-up e tantos outros produtos da nossa cultura. Contudo, o problema se dá quando o divertimento usa o racismo como fonte. Sendo assim, muitas vezes são usados estereótipos para representar determinadas raças. Então, pense nas seguintes situações a seguir:

  • pessoas brancas fantasiadas de “Nega Maluca” no Carnaval;
  • o personagem Mussum como o típico bêbado;
  • a imagem da Globeleza como a mulher negra “exótica”;
  • a representação dos índios, como na novela Kubanacan;
  • as piadas sobre asiático ser “tudo igual”.

Esses são alguns exemplos que mostram o significado de racismo recreativo. Porém, podemos mostrar como ele faz parte das nossas vivências. Logo, era natural se divertir com esses tipos de personagens.

Entretanto, esse tipo de humor humilha as pessoas. Pois, seus traços são mostradas de forma ridícula. Portanto, as identidades raciais são rebaixadas.

Origem da expressão racismo recreativo

Sendo assim, a expressão surgiu com Adilson Moreira. Pois, em seu livro “Racismo recreativo”, que faz parte da Coleção Feminismos Plurais, ele trata sobre o assunto. Publicado em 2019, a obra traz o ponto de vista jurídico sobre o tema.

Isso porque, Adilson Moreira é doutor em Direito Constitucional e seu trabalho se dá na esfera do direito antidiscriminatório. Desse modo, ele atua na luta antirracista por meio dos casos de humor. Logo, seus ensinamentos são essenciais para a sociedade.

Pois, esse assunto não se destina apenas às pessoas não-brancas. Mas para toda a sociedade, a fim de conscientizar sobre os comportamentos racistas. Logo, é por isso que esse artigo também se faz necessário, para reflexão e mudança de atitudes.

As relações entre a Psicologia e o racismo recreativo

Dessa maneira, traremos as principais lições que Adilson Ribeiro traz em sua obra. Por isso, confira a seguir!

1. A psicologia social dos estereótipos

Os estereótipos são pontos centrais que Adilson Moreira toma em sua obra. Assim, o autor se vale da psicologia para explicá-los. Isso porque, “os estereótipos são falsas generalizações sobre membros de determinados segmentos sociais”.

Ademais, segundo o autor “eles possuem uma dimensão política, uma vez que são meios de legitimação de arranjos sociais e excludentes”. Ou seja, no caso de Mussum, foi criado uma falsa ideia de que os homens negros são álcoolatras.

Então, mesmo com traços semelhantes, as pessoas são múltiplas dentro dos grupos as quais pertencem. Assim, os grupos majoritários, em sua maioria brancos, reproduzem determinados estereótipos e moldam apenas um ponto de vista.

Portanto, tal comportamento mostra o quanto as generalizações são problemáticas. Logo, as estratificações sociais continuam as mesmas. Pois, há uma ideologia que sempre favorece a branquitude. E esta é colocada como superior aos demais.

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Afinal, são raros os momentos em que o humor traz aspectos positivos sobre a negritude. Aliás, somente o corpo exótico negro é algo admirado. Contudo, o que se percebe é a hipersexualização da identidade negra. Assim, não é à toa que a Globleza só aparecia no Carnaval. De resto, pessoas pretas sempre apareciam em papéis inferiores nas novelas e programas.

2. A psicologia social do humor

Para Adilson Moreira, o humor racista satisfaz a necessidade de diferenciação. Assim, as pessoas brancas sentem prazer em relação às pessoas “inferiores”. Desse modo, o autor cita Sigmund Freud para falar sobre a teoria psicanalítica do humor. Então,

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    ao representar o outro como um ser de menor estatura moral, como uma pessoa desprezível ou como um personagem cômico, nós alcançamos satisfação psicológica. Sendo assim, o humor hostil encobre nossa agressividade em relação ao outro. Ou seja, é uma forma de superar inibições sociais que condenam expressões públicas de desprezo e ódio.

    Ainda,

    Segundo Freud, o humor hostil permite que a pessoa possa satisfazer sua agressividade de forma benigna. Ele seria uma maneira de a pessoa produzir uma catarse psicológica: o humor permite a sublimação da energia psíquica que a pessoa investe na repressão de seus impulsos.

    3. O humor racista e seus mecanismos psicológicos

    Desse modo, o autor mostra que esse tipo de humor causa danos psicológicos às suas vítimas. Pois, como mencionamos, elas têm a sua moral degradada. Então, como resultado, também sofrem danos materiais por conta da percepção negativa que as pessoas têm delas.

    Assim, se há uma disseminação de que todo homem negro é colocado como o “malandro” ou o “bêbado”, logo essa é forma com que a sociedade passa a enxergá-los. Assim, muitos podem não ser classificados para determinada vaga de emprego, por exemplo. Portanto, percebe-se que há um ciclo vicioso, pois mantêm as pessoas excluídas.

    Nesse sentido, piadas racistas são um exemplo do amplo sistema de opressão desde à escravidão. Pois, elas funcionam como microagressões no dia a dia, trazendo significados nocivos para as suas vítimas.

    Racismo recreativo: o que fazer?

    Diante de tudo o que trouxemos até aqui, é importante destacar o que fazer diante do racismo recreativo. Assim, veja as orientações a seguir:

    • analise, de forma crítica, os conteúdos de humor que você consome;
    • não dissemine piadas racistas nas redes sociais;
    • questione a produção de conteúdos racistas para a diversão (e outras esferas);
    • estude sobre o assunto, lendo materiais de pessoas negras, orientais, indígenas etc.

    Crime de injúria racial

    Adilson Moreira chama a atenção para o crime de injúria racial. Segundo ele, essa é uma grande conquista, pois  havia uma estratégia para diminuir a gravidade da situação racial no Brasil. Isso porque diversos crimes de racismo ficavam apenas como injúria.

    Desse modo, a injúria racial se caracteriza como preconceituosa. Assim, as práticas desse tipo têm o potencial de promover a exclusão de pessoas que pertencem a certos grupos. Contudo, é o sistema Judiciário que interpreta e aplica essa norma. Ou seja, depende dele para que, de fato, tenha punições.

    Considerações finais

    Neste artigo, nós trouxemos os principais aspectos sobre uma forma de racismo. Assim, esperamos que esse conteúdo desperte a sua empatia. Pois, é por meio do conhecimento que podemos compreender o outro. Logo, o que pode ser engraçado para você, pode machucar outras pessoas.

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    Sendo assim, para saber mais sobre o racismo recreativo, faça nosso curso online de Psicanálise. Desse modo, você conhecerá as teorias sobre a mente humana. Portanto, não perca essa chance de transformar a sua vida. Por isso, inscreva-se agora mesmo!

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