responsabilidade emocional

O que é responsabilidade emocional

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Quando a gente pensa no termo “responsabilidade emocional“, em geral achamos que seja algo injusto. Afinal de contas, como a gente pode ser responsável pelo que o outro sente?

Ao fazer um análise dessa expressão por essa perspectiva, de fato parece algo pesado demais para carregar. Contudo, ter esse tipo de responsabilidade apenas significa que “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Você por acaso se lembra dessa citação?

A sábia raposa do pequeno príncipe é uma frase inesquecível sobre responsabilidade emocional

Veja que há uma grande diferença entre ser responsável pelo que o outro sente e ser responsável por aquilo que você mesmo cativou. Por muitas pessoas não conseguirem enxergar essa distinção é que a citação extraída do Pequeno Príncipe é tão mal-interpretada. No contexto da obra, ela surge em conjunto com uma outra reflexão da sábia raposinha com quem o protagonista se encontra. Leia o que ela diz mais abaixo:

Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo…

Após essa leitura, a gente gostaria que você focasse sua atenção em um trecho específico que vamos repetir a seguir: “Mas, se tu me cativas, nós teremos a necessidade um do outro“. Se quisermos usar uma linguagem mais coloquial para traduzir essa citação, o que a raposa está querendo dizer é que quando cativamos alguém, suscitamos expectativas nessa pessoa, mesmo que de forma involuntária.

O conceito de responsabilidade emocional

Agora que você está com isso na cabeça, fica mais fácil dizer o que de fato significa ter responsabilidade emocional. Em linhas gerais, é saber comunicar de maneira direta e franca suas intenções e expectativas ao se relacionar com qualquer pessoa. Por não sabermos como fazer isso de maneira adequada em muitas situações, a gente cativa expectativas com as quais não conseguimos lidar depois. 

Mais abaixo, trazemos exemplos do que pode acontecer quando um relacionamento é composto por pessoas que não construíram a responsabilidade emocional. No entanto, vamos falar também sobre como pessoas sensatas conseguem resolver os conflitos oriundos da falta de responsabilidade. Portanto, confira!

A responsabilidade na amizade

Para começar nossa lista de exemplos e contextos, que tal partir de algo tão simples quanto a amizade? Bom, talvez você não saiba, mas quando se trata de responsabilidade emocional, a amizade é palco para conflitos sérios. Ora, amigos entram em brigas e desavenças pelas razões entre as mais simples e mais complexas.

Veja o caso de duas pessoas que começam a trabalhar no mesmo setor de uma empresa no mesmo dia. Ambas se aproximam uma da outra pelo contexto em que estão inseridas, até mesmo pelo fato de terem começado a trabalhar juntas. Contudo, quando falamos em promoções e competitividade no ambiente de trabalho, muitas amizades acabam prejudicadas.

Nesse tipo de local, conceitos como lealdade são mais frouxos para uns que para outros. Assim, para algumas pessoas, ver que o colega de trabalho tinha uma estratégia de crescimento não compartilhada parece falta de lealdade. No entanto, não é responsabilidade de um amigo contar tudo o que faz e planeja para o outro. Contudo, faz uma diferença enorme ser franco sobre sua ética de trabalho, ainda que envolva ações discretas.

A temida friendzone

Por outro lado, ao sair do ambiente de trabalho, há um outro contexto em que amizades podem ficar estremecidas. Fora daquele clichê de que homem e mulher não podem ser amigos, é necessário notar que nos relacionamentos, uma parte pode acabar mais envolvida do que a outra de forma sentimental. Uns dizem que o amigo apaixonado “confundiu as coisas” ou que “acabou com a amizade por conta do sentimento”.

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No entanto, é importante ver o sentimento do amor como uma consequência natural do relacionamento entre duas pessoas. Se apaixonar não é motivo para culpa, até mesmo porque o relacionamento não precisa se transformar por conta disso. No entanto, uma vez que se descobre o sentimento, a parte não interessada deve agir com responsabilidade emocional ao expressar seus sentimentos com clareza.

Caso você não queira se envolver de forma mais séria, fale. Não use a desculpa de que está com medo de ferir os sentimentos da outra pessoa como desculpa para continuar cativando algo que não vai acontecer. Como diria a raposa, você é responsável pelo que você cativa. Apenas isso. Assim, se o outro vai ficar com raiva, triste ou desiludido, isso jamais vai ser culpa sua. Seja franco, direto e sensível ao comunicar a verdade.

Como ter responsabilidade emocional no relacionamento amoroso

Agora, vamos dizer que você tenha de fato se envolvido de forma amorosa com uma pessoa. Isso não significa que a necessidade de ter responsabilidade emocional parou de existir. Na realidade, nesse contexto é que ela se faz mais necessária, pois o desconhecimento sobre os limites de cada um é imprescindível para o relacionamento funcionar. 

Em nossos textos aqui no blog a gente frisou muitas vezes a necessidade de que os relacionamentos sejam construídos com base em comunicação. Afinal, quando as conversas acontecem de maneira sensível e direta, não é muito difícil resolver problemas na relação. Ademais, quando cada parte envolvida conhece as próprias necessidades e está flexível para abrir espaço para a necessidade do outro, tudo fica ainda mais fácil.

Nesse contexto, a gente ressalta que ninguém tem a responsabilidade emocional de satisfazer todas as necessidades da pessoa com quem está envolvido. Sobretudo se as suas necessidades não são levadas em consideração. O que a outra pessoa diz precisar pode ser muito injusto e é dessa injustiça que nascem os assédios, abusos e traumas. Assim, não se sinta obrigado a satisfazer algo que sente ser injusto e parcial.

Situações em que é necessário colocar limites para a responsabilidade emocional em qualquer relacionamento

Como a gente já disse mais acima, a sua responsabilidade está no que você cativa. Assim:

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



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    • se você dá margem para a interpretação de que está apaixonado por alguém quando não está, você faltou com responsabilidade emocional;
    • por outro lado, quando seu parceiro quer que você visite a família dele toda semana quando você também tem uma família a quem visitar, você não precisa atender esse pedido. Não é sua responsabilidade.

    Assim sendo, é importante colocar limites no relacionamento porque ninguém pode ser responsável por tudo. Ao comunicar suas necessidades e ouvir as da outra pessoa, estabeleçam em conjunto o que é bom senso. Caso não consigam fazer esse acordo sozinhos, é aceitável conversar com um terapeuta sobre isso. Melhor ainda é que a terapia seja feita com o casal e não apenas com uma das partes envolvidas.

    Considerações finais sobre responsabilidade emocional

    No texto de hoje, você teve acesso a uma discussão sobre responsabilidade emocional, com exemplos e ponderações relevantes. Contudo, para aprender ainda mais sobre o tema e aperfeiçoar seus relacionamentos, faça o nosso curso 100% online de Psicanálise Clínica. Além de aproveitar as aplicações na sua vida pessoal, sua atuação profissional também se beneficia com uma formação extra. Aproveite! 

    3 thoughts on “O que é responsabilidade emocional

    1. Interessante os artigos pública dos na sua website. Descobri a sua site por acaso quando estava procurando um topic sobre responsabilidade emocional. Sou psicólogo nos Estados Unidos. Apesar dos meus clientes serem 95% americanos, e bom saber que existe websites como psicanáliseclinica.com

      1. Acredito que responsabilidade emocional e importante lembrarmos que conhecer os limites de cada um e importante. Também penso que não somos responsáveis pela maneira que uma pessoa percebe o mundo ao seu redor. Respeitar os sentimentos de um e outro e um dever.

    2. Importantíssimo esse tema, que me faz lembrar com empatia e cidadania, que fala sobre o outro e como devemos respeitar o espaço, respeitar e nos colocar no lugar. Não quero jamais ser prepotente mais, estas “palavras” elas deveriam ser normais utilizadas cotidianamente, mais se tornaram qualidades, e já sabemos que a maioria de nossos temos e usamos bem pouco,

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