Terceira idade: 5 lições da Psicanálise sobre envelhecer

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A velhice é olhada atualmente como a etapa final de nossa vida, onde cada esforço é desconsiderado como atitude produtiva. Infelizmente, isso retrata a percepção pobre de um grupo, limitando toda a potencialidade que os idosos podem ter. Veja como a terceira idade é observada com a ajuda da Psicanálise.

1. A visão de Freud e a realidade atual

Vamos começar este texto com uma curiosidade! Você sabia que, em seu ofício, Freud desaconselhava totalmente a Psicanálise para pessoas com mais de 50 anos? Isso porque, segundo ele, não era possível regressar à infância do paciente por conta da idade. As lembranças e experiências eram vistas como um borrão para esse grupo. Nota-se que já aí a associação com a incapacidade já era bem enraizada.

Por causa do esforço que era exigido na psicoterapia, Freud acreditava que a psicoterapia não tinha valor aqui. Entretanto, parece que ele ignorou um dado importante: a terceira idade estava vivendo mais. Ademais, não era a idade física que contava, mas, sim, a idade da neurose do paciente.

Freud era o maior exemplo de que sua crença era bastante infundada, já que trabalhou até o fim da vida. Basicamente, ele condensa o retrato de muitos idosos que permanecem ativos e produtivos. Seja por necessidade ou por puro prazer, a terceira idade se mostra como uma força de trabalho crescente e relevante.

2. O conceito de manto da velhice

Precisamos ter em mente que a terceira idade não se trata apenas de um estado cronológico. Ela também possui categoria social, sendo vista como ponto de referência para consulta. Claro, isso depende diretamente da cultura que é alimentada dentro de uma região. Quanto mais evoluído um círculo social, mais um idoso passa a ser valorizado.

Isso fica visível nos tempos passados, onde o idoso era visto e considerado como um sábio. Sua vida servia como o centro de experiências e vivências que condensam um conhecimento amplo da vida. Entretanto, isso não permanece tão facilmente no imaginário dos dias atuais. Os idosos são vistos como incapazes, dependentes e sem condições independentes.

Por causa dessa visão, se originava uma crise muito aparente da identidade do sujeito. Assim, os idosos passaram a se sentirem diminuídos e desvalorizados e, infelizmente, com razão. É bastante evidente a rejeição proposta diariamente pela sociedade. Mesmo assim, a população idosa continua a aumentar a sua expectativa de vida.

3. Alguns empecilhos para os membros da terceira idade

A terceira idade é tão repudiada pelas pessoas por conta da situação comum que os idosos vivem. O corpo envelhece e não continua tão flexível, jovial ou disposto como se espera. Por isso que muitos investem em tratamentos e intervenções para dar conta da autoestima nessa época. A ideia é fazer de tudo para evitar:

Limitação física

Como dito acima, o corpo envelhece de forma gradual e natural. O problema é que isso aterroriza a muitas pessoas, fazendo com que pensem em perder a sua independência. Infelizmente, até por sua história de vida, muitos idosos acabam mergulhando de verdade em uma vida desgastante  e isolada.

Doenças

Com o tempo, a nossa imunidade natural acaba se esvaindo, permitindo com que as doenças se aproximem. Isso vai desde um simples resfriado até formas mais graves de câncer, dependendo do sexo. Para os homens, por exemplo, o câncer de próstata é um perigo iminente, enquanto para as mulheres surge a preocupação com o câncer de mama. Isso sem contar os males comuns da idade, como osteoporose.

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Atividades sociais em declínio

À medida em que envelhecem, muitas pessoas acabam se conformando com um movimento natural de reclusão. Isso porque o mercado de trabalho passa a recusar veementemente sua participação laboral e muitas pessoas se aposentam. Nesse contexto, algumas pequenas crises são construídas, como a perda de libido. Para alguns, até os eventos sociais perdem lugar.

4. A importância da psicoterapia

A psicoterapia possui valia extrema quando chegamos até a terceira idade. Nessa altura da vida, olhamos para trás e fazemos um balanço de tudo aquilo que realizamos. Para alguns, infelizmente, pode ser motivo de tristeza, visto que carregam arrependimentos em seu interior. Contudo, assim que passam pela psicoterapia, essas pessoas podem:

Reaprender

A velhice pode ser um obstáculo por si só à própria vida. Nem todas as pessoas conseguem responder de forma adequada às limitações existentes em seus corpos. Com a terapia, você reaprenderá a ser você mesmo, mas descobrindo novas potencialidades e habilidades. Ademais, cabe um conselho: respeite os seus limites atuais.

Adaptar

Caso não acredite que se encaixa em uma posição, tente outra até conseguir. A ideia é que aprenda a se adaptar com tudo o que é novo ao momento. Por tanto tempo de vida, nos acostumamos a agir e a pensar em um determinado padrão. Quando se chega tão longe, é preciso ser flexível e moldável.

Libertar-se

Ao longo do tempo também acabamos criando normas pouco ajustáveis aos novos padrões. Isso dá margem para que acabemos ficando em uma zona de conforto bastante limitada. A psicoterapia intervém para nos libertar de amarras auto impostas e bastante minimizantes. A construção é feita de dentro para fora.


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5. A segunda adolescência

Quando pensarmos na terceira idade, devemos vê-la como uma espécie de segunda adolescência. Nosso corpo está mudando, bem como nossa mente e a nossa vida. Deixamos de ser alguém para nos tornamos uma nova pessoa. Ainda que as mudanças ocorram diariamente, apenas percebemos elas conforme vamos navegando por suas fases.

Assim, a terceira idade vem para fazermos balanços de nossas vidas, bem como as realizações que alcançamos. Dessa forma, o indivíduo se permite fazer questionamentos a respeito do que já foi feito e do que pode se fazer agora. Para evitar desconfortos, a psicoterapia serve de auxílio e até amparo para alguns. A compreensão de quem se foi e de quem se é agora fica melhor conectada.

Comentários finais sobre a psicanálise e a terceira idade

A terceira idade precisa perder de vez a posição inválida ao qual foi alocada. Cada vez mais os idosos têm mostrado a sua capacidade de autossuficiência, dando conta de desafios difíceis a qualquer jovem. Neste caso, a sua experiência é o que conta, possibilitando uma base necessária a cada situação.

Entretanto, também é preciso que haja flexibilidade na hora de encarar novos tempos na vida. A realidade muda de forma constante e sem parar. Não só os idosos, mas toda a sociedade também precisa fazer uma adequação. Cada geração tem algo a contribuir e a troca contínua é benéfica para ambos.

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