Tragédia Grega: Impactos nos relacionamentos

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A Tragédia Grega, “Medéia” é um escrito de Eurípedes, um dos grandes dramaturgos da tragédia grega, clássica, que tem como evidência trazer um pano de fundo das tragédias humanas que todos temos no nosso cotidiano.

Fortalecendo a descoberta de situações pertinentes na alma de cada um de nós em diversos momentos nas nossas relações, principalmente na relação familiar de pais e filhos.

Euripedes trás um repertório no qual nos remete a situação, que impacta em um convívio em sociedade comum, mas que pode gerar situações trágicas e traumáticas em todos aqueles que estão envolvidos.

Principalmente de forma direta ou indiretamente com filhos e suas relações paternais.

A Moeda de Troca

Na exposição da Tragédia Medeia temos uma mulher desafortunada pelo fim de seu relacionamento com o pai de duas crianças que tivera com Jasão, sendo que este a trai e passa a conviver com uma outra mulher.

No caso uma princesa, filha do rei Creonte.

Sendo que por trás dessa investida de Jasão a ideia é se manter seguro no palácio real e ter uma sucessão régia junto a esta filha de Creonte.

Com isso, com a consumação da traição feita por este, Medéia se vê diante de um quadro de frustração.

Sendo que essa roupagem desta tragédia pode nos remeter a inúmeros casos de realidade de traição em que muitas das vezes os filhos, caso haja, passam a ser vistos em determinados momentos como ‘moeda de troca’.

A Vingança na Tragédia Grega

O que repercute de forma negativa, pois esses rebentos podem em dados momentos também trazer consigo uma série de traumas e bloqueios devido esse convívio não desejado.

Devemos levar em consideração que toda pessoa em relacionamento pode adquirir uma série de situações e sentimentos que podem gerar inúmeras consequências.

E muitas das vezes atinge de modo central os filhos do relacionamento.

O caso tipico de Medéia que não aceita o fim do relacionamento, mas muito mais que isso, não aceita ser trocada por outra mulher é situação corriqueira nas relações amorosas.

E com isso, percebe-se um desejo de vingança, mas não uma vingança contra o próprio homem que até então ocupava a centralidade do relacionamento do casal, mas sim os filhos.

Inseguranças

Em sentido trágico e fatal onde Medéia arquiteta e orquestra o fim dos frutos do relacionamento dela com Jasão: os filhos.

Ao tomar essa decisão fatídica, certamente Medéia expõe sua insegurança pelo fim do relacionamento.

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Caracterizando assim, aquilo que deveria ser solucionado entre ambos, se torna um pano de fundo mórbido, a eliminação da prole.

Essa condição demonstra que em dados momentos cada um em seus respectivos relacionamentos deve ter uma visão assertiva sobre os filhos e não apenas os enxergar como um fardo.

Onde pode ser trocado e movido a bel prazer quando o casal já não se entende mais.

Se faz necessário ter essa percepção da ideia de que cada relacionamento é um novo ideal de vida que irá ser somado em novas experiências, sejam elas boas ou não.

Ponderações

Mas, o que não se pode conceber dentro de uma sociedade racionalizada é envolver os filhos de uma vida a dois em um caos mórbido.

Dentro da visão psicanalítica, devemos levar em consideração da necessidade de se haver uma intensificação em terapias.

Pois, de fato as controvérsias em um relacionamento a dois são óbvias, devido ser preciso levar em consideração toda uma diferença de pensamento e personalidade.

Não acreditar ou achar que nestes casos, de forma primária que o casamento se engaja em uma realidade tipicamente de intimidades, desvinculando a realidade de cada pessoa tem suas particularidades.

E estas, caso não sejam revistas podem criar inúmeras rupturas.

Na obra de Eurípedes nota-se a figura do Corifeu, alguém que entra em cena para levantar certos questionamentos.

Em Busca de Ajuda

Em sua maior parte em Medéia, mas focando também no esposo que quer se desvincular do seu casamento.

Essa figura do Corifeu, podemos sim relacionar tipicamente à figura de um psicanalista.

Que vai tecendo suas abordagens das situações apresentadas, para poder apresentar um parecer mais lógico, fugindo do emocional.

Apresentando a necessidade de um uso correto da razão e não da irracionalidade ou dos sentimentalismos.

Onde todos possuímos e que de certa monta acabam por desconfigurar uma potencial melhoria no relacionamento.

A necessidade nos tempos atuais de se haver também as terapias de casais é enorme.

Essa vertente tão límpida não pode mais ser desconsiderada, levando-se em conta que toda a pessoa trás consigo muitas realidades que não foram bem trabalhadas no passado.

Não se deve fantasiar essa realidade da terapia psicanalítica, pois ela vai mostrando alguns preconceitos quanto a essa clínica.

Autodescobertas

Muitos pensam que precisam de terapia apenas quando se tem problemas, o que não é verdade.

Diversos casos de problemas de casamentos vão se construindo com o passar dos anos e não de rompantes relâmpago.

Quando olhamos para a tragédia exposta por Eurípedes, podemos perceber que toda essa abordagem se dá em uma construção, ou seja, que cada pessoa, pode sim no seu interior esconder situações ou realidades não trabalhadas.

Seja no seu subconsciente ou no seu inconsciente, mas que de fato nesse processo se realiza uma enorme explosão de sentimentos e valores.

Muitas das vezes não aprofundados ou trabalhados no desenvolvimento da pessoa e sua personalidade.

Diálogo

Até porque não sabemos de fato quem estamos acolhendo na nossa vida e também termos a percepção que a relação amorosa não se constrói meramente de projetos estruturados materialmente.

Mentalmentne ambos precisam ter a sua história exposta um ao outro.

O que de certo modo pode não acontecer em tempos tão líquidos, parafraseando Zygmunt Bauman.

Com isso esse vazio relacional vai sendo carregado, como um fardo, até a explosão em tragédias, seja na própria agressão do casal, seja, como no caso de Medeia, ao fim trágico dos filhos.

É preciso levar em consideração que no tipo de sociedade volátil e instantânea em que estamos vivenciando.

Poderemos observar essa fragilidade nas relações e nas incertezas que podem impactar direta ou indiretamente na vida do casal.

Observamos também que em dados relacionados a violência e imposição se tornaram banalizadas.

E com isso, ocasionam brigas, mágos e não tentataram o diálogo a fim de resolver.

Dinâmica Tragédia Grega

A execução de situações más estão sempre no se impor e com isso, há uma ruptura.

Devido a essas fragilidades relacionais passam a ser frequentes e até repetidas por diversos indivíduos.

Levando também em consideração esta apatia no equilíbrio das conversas de casais e a visão anômica em que em dados momentos nos encontramos.

Logo, devemos considerar que esta tragédia escrita por Eurípides tem muito a nos falar nestes tempos, tem muito a revelar a cada pessoa.

Principalmente àqueles que são casados ou pretendem se casar um dia, para que tenham em mente que todo ser humano traz consigo uma história.

Pode ter uma desconfiguração do Eu, que cada um de nós possui gerando seres fragmentados que precisam de forma contínua de terapia e alguém que os ouça e entenda, sejam sozinhos ou o próprio casal.

Entendendo e respeitando a dinâmica de cada um é que se consegue chegar em uma harmonia.

Este artigo foi desenvolvido através do Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Psicanálise Clínica do aluno Anderson

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