Desejo: Como nasce a busca que nos move?

Desejo: Como nasce a busca que nos move?

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Como se dá o primeiro contato com o desejo?

O primeiro contato, que por muitas vezes, mais comumente se dá com a mãe, que ao suprir rapidamente às necessidades expressas por através do choro de sofreguidão da criança.

Levando-a ao peito, embalado ao afeto, amor e cuidado, passa nesse exato momento mesmo que sem o entendimento muito além do suprimento de uma necessidade.

Essa mãe apresenta à criança os primeiros passos do desejo que se fará presente durante toda a vida da sua prole.

Início do Desejar

Ao nascer, já segue aos instintos da necessidade, e mesmo sem ser ensinado já nasce impulsionado a deixar-se reger naturalmente ao desejante em busca de suprir suas carências, através do choro.

A partir desse primeiro contato, tendo a sua necessidade sanada, digamos que um click inconsciente por através da sensibilidade do tato, é acionado.

Uma percepção que além da alimentação, ele ganha o afeto, o reconhecimento de prioridade, a vaidade de desejo de seus pais.

Não é mais só sobre a momento de alimentar-se, mas é o momento de contato afetuoso, de fortalecimento de laços, de vínculo com esse ser que passa a ser o seu GRANDE OUTRO.

O que lhe sana, provê, cuida e proporciona sensações, sentimentos e lhe leva ao ponto principal da importância.

Desejos e Necessidades

Com o passar dos meses e primeiros anos essa criança que agora já não é mais um recém nato.

Começa a viver o conflito, pois percebe que só chorando ela não está mais recebendo o combo perfeito que outrora ela recebia apenas por chorar.

Ela desconhece essa nova etapa, sente-se perdendo o reconhecimento de ponto principal na vida de seus pais, figuras ilustres em sua vida.

Então ela precisa aprender a refinar seu método de demandar, suas necessidades agora começam a fundir-se com um sentimento que ela não sabe bem como expressar, começa a sentir desejos, desejos de quê?

De alimentar- se, banhar-se, etc…? Não, não, isso são suas necessidades.

Agora, esse indivíduo começa a fazer parte da busca que vai além, além até do que ele consegue se expressar, ganhar alimento, um doce.

O Outro

Ser mantido limpo já não é suficiente, ele quer o que ganhava sem precisar demandar, quer sentir aquela sensação proporcionada, sensação de viver e receber aquilo o qual ela sequer foi instruída ou ensinada do que se tratava.

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Contudo, foi tão magnifico, que é exatamente o que se torna seu desejo oculto.

Por nunca ter pedido, e mesmo assim ter recebido, ele não sabe o que pedir e de que forma pedir, mas precisa buscar afim de saciar-se novamente.

Preencher-se!

Esse desejo é desconhecido, é conflitante, é regido ao OUTRO, que nele se é canalizado toda sua descarga de pulsão, é movido ao objeto de desejo.

Mesmo que sem objeto definido, não se pode reter a tentativa de realização e satisfação desse desejo.

Precisa-se fluir ao desejante, pois inexplicavelmente é nele enxergado a responsabilidade e possibilidade de satisfação, de completude, de preenchimento.

A Identificação

Nele, é enxergado o fornecimento primordiais de vida.

Pondo agora esse OUTRO o reconhecimento de seus desejos, contudo não se sabe identificar quais desejos são esses, como já dito ele não aprendeu a demandar àquilo que recebeu lá no início.

Devido a isso, nunca se satisfaz, não se preenche.

A corrida continua intensificando-se cada vez mais, a busca da conquista, da completude torna-se ainda mais difícil, pois quanto mais se quer, menos se têm.

Isso gera conflito, aliás tudo que se quer é receber novamente todo o combo que recebia antes.

Sem muitos esforços, nunca se saberá o que é tão procurado com tanto ímpeto, o que é de fato tão desejado, mas não se consegue abandonar a busca.

O processo continua. E é nesse momento de busca pelo desconhecido, que os seus principais significantes (pais) se tornam a ponte, a ligação do que mesmo entre linhas com o que se deseja.

Desejo de Ser Amado

Deseja-se inconscientemente ser desejado, ser amado, ser reconhecido, receber cuidados, afagos, afetos, atenção, importância, defesa e tantas outras coisas.

Sentimentos esses transmitidos sem serem pedidos, o carinho e o desejo transmitido a esse indivíduo ainda em formação, e recém-nascido, desenvolve nele uma constante carência.

Pois, ao começar seu processo de crescimento, à vida adulta, fará parte da subjetividade querer retornar a esse contato de sentimento puro ofertado sem ser pedido.

Não é de interesse, ou pretensão enxovalhar ou desonrar a importância dos pais na formação do indivíduo, haja vista que são eles o primeiro contato com o mundo para essa criança.

Fases da Vida

São eles, as figuram necessárias que conduziram a essa criança a passar por seus processos/fases: Oral, Anal, Fálica, Latência e Genital.

São eles o arcabouço desse novo mundo, podendo ser indizivelmente positivo ou infelizmente negativo e por entregar à sociedade indivíduos, que facultam de um bom estado emocional.

Indivíduos que passaram por suas fases de forma saudável, sendo orientados e tendo seu tempo de aprendizagem respeitado, que através disso conseguem conviver e respeitar tanto a si mesmo.

Assim como respeitar ao outro, ou indivíduos traumatizados e destruídos por uma dor passada, pelo abandono, pelo abuso, etc…

Tanto positivamente quanto negativamente todo indivíduo é abastado de desejos.

Afetos e Desejos

Porém, se esses desejos serão uma busca por revivência de um afeto já vivido, ou se será uma busca desesperada por um afeto negado, mediante a necessidades não atendidas e demandas reprimidas.

Isso dependerá tanto e principalmente da presença positiva de seus principais primeiros significantes, do meio que lhe ajudará quanto à formação de sua subjetividade.

Ou também dependerá da presença negativa de pais adoecidos, negligentes e abusivos, ou do grau de trauma causado pelo abandono e acesso negado ao primeiro amor.

Sob esta ótica, demonstra a importância do cuidado emocional necessita iniciar com os pais.

Este artigo foi desenvolvido através do Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Psicanálise Clínica da aluna Natacha Rosa.

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