abuso sexual na infância

Violência e abuso sexual na infância.

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Uma das descobertas mais importantes realizada por Freud além de estudos que nos permite entender sobre o abuso sexual na infância, no início do século XX, através dos seus estudos, foi a comprovação de que os seres humanos possuem pulsões sexuais desde o nascimento. Trata-se de uma contribuição importante, tendo assim um ponto de partida para o estudo teórico e científico da sexualidade humana.

Desenvolvimento sexual e o abuso sexual na infância

Ao estudar odesenvolvimento sexual infantil (1905), Freud afirma que as crianças têm fantasias, desejos e expressões sexuais. Por óbvio, essa sexualidade infantil é muito diferente da adulta devido à imaturidade física, emocional e intelectual das crianças. A criança passa a descobrir seu corpo e a sentir as primeiras sensações de prazer com determinados estímulos.

Mas o seu desenvolvimento, segurança, preservação física, psíquica estão ligados às regras de parentesco, que deve ser ensinada à criança desde pequena, que relações sexuais não podem acontecer com pai, mãe ou outros membros da família. A criança consegue aceitar a lei e a cultura graças ao cumprimento dessa proibição. Ao viver em sociedade, a criança vai adquirindo habilidades para uma vida saudável, e aprendendo a respeitar os limites do que é permitido. Esse é o processo normal e benéfico para o desenvolvimento dela.

O que acontece quando esses limites são quebrados por quem deveria ensinar, cuidar das regras? O mundo da criança se transforma em um caos, e o que era para ter sentido acaba tornando-se confuso. A cadeia de proteção não existe mais, essa criança irá se sentir culpada e envergonhada, apesar de não saber o porquê. Salientamos que o abuso sexual de crianças se configura quando ocorre o contato sexual entre um adulto e um menor de idade, consentido ou não. Se ocorrer o contato entre duas crianças, cuja diferença de idade seja de três anos, nesse caso também é contato sexual.

O trauma do abuso sexual na infância

Maus-tratos na infância, dentre eles o abuso sexual, é considerado como um grave problema de saúde pública. É um tema complexo em decorrência da frequência de casos e das consequências negativas e traumáticas tanto para vítima quanto para a sua família. De certa forma, somos uma sociedade de cegos, mudos e surdos. As famílias têm muita dificuldade em enfrentar esse problema. Preferimos ignorar, diminuir sua importância, ou negamos totalmente.

Muitas vezes, mesmo com boa vontade, propomos às vítimas “soluções” que agravam o trauma sofrido. Freud dizia que existem três coisas no ser humano que não sumiriam: canibalismo, incesto e ânsia de matar. Das três, canibalismo foi a única que diminuiu acentuadamente. Infelizmente a outras duas ainda continuam sendo um mal no mundo. As culturas tentam abolir o incesto, ou seja, as relações sexuais entre familiares consanguíneos, que é uma violação de direitos e da intimidade que atinge os mais variados grupos sociais, bem como faixa etária e gênero.

Esses crimes acontecem em qualquer lugar. É sabido que o violador pode ser uma pessoa próxima da família, mas, infelizmente, a porcentagem mais alta de abusos sexuais de menores geralmente envolve pai ou padrasto contra filhas ou enteadas. Os meninos também sofrem abusos, mas em número menor. Em nosso país temos estatísticas terríveis em relação ao abuso sexual. Três crianças ou adolescentes no Brasil, a cada hora, sofrem abuso.

O cuidado com a nossa mente

Conforme levantamento feito através do Disque 100, ocorreram 95,2 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes no ano de 2020. Em 2021 somente nos primeiros cinco meses, já foram registradas 6.091 denúncias. Nossa sociedade está enferma, bestializada. Precisamos cuidar da nossa mente, do nosso bem-estar, de nossas crianças. Os números não param de crescer, infelizmente.

Prejuízos emocionais

Os prejuízos são enormes, incalculáveis, e essa criança devastada por uma situação de abuso vai apresentar dificuldades extremas em sua relação com o mundo, bem como com suas relações afetivas.

Trata-se de uma experiência traumática na vida da criança, sua vida irá mudar completamente, podendo ocorrer gravidez indesejada; doenças sexualmente transmissíveis; sua psique será transformada; ocorrência de sentimentos como medo,submissão, pavor; na vida adulta poderá sentir raiva do próprio corpo, culpa; esse sentimento pode se manifestar em comportamentos graves no futuro como a autoflagelação, medo da morte, solidão, vergonha, ansiedade, isolamento social além de baixa autoestima.

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A vítima torna-se vulnerável, também, a outros tipos de violência como transtornos sexuais, drogas, estresse pós-traumático, depressão, suicídio, problemas familiares e sociais, abandono dos estudos, perda do emprego, separação conjugal, abandono do lar, e outras. Em decorrência dos traumas, sejam eles físicos, mentais, emocionais, a vítima, infelizmente, poderá necessitar de tratamento pelo resto da vida.

Sinais do abuso sexual na infância: Mudança de comportamento

Mudança no padrão de comportamento das crianças costuma ocorrer de maneira repentina e brusca. Alteração extrema no humor (introversão/agressividade); alteração nos estudos, como falta de concentração, preferindo não participar das atividades, sejam em grupo ou individuais, alteração na alimentação e no modo de se vestir; variações no padrão de sono da criança, que podem indicar que algo não anda bem, pesadelos frequentes, medo de dormir ou de ficar sozinha.

Identificar quando ocorre proximidade excessiva de pessoas ligadas ou não a família. A supervisão da família é fundamental nesses casos. O abusador envolve a criança até ganhar sua confiança e fazer com que ela não conte. O abusador geralmente não é um desconhecido, ocorre justamente o contrário, geralmente são pessoas próximas, que têm com a criança uma relação de afeto.

Regressão

A criança passa a desenvolver comportamento infantilizado, que já havia abandonado (urinar na cama, chupar o dedo, chorar sem motivo). Ela passa a ficar só, perde a confiança nos amigos, foge dos contatos físicos.

Silêncio e sexualidade

A criança sofre ameaças do abusador para manter o silêncio, que pode vir em forma de violência física, chantagens, presentes, dinheiro também pode ser oferecido. A criança precisa ser orientada que não pode ter segredos com adultos ou crianças mais velhas do que ela.

Ela precisa compartilhar esses assuntos com adultos de confiança, como a mãe ou o pai. Através de uma brincadeira a criança pode expressar sinais de que esteja passando por uma situação de abuso, ela pode, por exemplo, desenhar figuras que se assemelham com órgãos genitais, querer realizar brincadeiras de cunho sexual, ao invés de abraçar um familiar, a criança prefere beijar, acariciar onde não deveria, passa a falar palavras no meio familiar diferentes quando se refere às partes íntimas.

Negligência, Papel dos profissionais em relação ao abuso sexual na infância

A criança fica vulnerável quando passa horas sem supervisão ou sem o apoio emocional da família. A negligência é um tipo de maus tratos que acompanha sempre o abuso sexual em casa.

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    Os profissionais precisam estar preparados para receber esses pacientes, o sentimento de culpa gerado na vítima não pode impedir o tratamento ou mesmo a denúncia do abusador.

    A família, muitas vezes, tem medo de denunciar, a mãe prefere esconder, manter em sigilo, por medo de perder o provedor da casa (pai ou padrasto). Medo da violência, perdas, represália, mas a omissão traz as piores consequências, além da criança, continuar a sofrer.

    Conclusão

    A psicanálise pode ser uma saída, é preciso conscientizar o analisando que nada pode justificar o assédio ou qualquer outro tipo de violência sexual. No trabalho clínico, a vítima tem a oportunidade de falar sobre a experiência vivida e nesse processo permite que as lembranças traumáticas fiquem para trás, abrindo novas possibilidades para ressignificar sentimentos e seguir a vida de maneira mais leve.

    O presente artigo foi escrito por Denise Cristina Bento Fernandes([email protected]). Historiadora.

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