abuso sexual

A cultura do abuso sexual

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A questão da cultura do abuso sexual, é um tema que vem sendo amplamente discutido na sociedade e na mídia atualmente. Diversos relatos são trazidos pelos noticiários todos os dias.

O que se observa em muitos casos, é que de um lado está o abusador; geralmente em uma posição social superior; e do outro lado a vítima, em posição de subordinação.

Entendendo sobre a cultura do abuso sexual

No Brasil, existem muitos relatos de que o perfil dos abusadores são normalmente homens: líderes religiosos, padres, pastores, médicos, enfermeiros, professores, gerentes ou chefes diretos. Contudo, muitos abusos não partem de terceiros, como citado acima, mas são praticados por pessoas do próprio núcleo familiar, como pais, tios e irmãos.

O que se observa em geral, é que a vítima está na maioria dos casos submetida emocionalmente ou socialmente, e são coagidas ou ameaçadas com violência. A violência doméstica e o abuso sexual normalmente andam juntos, e são claramente um problema na sociedade atual. São temas complexos e difíceis de serem abordados em sua totalidade.

Sendo assim, se torna extremamente complicado, tanto para a vítima, quanto para a família, o processo de reconhecimento e a denúncia desse tipo de violência. O argumento da maioria dos abusadores, é que a vítima “deu mole”, “provocou com a roupa”, ou deu “sinais” de que queria algo, tentam assim inventar pretextos para o consentimento.

Fatores do abuso sexual

Esses fatos sempre ocorreram na sociedade, entretanto, com a popularização da internet e dos smartfones, se tornou mais fácil que qualquer pessoa grave e registre essas atitudes. Se não fosse assim, seria muito difícil para a vítima ser acreditada, quando faz a denúncia de um abusador ou agressor que tem certa posição e prestígio social.

O que interessa para a psicanálise, é que um indivíduo abusado, quer seja na infância, ou na vida adulta, desenvolverá diversas desordens mentais, e na sua sexualidade também. O que muitas abordagens fazem hoje, acerca do abuso sexual, é ignorar a construção histórica e social do sujeito.

Na sociedade, se observa a normalização dessas situações, e é dado um rótulo patológico para o abusador. Portanto, questionar a pura normalização e a patologização dos casos é uma contribuição que a psicanálise pode dar à abordagem do abuso sexual. Pois, no método analítico é o sujeito que constrói o sentido do que ele viveu.

Abuso sexual e teorias de Freud

Cada caso tem uma causa e uma consequência diferente, logo, não se deve generalizar nem a vítima, nem o abusador antes de entrar no seu contexto. Anteriormente à Freud, a criança era vista como ingênua e sem desejo. Com a teoria de desenvolvimento psicossexual de Freud; principalmente no tocante ao édipo; o olhar da psicanálise muda a visão simplista na análise da questão do abuso sexual.

Outra questão que surge com a teoria Freudiana, é em relação aos desejos inconscientes. Aqui essa teoria explica o abusador, que de certa maneira está respondendo ao princípio do prazer do ID, logo, um SUPEREGO enfraquecido cede as pulsões e aos desejos inconscientes, e é assim justificado.

A sensação de impunidade talvez contribua para essa prática. Sendo que na maior parte dos casos, os abusos são cometidos por homens, e os agentes da lei e da justiça são também na maioria homens, o que se observa então, é uma prática machista no tratamento desses casos, onde a vítima sempre será culpada de ter facilitado ou seduzido o abusador.

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O conto da “Chapeuzinho Vermelho”

O conto da “Chapeuzinho Vermelho”, talvez seja um dos mais emblemáticos para explicar a cultura do estupro na atualidade. O Lobo está disfarçado de vovó, deitado na cama e esperando para devorar a menina. Já a menina é apresentada no conto com uma falsa ingenuidade, percebe-se sutilmente na trama, que entre o Lobo e a menina há um diálogo de conotação erótica.

Em algumas versões antigas que circularam pela Europa, o Lobo induz a chapeuzinho a retirar a roupa e se deitar com ele na cama. Não existe final feliz para Chapeuzinho Vermelho em nenhuma versão do conto, a menina no final é comida pelo Lobo, o que para muitos estudiosos é uma metáfora da relação sexual. E no afinal a culpa é toda dela, porque em vez de seguir direto da sua casa até a porta da avó, ela parou para conversar com o Lobo.

Desde Freud até Winnicott, todas as teorias psicanalíticas deixam bem claro que a sexualidade é central, na neurose, na psicose, ou na perversão. Dessa maneira, não se pode partir de um único pressuposto que explique o abuso sexual, como se o abuso sexual fosse explicado simplesmente por um narcisismo fálico.

O “consentimento sexual”

Algumas normas foram socialmente construídas, como a proibição do incesto e a limitação de idade para “consentimento sexual”, que variam de um país para outro. Entretanto, pode-se observar que homens após o divórcio, ou ficarem viúvos, tem a preferência de se relacionar com mulheres mais novas.

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    Outro hábito curioso, é a preferência do brasileiro pela depilação total na região pubiana feminina, o que a deixa com a genitália próxima de uma infantil (sem pelos). Esses fatos deixam claro, a obsessão pedófila e abusiva que pode existir implicitamente na sociedade atual, e que se tornou até bandeira política de extrema direita contra as esquerdas, criando assim um falso rótulo puritano e moralista para os homens de direita se esconderem atrás.

    Em suma, independentemente de se concordar ou não com o que as hipóteses aqui propostas provocam, é importante destacar que, como analista, a proposta sobre essa problemática é de acolher e de aliviar o sofrimento do paciente por meio da psicanálise. Quer seja de alguém na posição de abusador ou de vítima. E segundo a ética saber denunciar quando há suspeita de risco à vida do paciente ou de terceiros, ou quando há violência doméstica em curso, negligência, ou abuso de incapazes.

    O presente artigo foi escrito por Igor Alves([email protected]). Psicanalista pela IBPC, e Licenciado em Letras e Filosofia.

    2 thoughts on “A cultura do abuso sexual

    1. Acredito que Psicanálise tenha muitas respostas para estas, é outras mazelas da humanidade. Pra mim o importante é proteger crianças, pessoas vulneráveis, sejam adultos, loucos, neuróticos, não importa quem! AS sociedades devem isto a si mesma.
      Obrigada Sueli Ribeiro

    2. Nossa, achei muito interessante a analise de freud.
      Principalmente interpretando do ponto que há impunidade por a maioria dos agentes de justiça ser homem.

      Também, a partir da analise de freud, em que o super ego se encontra enfraquecido, nota que falta educação efetiva no Brasil para diminuir a ocorrência de abuso.

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