neurose na adolescência

Transtorno neurótico e Neurose na adolescência

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Você já ouviu falar em neurose, ou em neurose na adolescência? Na linguagem popular, o neurótico é aquele sujeito cheio de cismas e manias. É o carinha que fica encanado com todas as atitudes que toma ou pensa ao longo do dia ou a garota que só sossega depois de ver sua foto “bem” curtida nas redes sociais, e, caso isso não ocorra ela vai colocar um tanto de caraminholas (desnecessárias) na cabeça.

Esse conceito do senso comum de tudo não está totalmente equivocado. Para a psicanálise, a neurose não só é a precursora como o objeto principal de estudo da obra Freudiana. O campo é vasto e causa número um dentro da clínica psicanalítica.

O conceito de neurose na adolescência

Para o pai da psicanálise, todos somos neuróticos. Em menor ou maior grau. Ou seja, toda neurose representa uma defesa contra ideias insuportáveis. E quais são essas ideias? São conflitos psíquicos de raízes na história infantil do sujeito que ficaram “fixados”. Como esse evento é de origem traumática e nada agradável, nosso inconsciente “joga-o para escanteio” para que não tenhamos que lidar com isso no futuro. Ora, para que fazer com que o meu consciente entre em conflito e me cause desconforto?

Nosso ego (eu) cria dessa maneira mecanismos de defesa para aguentar, digamos assim “o tranco” e fugir dessa rota perigosa. Quer um exemplo? Um adolescente que começa a chorar compulsivamente quando não atinge algo de forma satisfatória, ou então saca mão de estratégias infantis para resolver algo. Mecanismo de regressão foi utilizado aqui, ou seja, um retorno a formas anteriores do desenvolvimento. Ou então os pais que se recusam a lidar com a sexualidade do filho ou aqueles que se negam a aperceber que o filho cresceu.

A pessoa se recusa a acreditar na realidade, para os outros e para si próprio – mecanismo de negação. Se por um lado, esses mecanismos ajudam por outro o excesso desse artificio proporciona uma “falsa visão dos fatos” que pode levar a transtornos psicológicos e em algum momento aparecerá como forma de sintoma, por exemplo a ansiedade – ou seja, uma forma de neurose. É aí que entra a patologia neurótica, a causa raiz da procura pela terapia.

A neurose na adolescência como psicopatologia

Atualmente, o termo neurose não é mais utilizado para designar este tipo de psicopatologia. Para a identificação destes transtornos, são utilizados por exemplos clássicos da neurose os Transtornos de Ansiedade.

Estre grupo de doenças, define os estados de apreensão, o temor da incerteza com relação a uma situação real ou não. Dentre os sintomas mais comuns, destacam-se a falta de ar, palpitações, batimentos cardíacos acelerado, sudorese e tremores.

E como a neurose se inicia nos adolescentes? Todos nós, em algum momento da vida entramos em conflito com o nosso eu e o mundo externo. A adolescência é um período extremamente delicado à vida do sujeito, pois não é aqui e nem acolá: ele não é mais criança (e moralmente não deve mais agir como tal, mas também ainda não é adulto, inteiramente dono de suas vontades).

Um tempo de luto e conflito

Sem dúvidas, é um tempo de luto e conflito: pelo o que foi abandonado e o desafio do que virá a seguir: Quem sou eu e esse corpo novo? O que esperam de mim? Que profissão devo seguir no futuro? “A adolescência caracteriza-se por quebras dos ideais infantis, do corpo infantil, do amor dos pais; luto do que não pode ser mais sustentado como verdade” ( DANTAS, 2002). Não existe, em Freud, um estudo voltado para essa fase da vida.

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No entanto, antes da queda da teoria da sedução, encontra-se em sua obra citações com referência à adolescência equiparando-a ao fenômeno da histeria: “todo adolescente, portanto, traz dentro de si o germe da histeria.” (FREUD, 1977b, v. 1, p. 469).

Acredita-se que o Édipo (os desejos hostis e amorosos que a criança apresenta em relação a suas figuras parentais durante a primeira infância) é revisitado na adolescência por ocasião da maturidade do corpo, por isso, ameaçador da realização do desejo. Uma vez que haverá uma tensão entre um corpo transformado “pulsante “e as exigências do mundo externo, que caminham na direção oposta.

A clínica psicanalítica para a neurose na adolescência

Nem todo jovem aceita numa boa experimentar uma terapia. Geralmente quem “bate na porta” dos consultórios terapêuticos são ao país ou os principais cuidadores, que, percebem algum comportamento estranho em casa ou alguma reclamação advinda da escola. Uma vez que se dá o início do processo terapêutico é necessário desarmar esse jovem, que muitas vezes não vem por vontade própria e tem muito receio de contar seus desejos/ anseios para um “estranho”.

Ao procurar ajuda para os filhos, o terapeuta não só recebe uma criança, mas uma família envolvida no desenvolvimento emocional dela. A dinâmica familiar pode e deve ser levada em consideração para a psicanálise, uma vez que a causa vem de origem familiar e da primeira infância. Na maioria dos casos, os pais estão implicados no sintoma da criança e do adolescente.

Os pais ou responsáveis deveram ser chamados para uma sessão de esclarecimento e orientação (com a ciência do paciente em questão), após será definida a conduta terapêutica, dando início ao tratamento com sessões de aproximadamente 50 minutos e quantidade estabelecida em acordo com a demanda e o consenso dos pais.

Sinais de alerta! Quando procurar uma ajuda profissional para o adolescente?

Querer ficar muito tempo sozinho; Ansiedade acentuada; Agressividade em excesso; Acessos frequentes de tristeza; Mudanças repentinas de conduta ou humor. Comportamentos automutilantes.

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    O presente artigo foi escrito por Ana Turci([email protected]). Aluna do curso do Instituto Brasileiro de psicanálise clínica.

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