agressividade

Agressividade: significado social e psicológico

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Este estudo tem como propósito desenvolver uma apreciação teórica sobre a questão da agressividade como fator desencadeador da violência nos principais segmentos sociais, independentemente das faixas etárias e dos níveis sociais, econômicos, políticos e culturais.

Para desenvolvimento do presente estudo foi utilizada uma metodologia qualitativa, sendo feita uma investigação a partir da concepção de autores entre os quais pode-se citar Ferrari (2006), Oliveira (2008),Birman (2012), Toledo (2013) e documentos da Organização Mundial da Saúde (BRASIL, 2002), Ministério da Saúde (BRASIL, 2010), entre outros.

Entendendo sobre a agressividade

Foi observado que a agressividade e a violência sempre levam as pessoas, desde as crianças aos adultos, a explicitar ações as quais geram conflitos de ordem social e intelectual, o que termina sempre evidenciando sérias dificuldades nos inter-relacionamentos necessários à vida social. Foi observado, ainda, que qualquer mudança nestes contextos, necessariamente deve estar centrada na mudança de postura das pessoas, nos seus aspectos biológicos ou mentais, como do próprio contexto social, corroído em suas bases por injustiças e diversos tipos de incoerências.

A Psicanálise do médico neurologista Sigmund Freud é um método terapêutico usado para explicar o funcionamento da mente humana, essencialmente quanto ao tratamento de distúrbios mentais e neuroses. Considerando esse posicionamento, pode-se afirmar que a psicanálise não é uma ciência propriamente dita, mas sim um método, uma técnica de pesquisa que objetiva desenvolver formas de tratamento inter-relacionado com o inconsciente, ou seja, a parte do aparelho psíquico (ou mente) cujo funcionamento ocorre de forma oculta, ou paralelamente à consciência (BIRMAN, 1994).

Deve-se ter clareza que a violência não adquire necessariamente os contornos de um conceito no pensamento de Sigmund Freud, no entanto, isso não impede a produção de numerosos trabalhos no movimento psicanalítico que tratam do assunto, como por exemplo, as teorias sobre a agressividade e sobre a chamada violência psíquica, rastro inconteste da pulsão de morte circunscrito aos limites de certa abordagem clínica, à aplicação do referencial psicanalítico para compreender o registro da política e de seus impasses. Nesse contexto, a psicanálise mostra um instrumental importante no debate sobre a violência, uma expressão da inclinação agressiva do sujeito no cenário social, e, por outro, em sua vertente de transgressão, no que se expõe de possibilidade de subverter a ordem instituída (CANAVÊZ, 2011).

A agressividade em uma análise bibliográfica

Seguindo estes parâmetros, através de uma minuciosa pesquisa e análise bibliográfica, busca-se analisar os aspectos da psicanálise contemporânea que, de forma intrínseca, busca colaborar com os indivíduos no que tange às suas contradições, subjetividades contemporâneas imersas em condições sociais que os obrigam às demais formas de sofrimento psíquico, condizentes à irracionalidade. O interesse em desenvolver este tema está calcado nas questões relativas às manifestações agressivas e atos de violência tão comuns na sociedade atual.

Segundo Bisker e Ramos (2006), Birman (2012), a crescente agressividade, vista em todos os segmentos sociais, em sua maioria são motivadas por emoções reprimidas e/ou outras manifestações, como transtornos mentais, depressão ou ansiedade, fatores que diuturnamente vem colocando em risco a paz e a harmonia entre as pessoas e/ou grupos sociais. Já a escolha do tema tem como ponto de partida, a constatação de que a agressividade e violência, na teoria não se superpõem, não são sinônimos, mas na prática, no dia a dia da sociedade é cada vez mais constante uma interligação entre um e outro, utilizados como instrumento positivo ou negativo para solucionar até os mais simples conflitos.

Este contexto mostra que na sociedade atual, mais do que antes, o nascedouro das principais manifestações de agressividade e violência, tanto pode ser motivada pela ausência de limites ou mesmo a falta de melhores condições de vida, assim, os indivíduos revidem ou até agridem fisicamente os outros como formas de compensação às suas necessidades e/ou as suas perspectivas que, mesmo sendo difíceis de serem alcançadas, são usadas como pretextos para os constantes conflitos entre as pessoas ou grupos (SALES, 2010; BISMAN, 2012).

As manifestações agressivas e violentas

Na análise dos trabalhos de Costa (2003), Canavêz (2011), podemos ver que a psicanálise, enquanto estudo do comportamento humano pode ser um dos caminhos para que se possa entender as principais variáveis humanas e sociais responsáveis pela extremada agressividade e violência, principalmente entre os mais jovens, em todos os segmentos sociais e situações.

Nesse estudo, tem-se como objetivos, conhecer quais as alternativas possíveis para que possamos contribuir com o nosso meio social para que exista uma melhor compreensão a favor da cidadania, da inclusão social e da promoção da qualidade de vida, fatores que naturalmente se antepõem as manifestações agressivas e violentas que tanto dramatiza a questão social, os indivíduos, as famílias e grupos sociais.

As estruturas desse estudo foram fortalecidas com subsídios colhidos numa vasta bibliografia que pormenoriza os principais temas relacionados aos aspectos do tema em estudo. Estes subsídios colhidos em diversos autores foram importantes porque permitiram a ampliação de evidências relevantes sobre o tema em discussão. Os descritores utilizados para a pesquisa das fontes bibliográficas foram: psiquiatria, agressividade e violência.

A agressividade , o primeiro passo para a violência

Agressividade é uma tendência em agir ou responder de forma violenta, com pretensão para acometer, atacar e criar confusão. A agressividade pode ser ativa, a pessoa é sempre propensa a agir com violência; e a agressividade passiva, aquelas manifestações que têm lugar sob a forma de sabotagem. E, pode existir ainda uma outra forma de agressividade, quando a pessoa se comporta inicialmente de forma serena e parece renunciar aos seus direitos, mas depois acaba por apresentar um comportamento agressivo (KAUFMANN, 1996).

Considerando estes conceitos de agressividade, neste estudo, considera-se a agressividade como uma manifestação comportamental originada a partir da falta de equilíbrio para lidar com as frustrações, com derrotas constantes ou por falta de empatia do meio social. Atualmente é difícil abordar a problemática da agressividade, pois em todos os segmentos sociais, qualquer manifestação de hostilidade, por mais simples que seja, sempre termina em discussões verbais, agressões físicas às pessoas e aos seus bens, de fato está difícil estabelecer a paz, o equilíbrio devido à presença constante de manifestações agressivas e violentas, seja nas vias públicas, nas famílias, no trabalho, nos esportes, fisicamente ou através das redes sociais.

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Nos trabalhos de Winnicott (2000), Ferrari (2006), a agressão se constitui de amor e ódio, e estes são os principais elementos para a construção das relações humanas. Como a sociedade vem se manifestando, de certa forma permeada de diferentes conflitos, a agressividade surge como um dos sintomas de medo, por isso, ela quase sempre permanece disfarçada, desviada, escondida, sempre atribuída a agentes externos e, quando se manifesta, é sempre uma tarefa difícil de identificar suas origens.

A agressividade e a violência

A agressividade e a violência que ocorrem a todo momento, todos os dias, nos centros urbanos ou no meio rural, são as maiores preocupações da sociedade brasileira contemporânea. Ficamos perplexos com a extensão das constantes animosidades entre as pessoas ou grupos de pessoas, ceifando tantas vidas e/ou ferindo física, emocional ou moralmente.

Não existem respostas claras e pontuais para tantas questões sobre agressividade e a violência explícita, no entanto, como afirmam Vilhena (2002), Ferrari (2006), existem diversas tentativas dos mais renomados cientistas em busca de respostas e os primeiros sinais já são conhecidos, grande parte das manifestações agressivas, como já foi exposto anteriormente, tem como nascedouro as características ambientais, sua organização e, principalmente o abismo existente entre ricos e pobres, a falta de oportunidades e de emprego, as deficiências nos sistemas de saúde, educação, profissional, segurança, entre outros.

Mas estes autores são unânimes em afirmar que não podemos concordar que a agressividade e a violência estão restritas somente a estas características sociais, uma vez que também são encontradas, e até em grande número entre as pessoas da classe média ou alta, que vivem cercadas de luxo e diversas mordomias. Daí, pode-se afirmar que de fato o comportamento agressivo é bastante complexo e de difícil compreensão, no entanto, por outro lado, entende-se que existe claramente uma determinação genética que ativam os mecanismos do cérebro que por sua vez determinam comportamentos agressivos.

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    Sobre os neurotransmissores cerebrais

    Nestes aspectos, observa-se nos trabalhos de Winnicott (2000), Ferrari (2002), Gusmão (2018) que existem pesquisas em diversos países procurando respostas para uma questão bastante complexa: como os mecanismos cerebrais pode gerir agressividade e violência?

    Segundo estes autores, os resultados obtidos até o momento são contraditórios ou não conclusivos, apontam que em determinadas pessoas, as proteínas responsáveis pelos neurotransmissores cerebrais, são desativadas em momentos distintos, pessoas que sofreram ou sofrem maus tratos ou ainda, pessoas que vivem em ambientes hostis, marcados por constantes transgressões com violência.

    As evidentes conclusões já obtidas nas pesquisas mostram que de fato, se o ambiente é violento, existe uma maior possibilidade para que determinadas pessoas que têm perfil genético suscetível a desenvolver comportamentos agressivos também sejam violentas. Estes fatores mostram que qualquer solução para os comportamentos agressivos inapropriados, deve vir do redimensionamento da sociedade, de suas estruturas, dos seus valores e posicionamentos, objetivando a criação de meios que coíbam comportamentos agressivos dependentes tanto das influências sociais, genéticas, ambientais e desenvolvimentais.

    Violência

    Para quem lança um olhar sobre a sociedade como uma realidade social e precisa refletir a respeito de seus aspectos e rumos, as questões sobre agressividade e violência surgem como manifestações que se entrelaçam, nas quais, sempre prevalecem as atitudes extremadas do exercício da força ao invés do diálogo e da reconciliação. Deve-se ter clareza que tanto a agressividade como a violência são formas comportamentais direcionadas a ferir outra pessoa, tem a intenção literal de prejudicar alguém.

    Nestes grupos, os atos agressivos são perpetrados tanto por pessoas com transtornos mentais como por pessoas que não têm nenhum traço psicanalítico. Nestas situações, os atos são, em sua maioria, dirigidos principalmente a pessoas conhecidas, geralmente membros da família, com exceção de agressões indiscriminadas, cometidas por pessoas jovens, ou por pessoas favorecidas pela descompensação psicológica, às vezes auxiliada pela ingestão de grandes quantidades de álcool ou outras substâncias (OLIVEIRA, 2008).

    Estes posicionamentos embasam diversos documentos da Organização Mundial da Saúde (BRASIL, 2002/2010) que entre outros posicionamentos, definem violência como o uso intencional da força física ou do poder, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, com grande possibilidade de gerar lesões, morte, danos psicológicos, deficiência de desenvolvimento ou privação. Segundo os trabalhos de Winnicott (2000), Chauí (1998), Vilhena (2002), a violência implica necessariamente na perda absoluta de controle sobre as emoções, escalando o comportamento do indivíduo para algo bastante sério e de consequências imprevisíveis.

    Manifestações conflituosas

    Estas manifestações conflituosas podem atingir qualquer pessoa ou grupos de pessoas, principalmente os segmentos mais vulneráveis, desde crianças até aos idosos.

    Pode-se perceber nos posicionamentos de Minayo e Souza (2003) que a maior parte das manifestações de violência situa-se entre os grupos marginalizados, vítimas das desigualdades sociais, que por outro lado alimentam a miséria, a fome, doenças e os vícios, principalmente o tráfico ou uso de drogas. É certo que em determinados segmentos sociais, os mais empobrecidos ou desprovidos de qualidade de vida, a harmonia social é bem mais difícil, no entanto, isso não quer dizer que nos demais segmentos sociais a violência não ocorra.

    A violência causada por problemas psicológicos ou mentais

    Além dos fatores ligados ao ambiente e ao contexto social, como as aviltantes desigualdades socioeconômicas e culturais, autores comoOuteiral (1997), Dimenstein (2001), Gusmão (2018)apontam que a violência psicológica ou mental pode ser a ponta de um imenso iceberg de problemas para o sistema de saúde e para todo o contexto social. Isso ocorre porque estes desequilíbrios são perigosos, ferem e causam prejuízos, e além de tudo são manifestações difíceis de serem identificadas, pois atingem tanto a saúde física, biológica como mental, causando doenças graves, como a depressão, ansiedade e até pensamentos suicidas.

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    A violência psicológica é sutil, não deixa marcas visíveis, somente o sofrimento com o aparecimento dos sintomas inexplicáveis. E, além de tudo isso, a violência motivada por distúrbios mentais, segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2010), necessita de cuidados específicos, mantidos por profissionais especializados, uma vez que sua manifestação sempre vem associada à produção de sofrimento psíquico convergindo em demandas clínicas que, se não tratadas convenientemente, podem ser os estopins para as agressões intrafamiliares físicas, sexuais e psicológicas, além dos maus tratos e ameaças.

    Dentro do mesmo contexto, deve-se entender que o sofrimento psíquico necessariamente é caracterizado como uma vivência subjetiva entre a doença mental descompensada e o conforto ou bem-estar psíquico, sendo um mal-estar que se expressa via angústia, preocupação constante, ansiedade, tensão e desânimo, que não é necessariamente manifestação de transtorno mental propriamente dito, e sim um desequilíbrio psíquico (OLIVEIRA, 2008)

    Os problemas de saúde mental

    Para os mesmos autores, na sociedade atual, são vários os motivos que influenciam o surgimento de problemas de saúde mental, variando desde problemas biológicos, psicológicos e os mais comuns, os aspectos sociais, como situações de vulnerabilidade, como pobreza e punição física, pais com transtornos mentais ou vítimas de violência, condições socioeconômicas desfavoráveis.

    Para Outeiral (1997), Sales (2010), os reflexos dos desequilíbrios mentais causam maiores prejuízos para os segmentos sociais mais fragilizados, os grupos mais propensos aos problemas de saúde mental, como também os usuários de substâncias psicoativas, as vítimas de violência sexual e, ainda, pessoas que já possuem quadros de depressão. Deve-se entender, ainda, que as mulheres, as crianças e adolescentes estão entre os que mais sofrem com os problemas de saúde mental, quando se tornam alvos diretos de processos de autodesvalorização, manifestações de depressão, ansiedade, sentimentos como solidão, tristeza crônica, desamparo e falta de empatia de seu grupo social.

    Seguindo os posicionamentos dos mesmos autores e enriquecendo-os com subsídios de Ferrari (2002), Vilhena (2002), Costa (2003), pode-se afirmar que a integração das pessoas com transtornos mentais graves ao meio social não representa aumento de manifestações de violência como muitos acreditam, podem até em determinadas circunstância existir algum tipo de risco, mas os doentes mentais são mais vítimas de violência do que agressores em potencial.

    Doenças mentais graves

    Segundo os mesmos autores, as pessoas com doenças mentais graves formam grupos literalmente vulneráveis à vitimização, grupos que devem ser protegidos contra qualquer tipo de violência podem agravar os transtornos psiquiátricos já existentes, desde os transtornos psicóticos e afetivos que são caracterizados por sintomas cognitivos, comportamentais e emocionais graves e persistentes, causadores de prejuízos nos inter-relacionamentos diários.

    Diante disso, pode-se concluir que as pessoas com transtorno mental grave devem ser resguardadas, protegidas pelos grupos ligados às áreas da saúde e da educação, desmistificando a ideia de periculosidade das pessoas que sofrem de perturbações mentais.

    A violência, agressividade e a psicanálise

    A psiquiatria como os demais conhecimentos humanos vem evoluindo com o passar dos tempos, envolvendo-se naturalmente com inúmeras vertentes ou questões, tais como a conceituação do inconsciente e de tudo que gira em seu entorno. Em sua (re) construção, a psiquiatria vem rompendo barreiras a respeito do conhecimento do indivíduo, seu comportamento, seus desejos e possibilidades. Tudo isso vem constituindo grandes e verdadeiras quebras de moldes, modificações de parâmetros afetivos, pedagógicos, culturais e sociais através de novas propostas a respeito da constituição psicoativa da humanidade (BIRMAN, 1994; ELIA, 2000).

    Neste contexto, o grande problema da sociedade contemporânea é sem dúvida a violência e sua expansão na vida social, desde as crianças, jovens até aos adultos. Segundo Andrade (2008), a expansão da violência é um dos maiores problemas da sociedade atual, pois apresenta efeitos incontroláveis e, infelizmente, os combates às suas causas não vêm produzindo os resultados esperados.

    De fato, buscar meios para conter a violência e seus efeitos ainda é uma grande incógnita, a sua busca não pode ser compreendida a partir da análise isolada de fatos violentos, uma vez que existem estudos que mostram que esse fenômeno se manifesta em rede, com múltiplas facetas articuladas entre si, afetando a saúde, a qualidade de vida da população (ANDRADE, 2008). Mas por outro lado, como afirma a mesma autora, a violência precisa e deve ser tratada em todos os seus aspectos, começando lá nos primeiros sinais de agressividade, pois no início é mais fácil combater os aspectos construtivos e destrutivos da espontaneidade das pessoas, a reparação dos eventuais danos causados a estas ou aquelas pessoas.

    Winnicott

    Seguindo o raciocínio de Winnicott (2000), de uma forma ou outra, a agressividade e a violência sempre têm como origem alguma forma de desorientação e ansiedade, em alguma perda, seja na família, na escola, no trabalho ou entre os componentes do seu grupo social. Atualmente o gatilho que dispara grande parte do inconformismo entre as pessoas se concentra nas aviltantes condições socioeconômica, a má distribuição de renda, o desemprego e a instabilidade profissional, o aumento do narcotráfico, a descrença na justiça, a mitificação de bandidos facilitada por parte dos meios de comunicação, entre outros.

    Essa constatação nos leva a crer que somente através de ações coerentes, sistematizadas, envolvendo todos os aspectos sociais poder-se-á construir algo que vá além de certos discursos apressados ou oportunistas que abundam as discussões sempre que os anúncios de manifestações de violência chamam a atenção da mídia. Dessa forma, é fácil constatar que compreender e fazer barreiras antagônicas contra as manifestações agressivas ou violentas, principalmente nos centros urbanos, não é nada fácil, uma vez que qualquer manifestação antissocial pode estar situada ou a vir a situar-se no plano físico, psicológico ou ético, uma vez que estão estreitamente relacionados à intenção de destruir e/ou negar a existência de outra pessoa. (WINNICOTT, 2000; ANDRADE, 2008).

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    Mediante a todas as considerações feitas até aqui, podemos afirmar que se por um lado a violência física sempre provoca danos que marcam profundamente o ser humano, a violência psicológica, promovida através de constantes xingamentos, ameaças, humilhações e perseguições é bem mais perniciosa, uma vez que fere a autoestima, a autodeterminação e de certa forma a restrição da autonomia.

    A violência psicológica

    A violência psicológica ocorre de forma gradual e crescente, sempre tem como ponto de partida a manipulação, intimidações e avançando sobremaneira para atitudes mais hostis, inclusive com ataques físicos, causando na vítima um intenso sofrimento psíquico e diversos outros distúrbios, quase todos ligados às áreas psicopatológicas (MINAYO, 2003).

    E como consequências, comprometimentos da autoestima e da qualidade de vida, culminando em transtornos psiquiátricos sérios, muitos deles de difícil tratamento. Conforme autores como Elia (2000), Bisker e Ramos (2006), Gusmão (2018), mesmo não sendo aspectos conclusivos, podemos afirmar que o complexo quadro de descontrole psicológico pode alicerçar meios para outros transtornos não menos graves, como depressão, estresse, ansiedade, insônia entre outros.

    Conclui-se, portanto, que a violência, principalmente a psicológica, causa danos para a saúde mental e sérios comprometimentos nas suas relações sociais e familiares, como prejudica a vida profissional e o que é pior, pode agravar outros transtornos psiquiátricos, como a depressão, ansiedade, entre outros.

    Conclusão

    Vimos nas pesquisas que qualquer estudo sobre agressividade ou violência humana é sempre uma tarefa difícil e complexa, uma vez que estas manifestações, tanto dependem do próprio indivíduo, principalmente dos aspectos envolvendo a carga genética, como dos fatores do ambiente e das relações intersociais. Vimos que no contexto do próprio indivíduo, quase sempre a agressividade ou mesmo manifestações de violência, tanto pode ser uma desorientação mental como pelo descrédito vivenciado pelo indivíduo no seu meio social, seja na família, escola, trabalho e/ou grupos sociais.

    E quanto aos fatores sociais, nascedouros principais das cenas de agressividade e violência, pode-se afirmar que também são complexos e difusos, devido a imensa amplitude de fatores, de causas e efeitos, o que fortalece sobremaneira as dificuldades pelo imbricamento de questões subjetivas, fatores condicionantes, como as incoerências nos inter-relacionamentos nas famílias, no trabalho ou mesmo no contexto social, e, ainda, a falta de visão da gestão democrática.

    Estes fatores, imbricados ou não, formam contextos contraditórios, nos quais pode existir, e sempre existem as manifestações comportamentais negativas, como as explosões de raiva e violência, muitas vezes com intensidades desproporcionais. Em muitos momentos, as manifestações agressivas ou violentas são passageiras, caracterizadas às vezes como uma mudança de humor, no entanto, podem evoluir para casos mais sérios.

    As manifestações de agressividade

    Conclui-se que as manifestações de agressividade são os maiores problemas de saúde pública, não só nos grandes centros, mas também no meio rural, infelizmente presente em todos os segmentos sociais e com um poder de expansão assustador.

    Como vimos, estas manifestações antissociais têm diferentes vertentes, variando desde os aspectos sociais, econômicos e genéticos, o que torna mais difícil a caminhada da sociedade na direção de uma realidade de paz e harmonia, entre as pessoas, famílias e o contexto global da sociedade.

    REFERÊNCIAS

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    Este artigo sobre o significado de agressividade em psicologia e psicanálise foi escrito por Katia Cristina A. L. Vital Brazil, concluinte do Curso de Formação em Psicanálise.

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