O que é ser Altruísta para a Psicanálise?

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Pelo bem-estar de entes queridos e pessoas necessitadas, movemos o mundo e tentamos, às vezes, o impossível para ajudá-las. Por trás desse gesto altruísta há muito mais que os olhos podem alcançar. É o que vamos entender com a ajuda da psicanálise.

O que é altruísmo?

Segundo o dicionário, altruísta é “Aquele que não é egoísta; que busca ajudar o próximo, não colocando seus interesses em primeiro lugar, em detrimento dos demais”. O termo altruísmo foi criado por A. Comte. Segundo ele, é uma forma de amor abdicar de si para favorecer o outro, visando o seu bem-estar, sem pedir nada em troca. Nesse contexto, é uma atitude voluntária e demanda certo comportamento evolutivo. Dessa forma, leva-se em consideração que já que carregamos tendências egoístas desde a mais tenra infância.

Por que ser altruísta?

Independente de nossa condição social e física, somos capazes de enxergar além e perceber a dos outros. Um indivíduo sensível o suficiente se compadece de um momento de dificuldade de um ente, conhecido ou não, e sente um incômodo com tal situação. Ele fará o que estiver a seu alcance para ajudar a solucionar o problema, ainda que carregue suas própria dores e sofrimento.

Nesse contexto, entra em questão outro aspecto bastante interessante sobre o altruísta: a empatia. Uma pessoa altruísta é capaz de se colocar na situação do outro e entender o que o mesmo sente. Assim, a aflição também é partilhada e, mesmo que não verbalize, também se mostrará solidário nesse aspecto. O ato de altruísmo significa proteger quem amamos.

No entanto, uma pessoa egoísta é incapaz de demonstrar altruísmo. As suas próprias necessidades são postas como prioridades, ainda que sejam irrelevantes. Dessa forma, a visão limitada que carrega sobre si mesmo e sobre os outros o impede de ver que há desejos e vontades mais urgentes.

Há quem prefira jogar comida fora por ser “mais cômodo” do que alimentar alguém que precisava de uma refeição, por exemplo. Esse é o caso de uma entrevistada por uma grande emissora, ao enfatizar que descarta comida todos os dias por preferir algo mais “fresco”, mesmo sabendo da fome de muitos.

Benefícios

Ser altruísta faz um bem excelente, não só para quem recebe o afeto, mas para nós mesmos. A sensação de poder ajudar alguém pode ter efeitos além da mente e do corpo e pode reverberar além do corpo físico:

Deixamos o “Eu”

O altruísmo é capaz de quebrar barreiras social e biologicamente impostas a nós. Deixamos de trabalhar o apenas “Eu” para pensarmos no sentido de coletividade. Portanto, trabalhando o altruísmo, aprendemos a partilhar e a apoiar alguém em momento de necessidade.

Boa ação reverbera

Desde pequenos, usamos de nossos olhos para aprender tudo o que podíamos, principalmente quando não sabíamos falar. Com boas ações acontece da mesma forma. Quando alguém enxerga um ato genuíno de altruísmo, ela se sente inspirada a praticar o bem e a espalhá-lo. O bom exemplo desencadeia uma onda de boas ações, que reverbera de maneira rápida, mais ainda em tempos conectados como estes.

Saúde

Pessoas altruístas têm uma tendência maior à felicidade, visto que a atitude ajuda no equilíbrio emocional e inibe o apego a vícios materiais e psíquicos. No entanto, uma pessoa egoísta tende a priorizar metas materiais de maneira quase obsessiva. Devido ao comportamento, torna-se uma pessoa difícil de lidar nos círculos de amizade e até carregam um medo excessivo da morte.

Longevidade

Um estudo japonês mostrou que a cooperação entre uma comunidade aumentou sua expectativa de vida, pois se ajudavam constantemente. Isso também contribuiu para a imunidade, já que situações extremas eram facilmente remediáveis pela união da comunidade.

Em outras espécies

O ser humano é tido como o animal mais inteligente do planeta e, erroneamente, são atribuídos títulos a ele, classificando-o como o único a possuir tais características. Entretanto, cientistas comprovam a existência de altruísmo em outras espécies, especialmente em animais mais inteligentes e sensíveis.

A baleia-jubarte, por exemplo. Desde o século XX, há relatos que descrevem a baleia salvando outros animais, especialmente os menores. Um caso emblemático aconteceu em 2009, na Antártida, onde uma foca foi encurralada num bloco de gelo por orcas. Quando a foca caiu na água, uma jubarte interveio, ficando de cabeça para baixo e acomodando o pequeno animal em seu corpo. Assim, usou suas barbatanas para mantê-lo longe das orcas na água.

Próximo a Açores, mergulhadores acompanharam uma família de baleias cachalotes nadando junto a um golfinho. Acontece que o pequeno animal possuía a coluna deformada. Nesse contexto, provavelmente, não tinha condições de seguir o ritmo do seu próprio grupo. Assim, as baleias o protegiam contra outros animais e eventualmente ajudavam o animal a se estabilizar enquanto nadavam.

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Exemplos de altruísmo

Felizmente, há muitos casos documentos de altruísmo entre humanos e alguns ajudaram a salvar vidas. Separei alguns dos casos mais emblemáticos que até hoje comovem ao serem lidos e relatados:

Irena Sendler

A assistente social de Varsóvia trabalhava com enfermeiras e sempre se mostrou inclinada a ajudar o próximo do jeito que podia. Quando a Segunda Guerra estourou, Irena presenciou os efeitos imediatos do caos pelo gueto da cidade. Sem pensar, organizou meios para tirar as crianças daquela situação miserável. Ademais, ajudou-as a trocar de nome para que não fossem mais perseguidas e pudessem recomeçar a vida longe da guerra. Estima-se que a polonesa tenha salvado em torno de 2.500 crianças.

Malala Yousafzai

A paquistanesa, com até então 11 anos de idade, começou a denunciar os abusos proferidos pelo regime do Talibã, especialmente contra as mulheres. Mesmo correndo risco de vida, Malala condenava a proibição das meninas irem à escola. Devido ao alcance de suas ações, sofreu um atentado que quase a matou. Malala, mesmo após a tentativa, não parou de lutar pelos direitos de seus pares e é a mais jovem ganhadora do Nobel da Paz.

Lady Di

Uma das princesas mais famosas da última década, Diana sempre se mostrou engajada em causas humanitárias. Ainda nos anos 80, tomou a frente uma campanha de conscientização da AIDS, um tabu muito forte para a época. Ademais, durante suas viagens pelo mundo, se opôs publicamente contra o uso de minas terrestres no continente africano. Nesse contexto, fez frente a um dos principais motivos de mortalidade no país naquela época.

A humanidade sobreviveu em torno de grupos e bandeiras, algo que se mostrou significativo à sobrevivência da espécie. O egoísmo, por vezes, provém dessa necessidade de viver. No entanto, isso não gera um bem coletivo em hipótese alguma. O altruísta enxerga a necessidade do outro e é capaz de se compadecer, pondo-se no lugar e movendo-se para ajudar. Assim, tal ação não só atinge quem a recebe, mas também nós mesmos e quem a observa.

Nesse contexto, ser altruísta é uma chance de melhorar o mundo. Uma corrente do bem que visa sanar os sintomas de uma cultura egoísta. Ainda que feita por um pequeno gesto, a ação tem o poder de mudar destinos. Como disse o monge budista Matthieu Ricard, “Seja bom e faça o bem”.

E você? Fez algo pelo outro ou presenciou uma boa ação ultimamente? Deixe nos comentários o seu relato e mostre aos outros o quão benéfico é apoiar alguém. Boas ações devem ser partilhadas, a fim de que toquem o interior da comunidade e propaguem o bem mundo afora.

Nesse contexto, falando em realizar boas ações, já pensou em fazer um curso de Psicanálise totalmente EAD? Em nosso curso, é possível se capacitar para ajudar pessoas a exercerem características como o altruísmo também. Confira!

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2 thoughts on “O que é ser Altruísta para a Psicanálise?

  1. Me identifiquei muito com os assuntos abordados e gostaria de fazer o curso. Quanto a devolução do dinheiro caso haja arrependimento, entendi que o prazo é de sete dias. Porém gostaria de saber se este prazo é após o recebimento do material, pois comprei um curso online de um outro fornecedor e o material estava desatualizado e acabei perdendo dinheiro e tempo, desculpe mas a pergunta com tais esclarecimentos se deve a receios…

    1. Olá, Poliani, tudo bem? Você tem o prazo de 7 dias. Seu acesso ao material é de imediato, após você realizar sua inscrição. Temos certeza de que o Curso irá superar todas as suas expectativas. Gratidão. Equipe Psicanálise Clínica.

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