amor ao próximo

Amor ao próximo versus Amor próprio

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O que é amor ao próximo? Estamos numa sociedade cada dia mais narcisista, egocêntrica e egoísta, e dentro desse contexto cultural e social, considera-se válido entender, ou, ao menos tentar compreender o que significa amar a si mesmo, amar ao outro, as diferenças e os pontos de dependência e contato desses dois amores.

Afinal, o que é amor e amor ao próximo?

Dentro de livros, estudos científicos, pensamentos filosóficos, religiões e etc, não há concordância total, nem um consenso sobre o significado do amor, entende-se portanto que a definição do que seria o amor é subjetiva e particular.

Porém, isso não impossibilita a realização de análises e reflexões sobre a forma como nos relacionamos, o quão benéfica ou prejudicial tem se dado nossas relações intra e interpessoais.

No fundo, a busca pelo entendimento de como funcionamos, tem o intuito de melhorar nossa performance, melhorar nossa qualidade de vida, nos levar a um nível superior de maturidade e desenvolvimento pessoal.

A relação entre Lacan e o amor (e o amor ao próximo)

Partindo desse pressuposto, o psicanalista Lacan tem uma citação que nos conduz ao pensamento reflexivo: “Amo em ti, algo mais que tu”. Através dessa afirmação tão contundente, o ilustre psicanalista quis elucidar o nosso entendimento sobre a projeção inconsciente que fazemos no outro.

O amor não se resume ao que eu posso oferecer, mas ao que o outro pode me ofertar. Em nome do amor, que na visão de Lacan era uma ilusão, projetamos as nossas necessidades, carências, responsabilidades, medos, inseguranças e etc no outro, ansiando que o mesmo venha satisfazer aos nossos desejos e idealizações.

Ou seja, o grande questionamento é: eu amo você, ou eu amo o que você pode me oferecer?

A relação de interdependência dos seres humanos: amor ao próximo

Todos nós seres humanos temos interesses próprios e objetivos definidos por trás das nossas ações e atitudes, e nas relações interpessoais, sempre buscamos obter um ganho, seja ele emocional, financeiro, físico ou psicológico. Portanto, quando fazemos algo pelo outro, na realidade estamos fazendo por nós mesmos.

Somos assim desde os tempos primitivos, nossas relações humanas se dão por trocas, somos dotados de talentos e capacidades diferentes, o que gera diversidade, sendo assim, o que eu não tenho, o outro pode me dar, e o que outro não tem e eu tenho, posso oferecer a ele. Essa relação de interdependência humana foi a responsável e ainda é pela sobrevivência da nossa espécie, porque é na ajuda mútua e cooperação que avançamos em busca de um objetivo em comum.

Por isso estamos sempre à procura de agrupamentos com quem nos identificamos, ainda que inconscientemente, pois somos seres sociais, que quando unidos conseguem manter a preservação da espécie.

Amor próprio ou egoísmo?

Uma má interpretação desse funcionamento humano e natural, pode levar à equívocos como associar o comportamento de troca, e de interesses próprios ao egoísmo, e para não se embaraçar nessa distorção, é necessário compreender o que seria egoísmo. Na atitude egoísta não há troca.

É quando o indivíduo só quer receber, é munido de muitos direitos e isento de deveres, ele, por si só não enxerga a necessidade do outro, só enxerga a si mesmo, e nisso não há cooperação mútua, pelo contrário, há exploração e usurpação contínua do outro.

Conclusão: amor ao próximo e amor próprio são complementares

Logo, como poderia chegar a uma resolução dessa problemática? Qual a diferença de amor próprio e egoísmo? Quando ajudamos o outro, qual a verdadeira intenção por trás do ato? No amor próprio você atende primeiramente às suas necessidades pessoais, e então é habilitado para atender à necessidade do outro.

Quando você ignora as suas necessidades, carências e problemas, e coloca como prioridade o outro, afirmando que assim o faz por amor, a realidade é que você está em busca de que satisfazendo o desejo do outro, ele satisfaça o seu, solucionando o problema do outro, ele solucione o seu problema.

Portanto, você entra numa relação com inúmeras exigências, cobranças, desejos latentes e expectativas altas de que o seu semelhante tem a responsabilidade de correspondê-las. Dessa forma, pode-se definir que não há amor nessa relação, mas sim, uma busca por satisfação própria.

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Amo e cuidado para si

Quando você destina sua energia, amor e cuidado primeiramente para si, consegue resolver as próprias questões, e então, partir para cuidar do outro de uma forma leve, sem cobranças, sem esperar que ele te faça feliz ou seja responsável pela sua realização pessoal.

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    A conexão íntima que existe entre o amor-próprio e o amor ao outro, está ligada à essas afirmações: faço para o outro, o que faria por mim, trato o outro como eu me trataria, quero o bem do outro como eu desejo o meu próprio bem, almejo a felicidade e o sucesso do meu semelhante. Assim, como almejo o meu próprio sucesso e realização, exerço compaixão com o outro, assim como exerço compaixão comigo mesmo, enxergo as necessidades do outro, assim como enxergo as minhas próprias necessidades.

    Ou seja, não há anulação do eu, nem mesmo egoísmo, o que existe é uma troca de afetos, que se inicia com o relacionamento intrapessoal e transborda para o relacionamento interpessoal.

    Este artigo sobre amor ao próximo e amor próprio foi escrito por Ivana Oliveira, aluna do curso de Psicanálise clínica (email: [email protected]).

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