Arca da Aliança

Arca da Aliança e relação com a Psicanálise

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Você já deve ter ouvido falar da ‘Arca da Aliança’? Qual seria sua finalidade? E qual a sua interface com a Psicanálise? É o que vamos tentar examinar.

Desconhecer essa conexão nos priva de um dos maiores conhecimentos cognitivo humano sobre o macro paradigma estruturado pelas mão de Moisés (1487AC-1406AC). Porém, precisamos buscar suas raízes.

Entendendo a Arca da Aliança

Ponto de partida foram os 480 anos de escravidão do povo israelita no Egito, (filhos de Israel, o novo nome de Jacó) após ter sonhado que lutou com um anjo usando espada sendo ferido no nervo ciático. Importante destacar que a cronologia dos fatos antes de Cristo ainda está sob pesquisa e aguardam confirmação mais exata, sendo aproximadas. Moises atravessou o Mar Vermelho ou dos Juncos e rumou pelo deserto do Sinai liderando mais de 2 milhões de pessoas com seus pertences vagando 40 anos pelo deserto.

No monte Sinai, Moisés escalou e desceu com duas tábuas de pedra onde foram insculpidos os dez mandamentos. Moisés designou duas pessoas com habilidades em entalhes, marceneiros e escultores, de nome Beseleel (?/?) filho de Huri, neto de Hur, e da tribo de Judá; e Ooliabe, filho de Aquisamec, da tribo de Dã, e deu a eles a missão e meta de construírem um baú revestido de ouro batido, com uma tampa, com argolas laterais para usarem varas de transporte, onde colocaram em cima uma tampa removível com a figura de dois anjos, um de frente para o outro, asas abertas, onde depositou as duas pedras em formato de tábuas insculpidas com os dez mandamentos lavrados, cinco em cada tábua de pedra lapidada.

As duas placas de pedra em formato ‘tábua ou placa’ conforme relatos se transformaram num código ético. Consta que Moisés se inspirou na arca de Anúbis (um deus do Egito) para idealizar e projetar a arca da Aliança, pois ele tivera sua formação de engenheiro na escola dos sacerdotes do Egito, quando fora adotado por uma princesa egípcia filha de um faraó. O baú foi denominado de arca da Aliança ou da Consertação.

Arca da Aliança ou da Consertação

Moisés convocou seu irmão Aarão (1396AC-1273 ou 1274 AC) para que organizasse uma tenda para colocação da arca. A tenda foi a raiz do futuro Templo de Jerusalém, construído por Salomão (931 AC) que sucedeu seu pai Davi, e foram os reis de Israel unido, antes do cisma, porque depois se separou da Judéia. Aqui vale destacar que o nome Sigmund equivale a Salomão. O nome de Sigmund Freud (1886-1939), portanto, é Salomão Freud.

E também importante destacar que Freud era israelita e foi circuncidado, pois todo o israelita por tradição era e continua sendo circuncidado, ou seja, com o corte do prepúcio do pênis até 8 dias ao nascer, retiram a pele que recobre a glande do falo (pênis). A arca da Aliança ou da Consertação era levada junto com os israelitas até em batalhas. Josué (1245 AC) conquistou Jericó porta de entrada para terra da promessa, ‘Eretz Israel’, após dar voltas nas muralhas e derrubá-las usando trombetas, conforme consta no livro de Josué, da Bíblia.

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A Bíblia é uma reunião de vários escritos no passado por muitos autores e ainda esta em investigação. Durante a destruição do 1ºtemplo de Israel, em Jerusalém (581AC) onde estava a arca, ela simplesmente desapareceu. Ninguém sabe qual foi seu destino. Não existem relatos nas literaturas inimigas de captura da arca e/ou sua destruição.

Arca da Aliança e Freud

Importante frisar que Freud no ano que faleceu, 1939, escreveu uma das derradeiras de suas obras, ‘Moisés e o monoteísmo’. (“Der Mann Moses und die montheistisch Religion”), em alemão, vernáculo materno, publicado em Paris, pela Gallimard, 1948. Após foi replicada obras E.S.B, Obras de Freud, vol. XXIII, p 16, do compêndio, que ficou famosa no mundo todo e serviu de base para novas difusões em vários vernáculos. Muitas Entidades que estudam psicanalise reverberaram e replicaram a obra. Restava entender qual seria a verdadeira interface da Arca da Aliança com a Psicanálise?

Neste ponto precisamos de um mergulho nesta historicidade da arca e seus idealizadores para resgatar a percepção. Moisés inaugurou um paradigma por volta de 1400 AC e que só veio ter um contraponto por volta de 1800 DC, quando começam a propor e estruturar um novo modelo paradigma, que dialeticamente se chocou com o paradigma de Moisés.

O ‘haja luz e houve luz’ versus no ‘começo houve uma mega explosão’ (big bang). Ou seja, a concepção de que o espírito precedeu a matéria, vai sofrer um revês, onde se instaurou uma batalha na arenas cognitivas humanas que deseja inverter os termos da premissa. Ou seja, primeiro surgiu a matéria com a energia e após então surgiu o abstrato que alguns chamam de espírito ou alma. Era a concepção positivista da ciências colocando em xeque o metafísico.

Arca da Aliança e o racionalismo

O racionalismo e o chamado iluminismo inverteu a premissa. Augusto Comte (1798-1857) vai expor mais tarde que o animismo, o politeísmo e depois, o monoteísmo cederam espaço ao positivismo que é a supremacia da ciência, o novo deus. Mas, porque a Psicanálise é chamada a ficar de frente para este nó górdio? Freud explicou o que podemos entender usando uma metáfora da teoria das camadas da cebola.

A Psicanálise trata do inconsciente como primeira camada; na segunda camada, do corpo como gênese (origem) da dor, origem de patologias, a loucura, uma peste humana. Na terceira camada, os afetos, onde estão os sentimentos e as emoções. Na quarta camada todo o arcabouço da arquitetura humana que nos cerca, o ambiente e suas circunstâncias e configurações. Na quinta camada as nossas relações sociais, materiais, humanas, as interações.

Vejam que é do núcleo para fora. Os novos tempos da modernidade e pós-modernidade vão inverter, caminhar de fora para o núcleo da cebola, onde passa a ser entendido que primeiro houve um ‘big bang’, uma explosão e depois foi configurando o Universo em expansão e moldando os seres. É a proposta do fim da concepção do espírito.

A cronologia da vida

O espirito passa a ser o abstrato, fruto das sinapses da bioquímica cerebral. Diante das crises que emergem a primeira reação foi da medicalização. As pessoas ficam diante do estoque de seu tempo, seus prazos de validades, que passa rápido e tendo que encarar o óbito, a finitude eterna. Ou seja, o destino final em face da cronologia da vida, na esperança de uma existência natural, sem percalços.

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    Os percalços da jornada que as doenças mortais, o câncer, os vírus, os acidentes da mobilidade territorial, na interação com a tecnologia, os automóveis por exemplo, navios que afundam, trens que se chocam ou saem dos trilhos, aviões que caem, carros que colidem, suicídios, enfim. O que vai gerar transtornos, síndromes, patologias dos seres.

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    Mas, afinal, o que houve com a arca da Aliança? Porque ela é tão importante? Por carregar as tábuas e por ser o símbolo semiótico da construção do paradigma de Moisés que ainda resiste o ‘haja luz e houve luz’. Com relação ao destino da arca da Aliança, (baú contendo as placas) consta relatos da tradição que o Profeta Jeremias (625AC-587AC) ao perceber a proximidade da tomada de Jerusalém, levou até o monte Tabor, onde Moisés visualizou a terra prometida mas não entrou nela, e sim Josué, e lá descobriu uma caverna e escondeu a arca.

    Arca da Aliança e Jeremias

    Alguns homens que tinham ido com ele (Jeremias) voltaram mais tarde para tentar marcar o caminho, porém, não conseguiram face uma grande tempestade de areia. Jeremias ao tomar conhecimento expressou: ‘ninguém deverá saber onde fica essa caverna até que Deus (Yawed) tenha compaixão de seu povo e os ajunte de novo; então Ele mostrará no futuro onde esta este objeto escondido’. Jeremias entende que Deus existe e terá compaixão de seu povo e que cumpre tudo o que prometeu. Esse verso consta no Salmo 138,8.

    E o relato da arca ocultada consta no livro de Macabeus, um dos livros da Bíblia. Vale lembrar que alguns consideram este livro como apócrifo. A arca escondida com as duas tábuas (placas) representa o paradigma ‘haja luz e houve luz’ O novo paradigma procura sua representação que seriam as viagens espaciais, a colonização de planetas no futuro distante ainda, Um mundo projetado por hora pela ficção científica.

    O mundo esta dividido entre os que defendem ainda o ‘haja luz e houve luz’ e os que não aceitam mais essa premissa e formularam um novo juízo, de que no começo houve uma mega explosão com energia que configurou tudo. Os argumentos são variados. Não é mais aceitável uma hierarquia angélica, não é aceitável um mundo paralelo invisível.

    Considerações finais

    Pesquisadores matematizaram a realidade. Desde o começo até agora quantos trilhões de pessoas existiram, cada uma com sua face (fenótipo) que envelheceram, ou faleceram precoces, os fetos que sequer nasceram, mas foram gerados, crianças, os crimes, os incidentes, e quanto ainda vão nascer pela frente, o que será do planeta no ano 15000 mil do calendário ocidental? Como unificar no futuro os calendários humanos e superar as divisões ideológica e as barreiras das línguas? Falaremos uma língua única? O mundo será uma federação mundial? As pessoas comprarão no futuro terras em outros planetas e lá terão casas de veraneios?

    O universo será a última fronteira? Haverão universos paralelos ? Esta em expansão o Universo ? Ou em retração? O sol morrerá e o planeta viverá na escuridão futura Tanta coisa para ser explorada pela ficção. Surgirá um vírus pior no futuro?

    O choque dos paradigmas, o construído por Moisés que escreveu o Genesis e o novo paradigma do positivismo científico nos colocou numa dilema chamado de ‘crise da bifurcação’ entre dois caminhos: no começo foi uma mega explosão ou haja luz e houve luz? A humanidade passou a viver o dilema da bifurcação existencial. Esta é a interface da arca da Aliança com a Psicanálise.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, realizando PG em Psicanálise e acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

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