Quem foi Sigmund Freud

Quem foi Sigmund Freud?

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Você gostaria de saber quem foi Sigmund Freud? Nome bastante conhecido no século XXI, “Freud explica” se transformou em um uma expressão popular para situações que a própria razão não compreende, assim, para tudo o que as pessoas não conseguem entender devido a sua complexidade, elas afirmam: “Só Freud explica”.

Conheçamos um pouco de sua vida, obra e morte.

Quem foi Freud?

Em 6 de maio de 1856 na cidade de Freiberg (hoje Tchecoslováquia), na Morávia, nasce Sigmund Freud, filho de judeus. Aos 4 anos de idade, foi morar em Viena. No colégio Gymnasium (escola secundária), durante 7 anos foi o primeiro aluno da turma.

Embora Freud e sua família viviam economicamente limitados, seu pai, nunca o interferiu em sua escolha profissional. Freud nunca havia pensado na medicina, mas apresentou desde cedo um interesse para as questões humanas.

Se interessou também pelas teorias da evolução de Darwin. E foi ouvindo o professor Carl Bruhl, que fazia a leitura de Goethe sobre a Natureza, que Freud decidiu estudar medicina.

Os anos de formação de Sigmund Freud

Em 1873, Freud entrou na universidade, segundo Zimerman (1999), “destacou-se como um aluno e estagiário brilhante” (p.21).

Passou também por dissabores, por ser judeu, esperavam que ele se sentisse inferior, o que Freud se recusou sabiamente:

“Jamais fui capaz de compreender porque devo sentir-me envergonhado da minha ascendência ou, como as pessoas começavam a dizer, da minha ‘raça’. Suportei, sem grande pesar, minha não aceitação na comunidade, pois parecia-me que apesar dessa exclusão, um dinâmico companheiro de trabalho não poderia deixar de encontrar algum recanto no meio da humanidade” (p.16,17).

Dentro das mais variadas áreas da medicina, Freud se interessava exclusivamente pela psiquiatria. Recebeu seu diploma em medicina em 1881, o que considerava tardiamente.

Em decorrência de sua difícil situação financeira, foi aconselhado pelo seu professor a deixar sua carreira teórica e ingressou no Hospital Geral como assistente clínico sob orientação do professor de psiquiatria Meynert e cujo trabalho sobre personalidade o interessava.

Freud e sua experiência com Charcot

Por alguns anos, Freud trabalhou como estagiário e publicou uma série de observações clínicas sobre as doenças orgânicas do sistema nervoso.

Porém, nada conhecia sobre as neuroses, chegou a apresentar um neurótico com dor de cabeça frequente como portador de meningite crônica.

Foi uma trajetória que Freud percorreu, desde se tronar aluno na Salpêtrière, os encontros com Charcot e sua enorme contribuição para a psicanálise. No ano de 1886, Freud passa a morar em Viena e se casa com Martha Bernays.

O convívio de Sigmund Freud e Josef Breuer

O encontro com Breuer Após alguns trabalhos com Charcot, Freud segue sozinho.

Conhece Dr. Josef Breuer, médico renomado de quem se tornou amigo e passou a compartilhar seus estudos científicos.

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    Em seguida, separou-se de Breuer, abandonou a hipnose e se dedicou a novos estudos, e consequentemente a novas descobertas. Se dedicou a entender como os pacientes esquecem acontecimentos de sua vida, e entendeu que de certa forma o que fora esquecido era conflitante ou vergonhoso para ele.

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    Para torna-lo consciente, “foi necessário superar algo que lutava contra alguma coisa no paciente, foi necessário envidar esforços da arte do próprio paciente a fim de compeli-lo a recordar-se” (p. 35).

    Percebeu então, que poderia existir por parte do paciente uma resistência, criando assim a teoria da repressão.

    O método psicanalítico da associação livre

    Surgimento da Associação Livre Para vencer a essa resistência, em vez de estimular o paciente a falar sobre algo específico, ele pediu que o paciente falasse o que viesse a sua cabeça, praticando o processo da associação livre.

    Nas palavras de Zimerman (1999), Freud não era um bom hipnotizador, então resolveu testar a “livre associação de ideias”, ele pedia ao paciente que deitasse no divã e pressionava a fronte com seus dedos, ele acreditava que dessa forma o paciente se lembraria do trauma ocorrido, trauma que estaria esquecido devido a repressão.

    Graças a sua paciente Elisabeth Von R., pediu que Freud parasse de incomodá-la e sem pressionar sua fronte, a deixasse associar livremente. Freud então percebeu “que as barreiras contra o recordar e associar provinham de forças mais profundas, inconscientes, e que funcionavam como verdadeiras resistências involuntárias” (p.22).

    Sigmund Freud segregado

    Após o afastamento de Breuer, Freud ficou sozinho, foi evitado e criticado por seus estudos psicanalíticos.

    Em 1906, esse segregamento chegou ao fim, começou a se reunir com um sofisticado grupo de teóricos, entre eles, Abraham, Ferenczi, Rank, Steckel, Sachs, Carl Jung, Adler.

    Os encontros aconteciam às quartas-feiras” e eram chamadas de “Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras”. Posteriormente, desses encontros se formou a Sociedade Psicanalítica de Viena (Zimerman, 1999).

    Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente

    Freud dividiu a mente em três lugares denominados de: Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente.

    Esse foi o primeiro Modelo Topográfico do aparelho psíquico (Zimerman, 1999).

    • O consciente é tudo aquilo que estamos vivendo no momento, podemos acessar a qualquer tempo.
    • No pré-consciente, os conteúdos são acessíveis e podem ser trazidos a consciência facilmente.
    • Por fim, o inconsciente, a parte obsoleta do aparelho psíquico, é onde estão os conteúdos censurados e reprimidos.

    Id, Ego e Superego: a segunda fase de Sigmund Freud

    Freud aprofundou seus estudos e formulou a segunda tópica, o Id, Ego e Superego.

    • O Ego, regido pelo princípio da realidade, tenta manter o equilíbrio entre id e superego.
    • O Id, regido pelo princípio do prazer, é a fonte e o reservatório de toda energia psíquica.
    • E o Superego, é a parte moral, atua como um juiz.

    Anna Freud, sua filha

    Anna Freud, filha e discípula de Freud, continuou os estudos do seu pai, porém sua técnica era considerada mais pedagógica que psicanalítica.

    A psicanálise cresceu e deu muitos frutos, e divergências também, surgiu três períodos típicos:

    • psicanálise ortodoxa,
    • clássica e
    • contemporânea e passou também por um período de crise (Zimerman, 1999).

    Curiosidades sobre a vida de Sigmund Freud

    Os mitos que falam sobre Freud, Rotfus apud Roudinesco (2014), traz um tópico curioso acerca de Freud, ou melhor, as lendas que fazem parte dos personagens que são fascinantes e inesquecíveis, Freud não poderia ficar de fora, vejamos alguns dessas lendas:

    • Ele não foi cocainômano durante toda a sua vida. Se consumiu cocaína de maneira imoderada por volta de 1886, ele parou quando se torna pai.
    • Rebekka, a segunda esposa de Jacob, seu pai, não se suicidou.
    • Lacan inventa que ele teria declarado a Jung no barco que se aproximava de Nova Iorque: ‘Eles não sabem que nós estamos lhes trazendo a peste!’
    • Contrariamente ao rumor propagado por Jung e que deu lugar a dezenas de ensaios, artigos e romances, Freud não foi amante de sua cunhada Minna, nem de nenhuma outra mulher. Ele não a engravidou nem a fez abortar com a idade de… cinquenta e oito anos.
    • Ele não era ganancioso. Mantinha suas contas de maneira rigorosa, pois precisava sustentar uma família extensa, ajudando ainda a seus filhos, como ajudou Lou Andreas-Salomé e mesmo o movimento psicanalítico, ao qual destinou integralmente a soma que recebeu por sua biografia de Wilson.
    • A pulsão de morte e o interesse de Freud por ela, bem como o livro Além do princípio do prazer, não se originaram de seu desespero na morte de Sophie, sua filha querida. Ele já trabalhava sobre o tema já havia muito.
    • Ele não foi admirador de Mussolini”.
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    Os últimos anos e a morte de Freud

    Para finalizar Freud precisou ir para a Inglaterra por conta do nazismo, e foi lá onde passou os últimos dias de sua vida.

    Freud morreu em Londres no dia 23 de setembro de 1939 de um câncer que vinha lutando há anos, e sem dúvida abriu muitos caminhos para o progresso das ciências humanas.

    E conclui:

    “Lançado um olhar retrospectivo, portanto, ao mosaico que são labores da minha vida, posso dizer que comecei muitas vezes e joguei fora muitas sugestões. Algo surgirá deles no futuro, embora eu mesmo não possa dizer se será muito ou pouco. Posso, contudo, expressar a esperança de que abri um caminho importante progresso em nossos conhecimentos” (p. 72).

     

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    FREUD, S. Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Vol. XX.

    ROTFUS, Michel. Enfim, Freud!… Freud no seu tempo e no nosso. Traduzido por Bernardo Maranhão. Reverso [online]. 2015, vol.37, n.70 [citado 2020-03-30], pp. 89-102 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952015000200012&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0102-7395. Acesso em: 30 de março de 2020.

    ZIMERMAN, David, E. Fundamentos Psicanalíticos: teoria, técnica e clínica: uma abordagem didática. – Porto Alegre: Artmed, 2007.

    Este artigo sobre Quem foi Sigmund Freud foi escrito por Elaine Matos ([email protected]), psicóloga clínica e estudante de psicanálise. Especialista em Avaliação Psicológica e Psicologia Infantil.

     

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