hipnose e psicanalise

Hipnose: resumo segundo a Psicanálise

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Tanto a hipnose quanto a psicanálise surgiram no século XIX como procedimentos médicos projetados para tratar as doenças de pacientes em contextos do mundo real. No entanto, mais tarde, ambas as disciplinas se separaram. A pesquisa da hipnose tornou-se mais como a pesquisa psicológica em geral relativamente distanciada do cenário clínico e do seu ethos do indivíduo.

 

Introdução à Hipnose

A comunidade psicanalítica obstinadamente manteve o curso epistemológico. Na maioria das vezes, a psicanálise rejeitou projetos de grandes grupos e se apegou tenazmente a evidências baseadas em casos. Este artigo apresenta os contornos de um modelo psicanalítico de hipnose. O artigo localiza a hipnose no mesmo domínio da experiência humana que Freud havia localizado.

Como o estado hipnótico é, de fato, bastante caracterizado como uma regressão topográfica: uma mudança na interação entre emoção, cognição e a experiência do eu, relacionamento e soma.  Esta abordagem é relevante para o estudo da teoria psicanalítica, pois foi com o uso da hipnose clássica que Freud começou a formular a sua teoria dando origem a nova ciência a Psicanálise.

No início da trajetória de Freud, Psicanálise e Hipnose se confudem.

Na primeira parte do trabalho, abordaremos o conceito de hipnose, indo muito além do o que é hipnose, manual de hipnose ou um guia sobre hipnose.

Na segunda parte, focaremos no envolvimento de Freud, Charcort e  Breuer com a hipnose e o desenvolvimento da teoria psicanalítica com o uso da hipnose nas sessões de psicoterapia.

Para atingir esses objetivos, a metodologia empregada foi usado material como livros, artigos, monografias, teses dentre outros recursos como internet, a pesquisa usa o método qualitativo e bibliográfico.

 

1. A hipnose na história da humanidade

Caída no esquecimento por muitos séculos – pelo menos no hemisfério ocidental – a hipnose foi redescoberta na segunda metade da década de 1700 por Franz A. Mesmer. Esse, um médico alemão que praticou em Viena de 1767 a 1777 e em Paris de 1778 a 1784. Mesmer notou que, ao entrar em ressonância empática com o paciente, era possível aliviar e até resolver os sintomas dos quais ele sofria.

Como na época a psicologia, entendida como uma ciência que estuda os processos psíquicos e mentais, ainda não existia, Mesmer supôs que os efeitos terapêuticos observados por ele eram atribuíveis a um fenômeno físico. Um fluido magnético que percorria os corpos humanos, mas também astrais e que poderiam, por assim dizer, sofrer problemas.

Com a ajuda de certas técnicas, por exemplo, a aplicação de ímãs no corpo da pessoa, o fluido pode ser canalizado e armazenado dessa maneira crises podem ser causadas no paciente e doenças podem ser tratadas.

Um dos discípulos de Mesmer, Amand-Marie-Jacques de Chastnet, marquês de Puységur observou que magnetizando um paciente, ele caiu em um sono estranho: um sono em que ele parecia mais alerta e mais atento do que do que estava no estado de vigília. Além disso, uma vez que entraram nesse estado, os sujeitos foram capazes de diagnosticar suas próprias doenças, prever seu curso e prescrever seu tratamento.

 

Centros de tratamento magnético

Puységur sistematizou suas descobertas na fundação da Société harmonique des amis réunis, cujo objetivo era treinar magnetistas e estabelecer centros de tratamento magnético.

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Foram necessários cinquenta anos para que a fenomenologia do transe se tornasse objeto de atenção no campo terapêutico. Isso foi feito em 1841 por um médico inglês, James Braid (1795 – 1860), que cunhou o termo hipnotismo: ele rejeitou a teoria do fluido magnético e propôs outro, novo, baseado na fisiologia do cérebro.

 

Hipnose e doenças orgânicas

A fase seguinte ocorreu na França, primeiro com Ambroise Liébeault e depois com Hippolyte Bernheim, chefe da chamada escola de Nancy. Bernheim estava atualmente usando o  hipnotismo para tratar muitas doenças orgânicas do sistema nervoso, reumatismo, distúrbios gastrointestinais, distúrbios menstruais. A escola de Nancy enfatizou o componente sugestivo da hipnose, em controvérsia aberta com as hipóteses delineadas naqueles mesmos anos, em Paris, por Jean-Martin Charcot.

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2. O encontro de Freud com a hipnose 

Charcot, considerado o pai da neurologia, é conhecido no campo psicológico por ser o primeiro a conduzir um estudo sistemático sobre o distúrbio então conhecido como histeria, que ele equiparou, de certa maneira, com a condição de transe. Bernheim, pelo contrário, negou a validade da teoria da histeria de Charcot e alegou que as condições histéricas mostradas no Salpêtrière não se tratavam de doença e sim manifestação da mente.

O aluno mais famoso de Charcot foi Sigmund Freud (1856-1939), que estudou no Salpêtrière entre 1885 e 1886. Posteriormente, em 1892 e 1893, Freud pareceu oscilar entre a escola de Nancy, sua antiga lealdade a Charcot e a adoção do método catártico de Breuer. Finalmente, chegando no ano  1893, ele elabora a Comunicação preliminar, que muitos consideram a primeira pedra na construção da psicanálise.

Utilizada apenas para acessar memórias inconscientes, a hipnose, porém, tinha um valor terapêutico limitado, razão pela qual Freud a abandonou em favor do método catártico desenvolvido por Eugen Breuer. E, posteriormente, do procedimento de livre associação, desenvolvido entre 1892 e 1898 e considerado constitutivo da técnica psicanalítica.

 

3. A hipnose e a criação da psicanálise 

Inicialmente, Breuer e Freud passaram a estudar os sintomas histéricos que se apresentavam, principalmente, em forma de paralisia motora. Assim, só para mais tarde Freud passar a identificar também os sintomas presentes na neurose obsessiva, que se colocam como idéias repetitivas, rituais, entre outros. No começo não havia uma concepção clara da origem dos sintomas por parte dos autores.

“Se uma pessoa histérica intencionalmente procura esquecer uma experiência, ou decididamente rechaça, inibe e suprime uma intenção ou ideia, esses atos psíquicos, em consequência, entram no segundo estado da consciência; daí produzem seus efeitos permanentes e a lembrança deles retorna sob a forma de ataque histérico.” (FREUD. 1893 p.196)

A hipnose foi um dos primeiros métodos terapêuticos utilizados por Sigmund Freud. Costuma-se afirmar que ele se afastou dela para desenvolver a psicanálise e que considerou a hipnose insatisfatória. Estudamos aqui a evolução das conexões entre Freud e hipnose e mostramos que sua posição era pelo menos complexa e ambivalente.

 

A Sociedade de Psicanalistas

Freud fundou a importante Sociedade de Psicanalistas em Viena, graças à qual exerceu forte influência na comunidade que na época se preocupava com a saúde mental, treinando outros terapeutas. E, também, agindo como autoridade indiscutível sobre o que era ou não aceitável. praticar.

Com o tempo, alguns de seus discípulos e profissionais modificaram suas idéias, eventualmente dividindo a Sociedade Psicanalista em três:

  1. Freudianos (que permaneceram fiéis ao pensamento original de Freud.
  2. Kleinianos seguidores das idéias de Melanie Klein).
  3. Neo-freudianos um grupo que incorporou as idéias de Freud em uma prática terapêutica mais ampla.

As idéias de Freud ainda influenciam todo tipo de terapia e psicoterapia contemporânea administrada por psicólogos e psicoterapeutas.

 

4. Conceito de inconsciente na teoria psicanalítica e na hipnose

O inconsciente é um dos conceitos mais interessantes da mente humana. Parece conter toda a nossa experiência da realidade, mesmo que apareça além da nossa consciência e controle.

É o lugar onde armazenamos todas as nossas memórias, pensamentos e sentimentos. O conceito fascinou o neurologista Sigmund Freud, que queria descobrir se era possível explicar coisas que, na época, pareciam estar além dos limites da psicologia.

Aqueles que começaram a examinar o inconsciente temiam que ele pudesse conter atividades psíquicas muito poderosas, assustadoras ou incompreensíveis demais para a nossa mente consciente absorver. O trabalho de Freud sobre o assunto foi pioneiro.

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Ele descreveu a estrutura da mente como formada pela consciência, o inconsciente e o pré-conscientee popularizou a ideia do inconsciente. Assim, introduzindo o conceito de que era aquela parte da mente que define e explica o trabalho por trás de nossa capacidade de pensar e experimentar.

“Ao trabalhar a noção de inconsciente, apresenta também a noção do aparelho psíquico. Afirma que: […] um ato psíquico passa por duas fases quanto a seu estado, entre as quais se interpõe uma espécie de teste (censura). Na primeira fase, o ato psíquico é inconsciente e pertence ao sistema Ics; se, no teste, for rejeitado pela censura, não terá permissão para passar à segunda fase; diz-se então que foi “reprimido”, devendo permanecer inconsciente. Se, porém, passar por esse teste, entrará na segunda fase e, subsequentemente, pertencerá ao segundo sistema, que chamaremos de sistema Cs.” Freud ( 2006, p. 177-178)

 

O inconsciente e a hipnose

O inconsciente também é o lugar onde residem nossos impulsos biológicos instintivos. Os impulsos governam o comportamento, direcionando-nos para escolhas que prometem satisfazer nossas necessidades básicas e garantir nossa sobrevivência:

  • a necessidade de comida e água;
  • o desejo sexual para garantir a continuidade da espécie;
  • a necessidade de encontrar calor, abrigo e companhia.

Mas Freud diz que o inconsciente também contém um impulso oposto: o impulso da morte que está presente desde o nascimento.

É um impulso autodestrutivo que nos leva a avançar, mesmo que, ao fazê-lo, nos aproximemos da morte. Em seus trabalhos posteriores, Freud se afastou da ideia de que a mente estava estruturada na consciência, inconsciente e pré-consciente, para propor uma nova estrutura de controle:

  • id
  • ego
  • superego

 

Superego

O superego formado por impulsos primitivos obedece ao princípio do prazer, que diz que todo impulso de desejo deve ser imediatamente gratificado: ele quer tudo imediatamente. Outra parte da estrutura mental, o ego reconhece o princípio da realidade, que diz que não podemos ter tudo o que desejamos, mas devemos levar em conta o mundo em que vivemos.

 

Ego X Id

O ego negocia com o id, tentando encontrar maneiras razoáveis ​​de ajudá-lo a conseguir o que quer, sem causar danos. O ego, por sua vez, é controlado pelo superego, a voz internalizada dos pais e o código moral da sociedade. O superego é uma força de julgamento e a fonte de nossa consciência, sentimento de culpa e vergonha.

Outras maneiras bem conhecidas pelas quais o inconsciente é revelado são o deslize freudiano e o processo de livre associação. Um deslize freudiano  é um erro verbal que Freud afirma revelar uma crença , pensamento ou emoção reprimida .

É uma substituição involuntária de uma palavra por outra que tem um som semelhante, mas que revela inadvertidamente algo que a pessoa realmente ouve. Freud usou a técnica de livre associação  no qual o paciente, depois de ouvir uma palavra, é convidado pelo terapeuta a dizer a primeira palavra que vem à mente.

Freud estava convencido de que esse processo permitia que o inconsciente rompesse, já que nossa mente usa associações automáticas, e assim pensamentos ocultos encontram uma voz antes que a mente consciente tenha uma maneira de evitá-la.

 

5. Hipnoánalise versus Hipnose

A Hipnoanálise é considerada um tipo de terapia que acontece numa sessão de interação entre duas pessoas, como ocorre com a psicanálise. A finalidade da Hipnoanálise é buscar a causa do problema ou sintoma através de um processo de regressão formal ou informal não podemos confundir com regressão a vidas passadas que já é outra teoria da hipnose.

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A hipnoanálise  é feita por técnicas de imaginação livre conduzidos para esse fim. A Hipnoanálise tem como base na lei da causa e efeito; noutras palavras, a hipnoanálise trabalha com o pressuposto de que todos os comportamentos, sentimentos e pensamentos são de certa forma causada por traumas ou algo que tenha acontecido no passado e que estão enraizados no nosso inconsciente.

Quando acessamos os nossos problemas emocionais, diretamente no inconsciente, fica possível a libertação dessas emoções e isso alterando os nossos comportamentos diante as várias situações da vida. Fazendo a  vida fazer mais sentido, e passamos a ver o mundo com outros olhos.

 

Comparando tipos de Hipnose

Este tipo de hipnose é o meio mais rápido e também eficiente para se lidar com emoções em comparação com outros modelos, como a psicanálise por exemplo.  A hipnoanálise, ao contrario de outras linhas, não é um método de terapia de longo prazo, mas sim, uma terapia breve, cujos resultados são visivelmente mais rápidos, e podem ser percebidos logo após a segunda ou terceira sessão.

Os desafios de descobrir as causas dos problemas emocionais são rastreados por técnicas. Essas técnicas possibilitam uma auto consciência de si mesmo, pois muitos problemas que temos vem de nossa incapacidade de auto analisar deixando os problemas crescerem e se tornarem nossos piores inimigos.

 

Conclusão: um resumo sobre hipnose

Do ponto de vista histórico, a psicanálise se estabeleceu a partir dos estudos sobre histeria realizados por Sigmund Freud – juntamente com seu colega mais velho, Joseph Breuer, em Viena. Isso, por volta do final do século XIX.

Na verdade, Freud continuou a usar a hipnose; simplesmente usou uma indução diferente, e chamou-lhe associação livre. Toda a configuração do seu consultório, com os estranhos e exóticos objetos, a cor e o padrão do papel de parede. Assim como a reputação e presença de Freud, eram na verdade uma indução instantânea.

Freud havia aprendido que toda hipnose é uma auto-hipnose. E, que, simplesmente facilitava aos participantes uma jornada neste território sem o uso da incessante influência verbal que os hipnotizadores menos experientes pensavam ser necessária.

Freud descobriu que um paciente hipnotizado é capaz de recordar experiências passadas que são despertadas para sua consciência quando acordadas. Até mesmo sintomas neuróticos, como convulsões histéricas, foram temporariamente suprimidos em seus exames depois que o paciente relatou experiências estressantes durante a hipnose.

Isso criou uma base importante para a psicanálise, ou seja, a solução de experiências e conflitos estressantes e inconscientes reprimidos na primeira infância. No entanto, os sintomas neuróticos retornaram após algum tempo, o que significa que os conflitos ainda existiam.

Como resultado, Freud lidou apenas com o tópico superficialmente e, por fim, afastou-se da hipnose porque criticou muitos aspectos. Atualmente, considera-se que muitas de suas críticas foram refutadas, embora ele deva ser considerado a favor do fato de que a hipnose, como era praticada quando estava em vigor, ainda não era tão madura e científica como é hoje. que Freud lidou apenas com o tópico superficialmente e, por fim, afastou-se da hipnose.

 

Referências bibliográficas

FREUD, Sigmund. Esboços para a “Comunicação Preliminar” de 1893 (1940- 41 [1892]). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v.1.

FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade [1901-1905]. In: Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 2006.

NAPOLI. Lucas Por que o psicanalista não utiliza a hipnose https://lucasnapoli.com/2013/01/20/por-que-o-psicanalista-nao-utiliza-a-hipnose/ ( Acesso 28/02/2020)

Este material sobre Hipnose: um resumo segundo a Psicanálise é de João Nogueira, concluinte do nosso Curso de Formação em Psicanálise Clínica

 

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