Sugestão Hipnótica

Sugestão Hipnótica: técnica de Freud

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Antes de dar início à fundamentação teórica do que conhecemos hoje como Psicanálise, Freud se valeu da hipnose para encontrar a raiz das dificuldades dos pacientes. Com o decorrer do tempo, a percepção dele sobre a técnica foi mudando, mas todo o caminho foi produtivo. Conheça a sugestão hipnótica, um dos primeiros trabalhos de Sigmund Freud.

O início

Um dos casos mais famosos de Freud é o de Emmy Von N., rica viúva que carregava problemas desde a partida do marido. Fanny Moser, seu verdadeiro nome, sofria de depressão, dores, insônia, crises de pânico e outros problemas. Sem contar a gagueira e os tiques na falha desse caso consagrado.

Imediatamente, os indícios apontavam para mais um caso de histeria, sendo essa uma causa genérica aos transtornos nas mulheres. Mesmo assim, Freud teria recomendado banhos quentes, massagens, internação e a sugestão hipnótica para tratá-la. Isso era algo de praxe na época, sendo quase um tratamento universal as desordens mentais.

Após condicioná-la a fixar seu olhar em um ponto, ela recebia orientações específicas para trabalhar seus sintomas. Isso o permitiu averiguar a origem dos problemas e entender as circunstâncias de cada situação. Emmy conseguiu compreender as origens de cada problema, fazendo suas conexões enquanto Freud promovia seu tratamento.

Relevância do caso

O desenvolvimento do caso Emmy Von N com a aplicação da sugestão hipnótica foi muito importante à Psicanálise. Durante sete semanas o psicanalista desenvolveu o trabalho até dar alta à paciente. O peso desse trabalho pré-Psicanálise é relevante, pois:

Clareza de registro

Mostra a primeira vez em que Freud usou a hipnose com bastante relevância e exposição. Sendo ela a principal ferramenta do trabalho, entendemos melhor o aprimoramento dela na cura de Emmy.

Oportunidade no transe

A partir do transe, Freud aproveitava para utilizar técnicas distintas enquanto fazia o seu tratamento. De início, focava seu trabalho em fazer com que os sintomas pudessem desaparecer. Sem contar que descobria a origem dos distúrbios com mais clareza.

Desenvoltura

Enquanto se valia das sugestões hipnóticas, Freud exibia o seu conforto em explorar diversos caminhos ao tratamento. Tanto que utilizada de técnicas combinadas como dito acima para aprimorar o alcance da sua investigação.

A busca e novos inícios

Foi no ano de 1881 que Freud terminou o seu curso de medicina dentro da Universidade de Viena. O mesmo carregava uma paixão por pesquisas feitas em laboratório, porém isso não era tão rentável. Por isso, começou a atender pacientes dentro de um hospital austríaco para ter uma renda financeira.

Freud percebeu que a psiquiatria ainda não era tão desenvolvida dentro do ramo entre os parceiros. Nisso progrediu com pouca concorrência e aprimorou a sua vista sobre as doenças nervosas. Tanto que em março de 1895 conquistou uma bolsa em Paris com duração de 6 meses.

Foi aqui que conheceu Jean Martin Charcot que posteriormente influenciaria muito o seu trabalho. Charcot era reconhecido por sua evolução dentro da psiquiatria e neurologia.

A influência de Charcot

Freud havia levantado uma admiração profunda por Charcot, o descrevendo como brilhante, estimulante e instrutivo à esposa. Tudo se deve as conquistas do profissional dentro da França, como a descoberta de males neurológicos e identificação de distúrbios. Sem contar que o mesmo tinha recuperado a sugestão hipnótica para trabalhar diversos sintomas em terapia.

A sugestão hipnótica de Charcot consistia em colocar o indivíduo no transe e ordenar que não mostrasse mais determinado sintoma. Feito isso, o paciente acordava e quase sempre o sintoma sumia por conta da hipnose direta. Nesse caminho, Freud concluiu que a histeria era um mal psicológico, e não do útero, e usou a ferramenta para desenvolver essa descoberta.

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Voltando de Paris se demitiu do hospital e montou seu consultório psiquiátrico, visando a quebra do tratamento padrão à histeria. De início, a sugestão hipnótica serviu de ferramenta ao alívio sintomático do público e fez o que pôde para defendê-la. Contudo, o mesmo foi abandonando ela gradativamente por não alcançar o papel que queria com ela.

Ressignificação

Em meados de 1889, retornou à França, tentando aprimorar a técnica de sugestão hipnótica com Hyppolyte Bernheim. Por meio dele que soube do resgate de memórias traumáticas através do transe colocado. Segundo Bernheim, havia uma vigília dos próprios pacientes que os impedia de relembrar de certos eventos.

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Entretanto, as sugestões hipnóticas eram capazes de desfazer essa parede e iniciar insistentemente a rememoração do trauma. Com base nisso Freud supôs que a mente estava dividida em níveis, escondendo algumas lembranças mais que outras. Em outras palavras, o futuro psicanalista estava descobrindo o inconsciente e desenvolvendo a Psicanálise.

Porém, foi com Josef Breuer que aprimorou o tratamento empregado com a ajuda da hipnose, desenvolvendo uma produtiva parceria. Ao contrário de Bernheim, não questionava diretamente sobre os traumas, mas pedia que falasse o que vinha à mente. Só então quando o paciente falava sobre determinado fato que ele o levava a reviver lembranças negativas.

Empecilhos

O uso da sugestão hipnótica tinha a comprovação de funcionar e isso se mostrava inegável a qualquer pessoa. Contudo, havia problemas a se ver pelo caminho e principalmente após a sugestão pós hipnótica. Isso se concentra em:

Funciona, mas…

Após um período, o paciente tratado com a hipnose apresentava novamente os mesmos sintomas. Por exemplo, a própria Emmy Von R. que após 1 ano de tratada, em 1890, voltou a buscar pela ajuda de Freud. Mesmo tendo recebido alta e curada, os mesmos sintomas de antes voltaram.

Prazo de validade

O indivíduo melhorava, porém isso era passageiro e ele voltava ao que era antes. Concluiu que quando saía do transe não se lembrava do que externou quando estava sob hipnose.

Droga

Com base no que percebeu, Freud conclui que o processo se tornaria uma espécie de droga terapêutica. Ou seja, cada paciente ficaria viciado na técnica porque, após voltarem, os sintomas os forçariam a retomar o tratamento.

Abandono e progresso

Depois do seu longo processo de busca e crescimento da sugestão hipnótica, Freud foi severo ao avaliá-la. Segundo ele, não havia sentido em investir em um processo inútil como aquele, relembrando o caso de Emmy em carta. Mesmo assim, a Psicologia reaproveitou a hipnose no século XX.

Voltando a Freud, partiu na busca por novos métodos de investigação, até achar a associação livre. Agora consciente, o paciente falaria o que bem entendesse enquanto desperto e acomodado em um divã. Com isso, o psicanalista poderia analisar seus desejos, temores, pensamentos e as suas lembranças traumáticas sem problemas maiores.

Considerações finais sobre sugestão hipnótica

Ainda que tenha rompido com ela, a sugestão hipnótica foi essencial no início da carreira profissional de Freud. Por meio dela, conseguiu elaborar conclusões importantes e que até hoje reverberam na comunidade terapêutica.

De todo modo, essa dedicação foi vital porque contribuiu diretamente a um dos maiores trabalhos sobre a mente humana. A partir daqui consolidou como esperava uma técnica para promover a cura duradoura dos males apresentados na mente humana.

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