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Método da Associação Livre em Psicanálise

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O método da associação livre é uma técnica psicanalítica que foi criada e difundida por Sigmund Freud. Para Freud, seria a técnica psicanalítica por excelência, a técnica que o psicanalista mais usaria em clínica. Com a associação livre, aumentariam as chances de acessar o inconsciente do paciente na clínica.

A associação livre para substituir a hipnose

O próprio Freud, em seus estudos e experiências de análise, achava que a hipnose era algo inútil, pois não servia para todos os pacientes, uma vez que alguns não eram hipnotizáveis, e mesmo que fossem as neuroses ainda voltavam.

Sendo assim criou a técnica da associação livre permitindo que o analisando pudesse atingir com maior facilidade os elementos responsáveis pela liberação dos afetos, das lembranças e das representações.

Começou a utilizar a associação livre no tratamento de Elizabeth Von R. quando a mesma solicitou a Freud que a deixasse falar livremente, sem pressioná-la a buscar uma lembrança específica.

Essa paciente Freud deslocou de mestre a ouvinte

E assim se estabeleceu uma relação analista-paciente. Posição que não existia com o uso da hipnose, pois a investigação psicanalítica era norteada apenas pelas indagações do analista e, através da sugestão hipnótica, o paciente era ordenado que ao acordar o sintoma desaparecesse.

Sendo assim, durante suas análises, Freud passou a recomendar a seus pacientes a dizerem tudo o que lhes viesse à mente.

A interpretação dos sonhos

Em “A Interpretação dos Sonhos” Freud reconhece que muitos sonhos desafiavam a compreensão simples e eram desprovidos de sentido lógico, mas tinham sua própria lógica.

“Sempre que nos mostram dois elementos muito próximos, isso garante que existe alguma ligação especialmente estreita entre o que corresponde a eles nos pensamentos do sonho. Da mesma forma, em nosso sistema de escrita, “ab”, significa que as duas letras devem ser pronunciadas numa única sílaba. Quando se deixa uma lacuna entre o “a” e o “b” isso significa que o “a” é a última letra de uma palavra e o “b”, a primeira da seguinte. Do mesmo modo, as colocações nos sonhos não consistem em partes fortuitas e desconexas do material onírico, mas em partes que são mais ou menos estreitamente ligadas também nos pensamentos do sonho (p. 340). ”

A ordem com que o paciente descreve seus pensamentos, é reveladora

Freud concluiu que, assim como nos sonhos, a ordem em que o paciente diz o que está em sua mente pode revelar sua própria lógica escondida.

As associações dessa lógica peculiar seriam responsáveis por revelar os desejos, as ansiedades, a memória e os conflitos psíquicos do paciente.

O psicanalista desvendando os materiais do consciente

Tal método consiste em o analista escutar serenamente à uma chuva de ideias e pensamentos. Com sua experiência, o psicanalista possui uma ideia geral do que se esperar, podendo fazer uso do material trazido à luz pelo paciente de acordo com duas possibilidades.

Existindo uma resistência aos fatos narrados, sendo a mesma leve, o psicanalista será capaz, pelas alusões do paciente, de inferir o próprio material inconsciente.

Se a resistência for forte, ele será capaz de reconhecer seu caráter a partir das associações, quando parecerem tornar-se mais distantes do tópico abordado, e o analista explicará ao paciente.

A descoberta da resistência constitui o primeiro passo no sentido de superá-la

A associação livre oferece várias vantagens: expõe o paciente à menor dose possível de fuga de seus pensamentos, jamais permitindo que ele perca contato com a situação corrente real; e garante que nenhum fator da estrutura da neurose seja desprezado e que nada seja introduzido pelas expectativas do analista.

Deixa-se ao paciente que determine o curso da análise e o arranjo da narrativa; qualquer manuseio sistemático de sintomas ou complexos específicos torna-se desse modo impossível. Seria a montagem de um grande quebra-cabeça, no qual sempre faltará uma peça.

Dando voz aos pacientes

Em completo contraste com o que acontecia com o uso da hipnose, Freud subverteu o posicionamento analista-paciente, e passou a dar voz aos que antes somente respondiam a perguntas.

Fez com que a potência da palavra viabilizasse a cura, e proporcionou ao paciente sair de um ponto de sua narrativa, sem ter que se preocupar em qual ponto essa fala chegaria. Não sendo assim a técnica de associação livre uma narrativa intencional.

Através da fala, é dada ao paciente a oportunidade de se conectar com ideias recalcadas que produzem as dificuldades atuais. Assim, ele passa a ter uma nova compreensão desta memória.

Ter consciência dos pensamentos é o caminho para a cura

O paciente passa a ter consciência de seus pensamentos fazendo com que os sintomas deixem de existir.

Supõe-se que, na medida em que o paciente mantém ideias recalcadas de eventos ligados ao passado, este passado torna-se presente, uma vez que é constantemente atualizado através dos sintomas. Quando a reação é reprimida, o afeto permanece ligado à lembrança e produz o sintoma.

Conclusão

Freud nos ensinou a escutarmos o paciente com o nosso inconsciente e, por isso, não devemos nos preocupar em memorizar o que ele diz.

O analista, da mesma forma que o paciente, utiliza-se da associação livre como se naquele momento abrisse mão de seu pensamento consciente.

A escuta, assim como a fala, assume um lugar central na psicanálise. O script que antes era usado como que em um interrogatório, passa a não ser mais necessário. A hipnose e a sugestão também passam a ser acessórios dispensáveis

Autora: Ana Luisa Lucas

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