ansiedade manual para combater

Ansiedade: manual completo em Psicanálise

Posted on Posted in Psicanálise, Transtornos e Doenças

É importante entender como a psicanálise compreende a ansiedade, já que ela é uma das emoções fundamentais. Trata-se de uma parte central do que significa ser humano tanto quanto a felicidade, tristeza ou raiva. 

De acordo com Freud…

Na visão de Freud, a ansiedade é o resultado do conflito entre a identificação e a ameaça de punição do superego. Acontece que a identificação sente ou quer alguma coisa. Contudo, o Superego desaprova e, consequentemente, instala no Ego uma sensação desconfortável de medo como se a punição estivesse prestes a acontecer. 

A ansiedade no Brasil e no mundo

A ansiedade é um dos tipos mais comuns de transtorno psicológico que afeta muitas pessoas ao redor do mundo todos os dias. 

O Brasil é o país mais ansioso do mundo. Segundo dados, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que 9,3% da população sofre de algum tipo de transtorno. Isso dá quase três vezes a média global! 

Objetivos gerais

Como objetivo, buscaremos neste trabalho demonstrar através de pesquisas bibliográficas quais são os tipos de ansiedade. Ademais, exploraremos como podemos aliviá-la ou extingui-la da vida das pessoas. 

Na primeira parte do artigo, discutiremos a ansiedade e seus tipos. Na segunda parte, vamos focar nas formas atuais de tratamentos para pessoas com o problema. 

Para atingir esses objetivos, a metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica. 

História

Por mais antiga que a palavra possa ser, o termo não se referia a um conceito psicológico ou psiquiátrico antes do século XIX.

Ademais, sua difusão só ocorreu durante o século XX. Nos séculos XIII e XIX, observou-se  um grande aumento no interesse por “mudanças nervosas”. Porém, a compreensão da época era a de que os sintomas eram apenas físicos. Assim, não eram identificados como ansiedade, como fazemos hoje. 

Em meados do século XIX, Bénédict Morel, um psiquiatra francês, alegou que foi o sistema nervoso que desencadeou os sintomas. 

O termo surgiu em 1895 com uma publicação de Sigmund Freud, o fundador da psicanálise. Nesse trabalho, ele relatou que a ansiedade deveria ganhar uma definição que a distinguisse de outras formas de doenças nervosas. 

O começo das teorias sobre o tema

Nos campos da psicologia e da psiquiatria, o termo ansiedade ocupa uma posição central. Isso se deve em grande parte devido ao legado da obra de Freud. 

Freud enfatizou definindo a ansiedade como um estado desagradável acompanhado de ações físicas que alertam as pessoas contra o perigo iminente. O desconforto é muitas vezes vagamente difícil de descrever ou localizar. Mas a ansiedade em si é claramente notável para aqueles que a sentem. 

Só o Ego pode produzir ou sentir ansiedade. Contudo, ID, Superego e o mundo exterior se envolvem sempre em um dos três tipos de ansiedade: ansiedade neurótica, ansiedade moral e ansiedade realista.

Tipos de ansiedade

Neurótica

É um sentimento de apreensão em relação a um perigo desconhecido. Uma pessoa pode sentir essa ansiedade, por exemplo, na presença de seu chefe ou de outra figura autoritária. Isso geralmente se deve a experiências vividas na infância. Estamos falando de sentimentos inconscientes de destruição em relação aos pais. Eles não só são as primeiras figuras de autoridade, como aquelas que nos punem por um comportamento ruim.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    Durante a infância, o sentimento de hostilidade em relação aos pais acompanha o medo da punição. Por sua vez, esse medo é generalizado para outras figuras de autoridade na ansiedade neurótica inconsciente.

    Moral

    Ocorre no conflito entre o Ego e o Superego. Após a criação do Superego, cerca de cinco ou seis anos de idade, o indivíduo pode sentir ansiedade moral devido ao resultado do conflito entre seus desejos e os requisitos do Superego.

    Leia Também:  Eu Sou Franky: análise dos personagens da série

    Um exemplo disso é quando a pessoa sente a necessidade de fazer algo que ela sabe que é moralmente errado. Assim, o Superego reage provocando sentimentos de vergonha e culpa.

    Realista

    É um sentimento não específico e desagradável e que envolve um possível perigo. O medo e a ansiedade são alguns sintomas. Um exemplo desse tipo de ansiedade: quando um cão pula na sua frente para morder você, é normal que o medo surja. Isso porque você identificou uma ameaça real.

    Todos temos ansiedade? 

    Se você parasse para pensar na última vez que se sentiu ansioso, provavelmente se lembraria rapidamente. Inclusive, podemos até afirmar que é graças à ansiedade que estamos vivos.Quando em uma intensidade normal, ela nos alerta que algo ruim, ou algum perigo real e iminente, está prestes a acontecer.

    Ela só se torna um transtorno psicológico no momento em que a pessoa sente uma forte ansiedade sobre algo que não é real. Assim, ela se trata de algo simplesmente imaginativo e que acaba dificultando a realização da vida de forma natural e pacífica. 

    Ademais, a ansiedade coloca em ação dentro do corpo humano mudanças fisiológicas. Essas são mudanças que nos ajudam a tomar uma atitude de ataque ou fuga em situações de perigo iminente, achando inconscientemente que estamos preservando nossa existência. 

    Quais reações fisiológicas apresentamos quando estamos ansiosos? 

    Quando uma situação perigosa coloca nossas vidas em risco, ocorrem as seguintes mudanças fisiológicas: 

    • nossos batimentos cardíacos aumentam para aumentar o fluxo sanguíneo e se concentrar nos músculos. Isso ocorre para que tenhamos força para escapar ou atacar; 
    • nossa pupila dilata, fazendo com que mais luz chegue aos nossos olhos; 
    • o sistema digestivo fica em uma espécie de espera, o que resulta na falta de resina ou saliva. Dessa forma, a boca fica seca, sensação que normalmente experimentamos quando temos medo; 
    • nossos olhos arregalam, as narinas dilatam e as sobrancelhas levantam. Esses comportamentos ocorrem com o objetivo de que possamos ver melhor e detectar melhor os cheiros. Portanto, são atributos que poderiam fazer toda a diferença em situações perigosas. Logo, não são ruins.

    Mais considerações sobre a ansiedade

    Sem medo e ansiedade, certamente os seres humanos não povoariam mais a terra. Dizemos isso porque eles não conseguiriam identificar o perigo iminente e reagir corretamente. 

    A reação entre ansiedade e libido

    Para Freud, a ansiedade é o resultado da libido contida. Ou seja, tem a ver com impulsos que não foram realizados ou o resultado de experiências traumáticas. 

    Por exemplo, uma criança punida por realizar um ato, quando chega na idade adulta, pode sentir ansiedade quando sentir uma inclinação para realizar um ato semelhante. Isso pode acontecer mesmo que esse indivíduo não lembre mais da punição. 

    Mais acima, falamos que o Ego instala no corpo uma sensação desconfortável de medo. Assim, acabamos criando  mecanismos de defesa. Esses mecanismos são estratégias que o Ego coloca em ação para evitar entrar em contato com aqueles aspectos da personalidade que o Superego reprova. Por isso, podem gerar ansiedade. 

    Ansiedade para Lang

    De acordo com Lang, a ansiedade se manifesta de três formas: 

    1. O que dizemos e como pensamos: por exemplo, lamentando um problema, comunicando medo ou preocupação; 
    2. A maneira como nos comportamos: por exemplo, evitando certas situações ou estando sempre atento aos problemas; 
    3. Alterações físicas: por exemplo, a respiração curta, batimentos cardíacos rápidos, e mudanças na expressão facial.

    Quando a ansiedade é normal?

    Alguns especialistas afirmam que a ansiedade é a emoção que sentimos quando não podemos, ou não sabemos como, tomar medidas para lidar com uma ameaça. 

    Se um atirador está começando a se mover em nossa direção, é muito provável que vamos buscar sair dessa situação o mais rápido possível. Ela traz bastante medo e com razão.

    Em que ponto o transtorno se torna um problema, merecendo uma atenção profissional? 

    Cada caso tem suas peculiaridades. Contudo, um profissional experiente contemplará o seguinte: 

    • Se a percepção do perigo é excessiva ou irreal; 
    • A que nível de sofrimento a pessoa vive exposta; 
    • Se essa ansiedade é desproporcional ou não; 
    • Há quanto tempo o paciente sente a ansiedade; 
    • Se esse sentimento é super sensível. 
    Leia Também:  Acupuntura para ansiedade: de fato funciona?

    Tratamentos

    Determinar quais são os tratamentos que atuam de forma mais eficaz sobre a ansiedade é muito complexo. Especialistas sempre escrevem ensaios controlados randomizados. Contudo, nem sempre eles são tão objetivos quanto o problema da ansiedade precisa. 

    Portanto, decidir o tratamento específico que é eficaz é uma tarefa sagaz. Ademais, quando se trata de transtornos de ansiedade, não há concordância. 

    TCC

    Um dos tratamentos escolhidos é a TCC – terapia cognitiva comportamental ou alguma de suas variantes. A ansiedade ocorre quando há uma situação ameaçadora.

    Assim sendo, um dos principais objetivos da TCC é testar a exatidão dessas crenças. Isso é alcançado quando o sujeito é exposto, de forma segura e controlada, a situações que o ameaçam. Dessa forma, a pessoa pode aprender com a experiência. 

    Quando os testes são aplicados gradualmente, controlados e adaptados a cada assunto, a pessoa descobre que está mais segura do que pensava. Assim, acaba reduzindo os sintomas do problema. 

    Medicamentos

    Também é possível tratar o problema com medicamentos. De modo geral, os médicos preferem receitar antidepressivos de longo prazo. No entanto, a curto prazo, é comum receitar ansiolíticos específicos para ajudar o paciente a lidar com a crise. Essa é uma indicação válida por um curto período, devido ao risco de dependência química. 

    Qual o melhor tratamento?

    O sucesso obtido com o TCC às vezes é maior. Ademais, eles duram mais do que os efeitos que remédios podem trazer. Nesse contexto, já há uma expectativa quanto à ocorrência de efeitos colaterais e à dificuldade em se livrar deles. 

    Por essa razão, o Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido recomenda a TCC como a primeira linha de tratamento para esse tipo de transtorno. Assim sendo, os medicamentos ficam como segunda opção. 

    Nesse contexto, vale lembrar que combinação de medicamentos e terapias não parece ser muito benéfica. Isso porque, na TCC, a ideia é fazer com que o sujeito sinta de forma controlada o medo que causa o transtorno. Isso para que aprenda que é capaz de lidar com isso. Contudo, com o uso de ansiolíticos, a pessoa não consegue sentir essa emoção. 

    Alguns resultados interessantes

    Em uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido, pesquisadores alcançaram os seguintes percentuais: 

    Pessoas sem tratamento: 

    • Transtorno de ansiedade generalizada: 66% 
    • Fobias: 43% 
    • Transtorno obsessivo-compulsivo: 69% 
    • Síndrome do pânico: 75% 
    • Transtorno de ansiedade e depressão misto: 85% 

    Pessoas tratadas apenas com medicamentos: 

    • Transtorno de ansiedade generalizada: 18% 
    • Fobias: 23% 
    • Transtorno obsessivo-compulsivo: 12% 
    • Síndrome do pânico: 8% 
    • Transtorno de ansiedade e depressão misto: 11% 

    Pessoas com transtornos de ansiedade que recebem alguma forma de terapia ou terapia, com ou sem medicamentos (a porcentagem ousada indica TCC): 

    • Transtorno de ansiedade generalizada: 15%, 3% 
    • Fobias: 34%, 11% 
    • Transtorno obsessivo-compulsivo: 18%, 4% 
    • Síndrome do pânico: 17%, 4% 
    • Transtorno misto de ansiedade e depressão: 5%, 1% 

    Uma das razões pelas quais a TCC é subutilizada se deve à falta de profissionais capacitados. Portanto, há pouca gente que sabe realizar os procedimentos terapêuticos. 

    Conclusão 

     A ansiedade faz parte de nossas vidas. Assim sendo, sem ela, nossa vida não duraria absolutamente nada. Com a ansiedade, temos nosso recurso de “proteção” ativado. Portanto, ele está pronto para nos avisar no caso de algo nos colocar em uma situação perigosa. Assim, a principal função da ansiedade é proteger a nós mesmos. 

    No entanto, quando não há nenhum sinal de perigo evidente e a situação que desperta a ansiedade não é real, isso começa a prejudicar a nossa vida. Nesse momento, a ansiedade deixa de ser um sinal de proteção e se torna um problema. Assim, se a questão não é tratada, o problema torna-se um efeito dominó. Portanto, tende a se tornar mais forte. 

    Na minha opinião, a TCC é uma terapia muito eficaz, natural e livre de riscos de efeitos colaterais. A Terapia Cognitivo Comportamental, como já vimos, é comprovadamente eficaz em outros tratamentos mais invasivos, como é o caso das medicações.

    Este conteúdo sobre ansiedade foi escrito por Claiton pires para o Curso de Formação em Psicanálise Clínica.

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *