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Psicologia no Brasil: história, ideias e autores

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Hoje convidamos você a fazer uma breve viagem pela história da Psicologia no Brasil. Assim, acompanhe quais foram os momentos e quem foram as pessoas que fizeram essa ciência se desenvolver e criar raízes no país. Descubra como suas ideias e escritos transformaram e continuam transformando a vida de muitas pessoas.

Origens da Psicologia no Brasil

Não há um consenso entre os estudiosos quanto a um período exato da nossa história em que a Psicologia ou ideias psicológicas surgiram em nosso território. Contudo, sabemos que houveram períodos marcantes. Assim sendo, esses períodos que foram formadores de toda uma literatura que contribuiu para a consolidação dessa ciência.

Depois que Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, um grupo veio para o Brasil com o objetivo de difundir seus valores e cultura para a população local. Contudo, esse eram valores carregados de uma moral religiosa, social e política. Esse grupo era os jesuítas.

Por isso, o período da chegada dos portugueses e sua colonização é interessante para iniciar nossa análise sobre a história da Psicologia no Brasil.

1 – Período Colonial (1500 – 1808)

Quando os integrantes da Companhia de Jesus chegaram, o fizeram com o objetivo catequizar os indígenas residentes no Brasil.

Carregados de uma filosofia tomista, ou seja, de São Tomás de Aquino, os jesuítas passaram a difundir toda uma pedagogia com base no salvamento da alma. Contudo, isso não seria possível caso os curumins não adotassem o Cristianismo como doutrina de fé.

Uma das obras importantes na época era do pedagogo e jesuíta Alexandre de Gusmão. Em seu livro, A arte de bem educar os filhos da idade da puerícia (1685), Gusmão apresenta uma série de normas condizentes com a moral cristã. Dessa forma, a família e os professores poderiam educar as crianças na chamada primeira infância.

Sendo assim, o governo português usou de uma pedagogia imbuída de “ideias psicológicas” como forma de controle do território brasileiro. Entre eles estão:

  • comportamentos entre raças e suas diferenças,
  • controle das emoções,
  • causas da loucura, entre outros.

1.2 – Padre Antônio Vieira

Uma das vozes dissonantes nesse período foi do Padre Antônio Vieira. Ele denunciou a forma como Portugal estava maltratando os negros e indígenas escravizados.

Vieira destacava que a ordem imposta pelos donos de terras e pelo próprio clero de como as pessoas deveriam se portar diante de determinadas situações era baseada no medo. A desigualdade era grande. Ademais, quem sustentava o país eram os escravos.

Por causa de tamanha rebeldia, o Padre Vieira chegou a ser preso e, posteriormente, receber uma ordem de prisão domiciliar pelo Tribunal do Santo Ofício.

2 – Período Institucional (1808 – 1934)

Esse período abarca a chegada de D. João VI e sua família real ao Rio de Janeiro, e vai até a criação das primeiras universidades, já no século XX.

Ao receber a corte real, a colônia passa a ter uma importância antes não existente. A partir daí, criam-se as primeiras faculdades de medicina do Rio de Janeiro e de Salvador. A Imprensa é permitida no Brasil os primeiros jornais e revistas são publicados.

Para que os primeiros médicos pudessem exercer a profissão, antes era necessária a redação das teses de doutoramento (o nome dado ao trabalho final dos graduandos).

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Elas continham estudos sobre a mente e o comportamento. Ademais, muitas delas carregadas de um conteúdo elitista. Isso porque elas precisavam justificar a permanência de suas condições sociais diante da enorme desigualdade que caracterizava o Brasil pré e pós independência.

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    3 – Período Universitário (1934 – 1962)

    Chegamos ao período que, se é menor em relação aos períodos anteriores, não perde em importância para a história da psicologia no Brasil. É aqui que a psicologia começa a se desvencilhar de outras áreas como a Filosofia e a Medicina. Porém, claro, sem nunca deixar de beber dessas fontes.

    3.1 – Criação da USP e da UFRJ

    Como dito anteriormente, as primeiras faculdades brasileiras surgiram. Contudo, agora, o ensino nacional passou a ter um maior destaque. Isso ocorreu com a criação da Universidade de São Paulo (1934) e da Universidade do Brasil – atual UFRJ (1920). Nessas instituições houve a inauguração dos primeiros cursos de psicologia. contudo,  na época eles ainda tinham um vínculo com as cátedras de Filosofia e Ciências Sociais.

    Ademais, vinda de professores oriundos dos EUA, França e Inglaterra contribuíram para a calcificação da Psicologia como ciência autônoma. A influência de escolas como Gestalt, Behaviorismo e a Psicanálise foram fundamentais para a criação de cátedras próprias e publicações mais elaboradas sobre a nossa sociedade.

    3.2 – Darwinismo Social

    No final do século XIX e começo do século XX, teorias positivas passaram a dominar o ambiente acadêmico e popular. Nesse contexto, damos um certo destaque para o psiquiatra e criminalista Cesare Lombroso.

    Através de inúmeras pesquisas e visitas a universidades, hospitais psiquiátricos, detenções, Lombroso advogava a tese de que determinadas pessoas se tornavam criminosas devido a características específicas do infrator.

    Assim, para Lombroso, a cor da pele, composição física, formato do crânio e nariz ou mesmo uma simples tatuagem sugeriam uma tendência significativa para cometer crimes.

    3.3 – Eugenia e influência no Brasil

    Nessa época, o Brasil começou a atingir a sua maturidade política com o advento da República. No entanto, a população em sua maioria de negros libertos em contraste com uma elite racista e eugenista revelava a grande tensão que havia entre esses grupos.

    Influenciados pelas teorias positivistas e evolucionistas, revestidas por uma pseudociência, médicos como Nina Rodrigues e historiadores como Oliveira Vianna pregavam a “impureza” do brasileiro. Assim, para eles, o negro era alguém que seria para sempre servil e avesso ao trabalho, como o indígena. Infelizmente, essas teorias ecoaram ainda por décadas, até a Academia as execrou completamente.

    4 – Período Profissional (1962 até os dias atuais)

    Após anos em que a Psicologia já fazia parte do nível universitário, uma pressão pela regularização da profissão de psicólogo crescia cada vez mais. Essa consolidação ocorreu em 27 de agosto de 1962, com a promulgação da lei 4119.

    A opinião pública já entendia o saber do psicólogo como distinta da do médico e livre de influências pedagógicas e religiosas. Após a criação dessa lei, os processos para criação dos conselhos federal e regionais foram cada vez mais rápidos. Dessa forma, regularizaram o serviço desses profissionais em diversos lugares do país.

    Hoje em dia, encontramos um número considerável de psicólogos e psiquiatras públicos (através do SUS e serviços como CVV e CAPS) e privados. Todos com diversas especialidades que podem atender as pessoas a um preço acessível.

    5 – Considerações Finais

    Fizemos para você todo um apanhado histórico da história da Psicologia no Brasil. Ademais, discutimos como ela contribuiu para a formação científica do país. Por fim, fica o nosso convite para se matricular no nosso curso online de Psicanálise Clínica. Você sairá com um ótimo repertório intelectual e ainda terá a capacidade de clinicar!

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