psicanalise o que é

O que é Psicanálise? Guia Fundamental

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Você já ouviu falar sobre a Psicanálise e sua área de atuação? Essa técnica terapêutica é muito utilizada e pode auxiliar muitas pessoas a entender seus processos psíquicos. Ficou curioso? Continue a leitura deste guia completo sobre O que é Psicanálise e descubra os fundamentos da ciência psicanalítica!

 

Origens da Psicanálise

Embora não haja consenso sobre a gênese (origem) exata do conceito dentro do contexto histórico, Sigmund Freud foi o fundador da Psicanálise na passagem do século XIX para o século XX.

Suas conquistas, conceitos e ideias estão presentes nas discussões do campo psicanalítico até hoje, o que trouxe profunda influência ao desenvolvimento de inúmeras linhas de estudos desde sua concepção.

Em seu primeiro artigo, intitulado “As psiconeuroses de defesa”, de 1894, Freud empregou alguns termos ao seu estudo. Ele usou, nesse primeiro momento, os termos: análise, análise psíquica, análise psicológica e análise hipnótica.

 

O que é Psicanálise?

Pode-se entender a psicanálise como um método terapêutico criado pelo médico neurologista Sigmund Freud (1856-1939).

Conceitualmente o termo psicanálise é usado para se referir a uma construção teórica baseada nos preceitos da hermenêutica (campo de estudo, que tem como referência, a explicação que compreende os significados implícitos, ou seja, tem um caráter investigativo que busca a interpretação do que está além do objeto).

Ou seja, a Psicanálise é uma ciência da interpretação, que oferece uma chave de significado com base em explicações não óbvias.

Nesse sentido, a psicanálise pode ser considerada um campo teórico e um método de pesquisa, culminando em uma prática clínica dotada de técnicas específicas. Como a teoria pode ser caracterizada por um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre a estrutura e o funcionamento da vida psíquica, bem como sua repercussão sobre a vida do sujeito.

 

O método psicanalítico freudiano

O método de terapia criado por Freud é empregado especialmente em casos de neuroses. De modo geral, esse método pode ser entendido como embasado, essencialmente, na interpretação, por parte de um psicanalista, dos conteúdos inconscientes de palavras, ações e produções imaginárias de um indivíduo. Essa interpretação se baseia nas associações livres e no que se denomina de transferência.

Como método investigativo, busca a interpretação de conteúdos ocultos e/ou inacessíveis às manifestações e ações do indivíduo em sua relação com o meio ambiente.

A prática profissional, portanto, foi chamada de análise, ou seja, uma forma de tratamento que utiliza técnicas investigativas específicas para o tratamento de pacientes que buscam seu autoconhecimento e/ou resoluções e entendimentos dos transtornos que assolam a psique humana.

Ou, nas palavras de Freud (1922), “chamamos a psicanálise ao trabalho pelo qual trazemos à consciência do paciente o psíquico reprimido nele“.


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Para se compreender melhor o que é psicanálise, devemos entender que nela podem ser distinguidos três níveis. Os dois primeiros são parte do método psicanalítico e o terceiro seria o conjunto de suas teorias.  Vejamos abaixo.

 

Os três níveis da Psicanálise enquanto ciência   

A psicanálise é um método de estudo ou investigação. É, também, uma forma de olhar e interpretar as relações sociais e as outras ciências. Por fim, é um método de terapia e de tratamento de transtornos psíquicos.

Segundo Laplanche e Pontalis (1996), essa disciplina fundada por Freud pode ser dividida em três níveis:

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a) Um método de investigação (pesquisa) que consiste essencialmente em evidenciar o significado inconsciente das palavras, ações, produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um assunto. Esse método baseia-se principalmente nas associações livres do tema, que são a garantia da validade da interpretação. A interpretação psicanalítica pode se estender a produções humanas para as quais não há associações livres.

b) Um método psicoterapêutico (abordagem terapêutica ou clínica) baseado nesta investigação e especificado pela interpretação controlada de resistência, transferência e desejo. O uso da psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico está ligado a esse significado; exemplo: iniciar uma psicanálise (ou uma análise).

c) Um conjunto de teorias psicanalíticas e psicopatológicas (uma “ciência” psicanalítica, que melhorou seu próprio campo de conhecimento), no qual os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e tratamento são sistematizados.

 

Entendendo o que é psicanálise a partir de seus três níveis

Podemos sintetizar assim a resposta sobre o que é Psicanálise:

A Psicanálise é uma ciência ou saber hermenêutico, isto é, interpretativo.

Se há algo a interpretar, supõe-se que seja algo não óbvio: o inconsciente.

A ideia de inconsciente pressupõe fatos não acessíveis à mente atenta.

Assim, a interpretação que a Psicanálise oferece é:

  • pesquisar o que está acessível (os fatos conhecidos, as palavras ditas, as memórias acessíveis, os sintomas, os medos, os desejos expressos, os sonhos, os lapsos, os atos falhos, os chistes etc.),
  • buscando descobrir o que não está acessível (as causas dos sintomas, os conteúdos recalcados etc.).

 

Vejamos mais detalhadamente os três níveis que abordamos na parte anterior, combinando com o resumo que acabamos de fazer.

A Psicanálise pode ter como objeto de investigação:

a) Uma pessoa, aí temos o primeiro nível que antes abordamos, da Psicanálise como um método de investigação. Esse método consiste em evidenciar o significado inconsciente das palavras, das ações e das produções imaginárias de um indivíduo. Essas produções imaginárias podem ser entendidas como os sonhos, as fantasias e os delírios da pessoa. Ou seja, neste nível, compreendemos a psicanálise como ferramenta de pesquisa nas ciências.

b) A relação analista e paciente, aí temos o segundo nível, da metapsicologia freudiana (isto é, a psicanálise refletindo sobre ela própria). Trata-se de um método baseado na investigação e no que foi especificado por essa interpretação. Uma interpretação controlada da resistência, da transferência e do desejo. É a esse sentido, ou nível, que está ligado o emprego da psicanálise como sinônimo de tratamento psicanalítico. Por exemplo, quando se usa o termo: começar uma psicanálise (ou uma análise). Neste nível, temos a aplicação da psicanálise clínica, na relação entre analista e analisado.

c) As relações interpessoais e da sociedade, aí temos o terceiro nível, que é um conjunto de teorias psicanalíticas e psicopatológicas. A partir desse conjunto, é que são sistematizados os dados introduzidos pelo método psicanalítico de investigação e de tratamento. A psicanálise como ferramenta interpretativa da sociedade, da cultura, da história, das artes e da política estaria neste nível.

Posteriormente ao emprego dos termos supracitados em seu primeiro artigo, Freud usou um novo termo, do qual se originou o termo psicanálise. Num artigo sobre etiologia, publicado em francês, ele usou o termo “psycho-analyse”.

Em alemão, posteriormente traduzido, o termo “psychoanalyse”. Freud procurou descrever, ao usar esse termo, as psiconeuroses de defesa.

O uso do termo “psicanálise” está ligado ao abandono da catarse sob hipnose e da sugestão. Usando-se o recurso exclusivo à regra da associação livre, a fim de se obter o material. Assim, é realizada a análise.

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Com a difusão da psicanálise e dos métodos, a partir dos quais ela foi sendo conhecida, o próprio termo foi sendo mais usado. Por outro lado, diversos autores acabaram designando este termo em alguns trabalhos que não eram exatamente sobre psicanálise propriamente dita.

Isto é, o conteúdo, o método e os resultados desses trabalhos, muitas vezes, acabavam tendo apenas relações com o que foi preconizado por Freud.

 

Os Níveis de Consciência          

Para se compreender a psicanálise, é muito importante compreender os níveis de consciência atribuídos dentro nesse conceito.  Esses níveis são: consciente, pré-consciente e inconsciente. São as partes da mente humana, conforme Freud definiu em sua Primeira Tópica (isto é, na primeira fase de seu trabalho, também chamada de Teoria Topográfica).

  • O consciente é somente uma parte de nosso funcionamento mental. Ele é constituído pelas ideias que temos do que pensamos, do que sentimos. Além do que falamos e do que fazemos. É como se ele fosse o nível mais superficial de nossa consciência ou mente, tudo a que temos acesso facilmente.
  • O pré-consciente é constituído por meio de ideias inconscientes. Essas ideias podem se tornar conscientes quando direcionamos atenção a elas. Elas podem ser percebidas nos nossos sonhos ou nos atos falhos.
  • O inconsciente é a grande parte nossa mente de que não temos consciência. É uma parte mais profunda, e a qual não temos claro e fácil acesso. No inconsciente, estão guardados os desejos reprimidos, assim como os conteúdos censurados e as pulsões inacessíveis à consciência. Por outro lado, o inconsciente traz reflexos em nosso dia a dia, e pode influenciar em nossos comportamentos e ações. Isso, ainda que não percebamos.

Desses três níveis de consciência, o inconsciente é o mais estudado pelos psicanalistas. É por meio dele que se procura explicar o surgimento ou até mesmo curar as neuroses e, para alguns psicanalistas, também as psicoses. Portanto, é muito importante, para entender a psicanálise, entender o que é e como é formado o inconsciente.

 

O mais importante conceito da Psicanálise de Freud

Em seu Dicionário, Laplanche & Pontalis definem um conceito como o mais importante para a Psicanálise. Ou seja, sem este conceito, a Psicanálise não seria tão relevante e diferenciada em relação a outras linhas de pensamento.

E este conceito é o Inconsciente.

A grande contribuição de Freud foi demonstrar que o “indivíduo” é, na verdade, dividido. Isto é, tem muitos desejos, traumas e memórias reais ou distorcidas. E muito deste conteúdo não está acessível ao nosso lado racional.

Então, o ser humano não controla totalmente sua vida, suas escolhas, sua mente. Reconhecer isso é parte do processo de reconhecer-se humano, não deve ser uma desculpa para atos impróprios contra outras pessoas.

 

A Formação do Inconsciente para a psicanálise

De acordo com Freud, o inconsciente é formado por três elementos: o id, o ego e o superego. Termos esses que devem ser compreendidos e devidamente distinguidos, a fim de que compreendamos o que é o inconsciente.

E, por consequência, para que possamos entender o que é psicanálise e como são realizados seus métodos. Esses conceitos foram criados por Freud para explicar o funcionamento da mente humana.

Ou seja, eles não estão apenas presentes no inconsciente, mas também se refletem ou se traduzem em aspectos conscientes e inconscientes. Assim, esses elementos da mente estão ligados e atuam de maneira conjunta.

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Para Freud, os três conceitos abaixo integram a Teoria Estrutural, que é a forma mais madura de Freud em definir como a mente humana se divide.

Esta divisão não descarta a primeira. Trata-se da Segunda Tópica de Freud (na sua fase teórica mais madura), também denominada de Teoria Estrutural.

Nesta teoria, as três partes ou instâncias do aparelho psíquico determinam e coordenam o comportamento humano.

  • O id é onde está o nosso desejo libidinal. Nele, estão todas as energias psíquicas e as pulsões cujo intuito é a obtenção do prazer.
  • O ego é o meio termo entre os três elementos. Ele resulta a partir da tentativa de estabelecermos equilíbrio entre os desejos do id e as exigências do superego. Ou seja, exigências ligadas à realidade e a ordens morais.
  • O superego é o representante das regras morais, as quais nos impedem de realizarmos os nossos desejos. Ele nos gera proibições e impõe limites, por meio de regras sociais ou morais.

 

Conclusão: O que é Psicanálise

Dessa forma, assim, podemos compreender a ligação entre esses três componentes da mente humana e de que forma eles atuam. É como se o que quiséssemos viver o tempo todo fosse o “id” (que são os nossos desejos). Porém, o “superego”, embasado nas morais, tenta nos proibir de viver o id. E o ego, assim, surge como resultante da tensão entre o id e o superego.

Por fim, compreendendo a função desses três elementos, compreendemos o funcionamento da mente humana. E, assim, conseguimos compreender mais profundamente o que é psicanálise.

Não é possível saber o significado da Psicanálise enquanto conceito e seu papel na história sem entender Freud, inconsciente e as partes da estrutura psíquica humana.

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