quem foi arthur bispo do rosario

Arthur Bispo do Rosario: vida e obra do artista

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Arthur Bispo do Rosario (1909-1989) foi um artista brasileiro, que viveu entre a insanidade e a arte. Internado em instituições psiquiátricas ao longo da vida, em um ambiente restrito desenvolveu seu processo criativo. Porém, suas artes eram por ele guardadas, restringindo o acesso à terceiros.

Porém, bispo do Rosario não se considerava um artista, dizendo que vozes o obrigavam a produzir os trabalhos para que, assim, pudesse mostrar as coisas na Terra na hora do seu juízo final à Deus. Em síntese, suas artes eram representadas de variadas maneiras, como sobreposição de objetos e bordados.

Sua arte foi descoberta após uma reportagem sobre as condições do hospital psiquiátrico em que vivia. Então, pela primeira vez, críticos o levaram para expor quinze dos seus estandartes, no ano de 1982. Mas, como o artista não aceitava ficar longe de suas artes, esta foi a única exposição que participou em vida.

Biografia de Arthur Bispo do Rosario

Natural de Japaratuba, no interior do Estado de Sergipe, Brasil, Arthur Bispo do Rosario nasceu no ano de 1909, porém nunca voltou a esta cidade. Aos 77 anos, faleceu em 1989 na Cidade do Rio de Janeiro, RJ. Ainda jovem, em 1925, ingressou na Marinha, quando passa então a viver no Rio de Janeiro.

Logo após, trabalhou na empresa “Light”, como vulcanizador de transportes e, em paralelo, trabalhou como boxeador. Porém, teve de deixar o pugilismo após um acidente na empresa. Tendo em vista o acidente, Arthur Bispo do Rosario, ingressou com processo trabalhista contra a “Light”.

Neste ínterim, conheceu o advogado Humberto Leone e passou a trabalhar e morar em seu casarão, com serviços gerais. Na madrugada do dia 22/12/1938, no casarão, teve a revelação que mudou sua vida, quando foi ao Mosteiro São Bento e dizendo ser “aquele que veio julgar os vivos e os mortos”.

Quem foi Arthur Bispo do Rosario?

Conforme falamos acima, sua trajetória de vida foi alterada quando teve uma revelação. Quando, como relatado, por meio de mensagens de anjos azuis, foi incumbido de reconstruir as coisas pelo mundo. Nesse sentido, uma das suas obras indica esta noite através da frase “22-12-1938: eu vim”.

Entretanto, diante da então alucinação, ele foi considerada como louco, e levado para o Hospício Pedro II, no Rio de Janeiro, onde ficou um mês. Em seguida, foi transferido para Colônia Juliano Moreira, pois foi diagnosticado como esquizofrênico paranoico, onde ficou até o resto de sua vida.

Durante toda sua internação, de 1938 até sua morte, em 1989, ele desenvolveu suas obras, como uma missão para sua vida. Sem qualquer interesse financeiro, até porque suas obras ficavam “trancadas” em seu quarto. Assim, durante todos esses anos, foram mais de 800 obras.

Obras de Arthur Bispo do Rosario

Em suma, com agulha e linha, passou a bordar seus estandartes e pequenos tecidos. Bispo do Rosario produzia arte reutilizando materiais da Colônia Juliano Moreira. Neste sentido, tanto para seus bordados com linhas azuis quanto para arte com objetos.

Matérias-prima para as artes de Bispo do Rosario:

  • as linhas azuis retiradas de uniformes velhos de internos da prisão;
  • arames;
  • pedaços de madeira;
  • canecas;
  • fios de varal;
  • garrafas, entre outros.

Vida e obra de Arthur Bispo do Rosario

Somente após 18 anos de ter a sua revelação, que o Bispo despertou o interesse da mídia, de uma maneira inusitada. Em 1980, em matéria do Fantástico, da TV Globo, sobre a situação da instituição psiquiátrica Colônia Juliano Moreira, as obras de Arthur Bispo do Rosario foram vistas.

Em resultado, os trabalhos de Arthur Bispo do Rosario passaram a ser valorizados, integrando-se ao circuito de arte contemporânea que se iniciava. Com a divulgação de seu “quartinho” com inúmeras artes, seus trabalhos foram incluídos em uma primeira exposição de arte.

No Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), o crítico de arte Frederico Morais (1936), expôs os trabalhos do bispo em 1982. Desta forma, destacou como sendo arte de vanguarda e arte pop. Em suma, bispo inventariava suas obras como coisas do mundo, de formas diferentes.

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Obras de Bispo do Rosario

No entanto, somente a exposição acima durante a vida do Bispo do Rosario. Pois, este recusava-se a ser identificado como artista, e guardava suas obras consigo em seu quarto na instituição psiquiátrica. Ou seja, dizia que tudo era fruto de sua missão, para ser revelado no seu juízo final.

Sendo assim, suas mais variadas obras foram praticamente descobertas após sua morte, em 1989, quando a equipe da instituição fez todo inventário de suas criações que estavam guardadas. Entre as inúmeras artes, em sua maioria utilizando-se de bordados.

Assim, as obras eram, sobremaneira, estandartes, faixas de misses, objetos domésticos em justaposição e, sua mais famosa obra, o “Manto da Apresentação”. Bispo alegada que a utilizaria no dia do seu juízo final.

Exposições das obras de Arthur Bispo do Rosario

Logo após sua morte, suas obras tiveram reconhecimento nacional e internacional. Sendo assim, em exposições póstumas, podemos destacar as seguintes:

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    • 1989: Rio de Janeiro RJ – Registros de Minha Passagem pela Terra, na EAV/Parque Lage;
    • 1991 – Estocolmo (Suécia) – Viva Brasil Viva;
    • 1995 – Veneza (Itália) – Bienal de Veneza;
    • 1997 – Cidade do México (México) – no Centro Cultural Arte Contemporáneo;
    • 1999 – São Paulo SP – Cotidiano/Arte. Objeto Anos 90, no Itaú Cultural;
    • 2001 – Nova York (Estados Unidos) – Brazil: body and soul, no Solomon R. Guggenheim Museum;
    • 2003 – Paris (França) – La Clé des Champs et Arthur Bispo do Rosario;
    • 2009 – exposição coletiva “Neo tropicalia: when lives become form. Creative power from Brazil”, em Hiroshima;
    • 2015 – exposição coletiva “Programa Obra em Contexto: Contextos Contemporâneos”, no mBrac.

    Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea

    Ainda, de suas artes surgiu o Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea. Este museu foi criado na Colônia Juliano Moreira em 1980, porém só ganhou o nome do artista em 2000. Atualmente, o espaço é um centro de referência da pesquisa e conservação da obra de Bispo.

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