sujeito e literatura

A subjetividade contemporânea: o sujeito e a literatura

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Vamos propor uma reflexão sobre sujeito e literatura. Como a literatura ajuda a entender e formar a subjetividade contemporânea?

Cultura é um conceito amplo que pode ser definido, em minha preferência, por SANTOS “a cultura diz respeito a toda humanidade e ao mesmo tempo a cada povo, nação ou sociedade.”

Entendendo sobre o sujeito e literatura

Ao trabalhar esse conceito observa-se sua conexão com o tema deste artigo: as relações do sujeito com a sociedade e a importância da literatura como parte fundamental do sujeito. Primeiramente, a construção no subjetivo do sujeito, ou seja, em seu aglomerado de internalizações acerca do mundo; sem a limitação de pensamentos ou ideias, mas já definindo acerca do subjetivo que apresenta terminação em si próprio, o que é o indivíduo.

Portanto, cultura advém das relações construídas pelo indivíduo de acordo com seu ambiente em que se encontra, no entanto não iremos nos privar nesse âmbito e sim apontar em conformidade que o sujeito parte além das concepções de sua consciência.

Outra pergunta interessante para realizarmos: o que é consciência?

Segundo SARTRE, “toda consciência é consciência (de) algo”. A discussão inicia e volta-se para a pergunta: o que é cultura? A cultura, no subjetivo humano, é aquilo que se tem por ela aprendida e orientado pelo seu meio. É incoerente termos ciência de uma cultura externa ao nosso campo perceptivo. É marcante quando Sartre defende a ideia de que “Existo, logo penso”, a subjetividade é criação das relações posteriores à existência.

Assim sendo faltou trabalhar dentro das características que fundamentam a cultura, para tal ela transpõe sua íntima ligação na compreensão que os povos têm acerca dela. Portanto, a própria cultura faz parte do subjetivo de cada ser humano e cultura, como produto da comunicação entre os povos é representada hoje uma pequena parcela de sua produção no âmbito: literatura e arte.

Sujeito e literatura: a visão do velho hoje

Um dos trabalhos mais custosos para os linguistas é definir: o que é literatura. LAJOLO contribui para agregar as vastas teorias sua visão de literatura, “a literatura iguala-se a qualquer produto produzido e consumido em moldes capitalistas”. Qual a posição da literatura na cultura e a importância que ela tem na construção da subjetividade contemporânea? Pois bem, a literatura, como vimos para Marisa Lajolo, aparece nos moldes capitalistas de produção <-> lucro.

Infelizmente, a subjetividade nos dias atuais não se esquivam dessa característica predominante. Para entender o caso é necessário olhar na representação macro da sociedade: a cultura; posteriormente seu produto: o indivíduo. A literatura e a arte, entendidas por Kant, deveriam ter um fim em si mesmas, não tendo utilidades práticas, mas apenas artísticas com resultado no próprio sentido de existirem. Qual sentido? Nenhum, não precisam. Nos moldes capitalistas a produção de textos e a presença das mídias contrapõe o pensamento nos moldes do filósofo prussiano em função de servirem com uma finalidade: o lucro.

A partir do exposto, é perceptível a posição contemporânea da literatura como produto cultural. Contudo, qual a relevância disso para subjetividade e por que a visão do velho ainda perpassa sua presença nos dias atuais? Uma literatura relevante cultural não é tão presente na atualidade, conferindo à literatura perdas e ao mesmo tempo ganhos como o seu maior acesso.

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Filosofia, sujeito e literatura

Não me prendo a ideia de literatura aos clássicos e a filosofia, mas filmes, séries e até mesmo novelas são formas de expressões literárias em outras modalidades além das escritas. Desta forma, a perda de relevância cultural não existe, apenas demonstra-se de outras formas retirando da literatura a dificuldade de seu acesso revogado a livros e bibliotecas.

A acessibilidade permite a ampliação clara da subjetividade, mas o impeditivo que poderíamos constatar seriam outros: Oportunidades. Não intrinsecamente ligada ao acesso, como por exemplo, existem inúmeras escadas para os cadeirantes, mas sem oferta necessária específica para aquele grupo específico. Ou seja, a literatura está para todos, mas nem todos estão para a literatura. Psicológico.

A subjetividade é construída a todo momento com a relação com o meio e aqueles presentes, porém opsicológico é um fator extremamente importante. Do pé cheio de frutas, apesar do acesso é possível que o indivíduo as recolha com sua mão todas de uma vez? Qual garantia é dada de que haja o interesse por essa árvore? Enfim, diversas questões que não envolvem só o ato de existir uma grande camada de literatura acessível, mas como essa literatura chega a nós e permanece.

O sujeito e sua consciência

Agora é imprescindível falar dos impactos literários na sujeito e como a cultura influencia sua subjetividade. O sujeito nada mais é do que um pára raio das informações submetidas a ele, toda informação provocará alguma reação. Seja ela positiva ou negativa, não é meu propósito evidenciar essa relação, mas tratar de como, por exemplo, um ponto centrado em nossa cultura é de que os brasileiros são famosos pelo seu jeitinho. Tanto que Sérgio Buarque, sociólogo brasileiro, em seus estudos defende o jeitinho brasileiro.

No mais podemos perceber como a cultura influencia o pensamento dos sujeitos por ela impactados. Pretendo trabalhar nessa afirmação os impactos da literatura como produto de uma ideal utilitarista. O sujeito perde sua consciência, para uma consciência coletiva imprópria do real ser aparente naquele indivíduo.

O que é o homem se não seus desejos, muito trabalhados na psicanálise. Assim, analiso não a falta de desejo ou repressão, mas do que reprimir se muitos não sabem o que sentem ou melhor dizendo: não sabem como dizer. Pois tudo aparenta ser igual, um produto com mesmo fim e aparição. As mesmas danças, filmes e séries, a arte tem um fim, mas não nela mesma.

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    Conclusão

    O mesmo acontece com o sujeito, seu fim não recai em seus desejos; entendidos contemporaneamente por reprimidos ou “escassos”, mas perdidos na centralização do produto e não do sujeito. Portanto, a consciência, reafirmando Sartre, é consciência (de) alguma coisa. Tal consciência desassocia-se do sujeito e encontra-se na massa. A literatura deveria prover a expansão dos horizontes subjetivos, mas as produções capitalistas são de fato um grande entrave para a subjetividade contemporânea.

    REFERÊNCIAS

    SARTRE, Jean P. O que é subjetividade? Nova Fronteira; 1ª edição (1 maio 2015) ISBN-10: 8520923178 BRANCO, Lucrecia Paula Corbella Castelo. A constituição da subjetividade a partir de Sartre e Pirandello. Arq. bras. psicol., Rio de Janeiro , v. 63, n. 3, p. 31-44, 2011 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672011000400004&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 07 maio 2022.

    Este texto sobre sujeito e literatura na atualidade foi escrito por Miguel Marques Vieira da Silva, Graduando de Letras-Libras na UFRJ e estudante de psicanálise clínica no Instituto Gaio-SP. E-mail: [email protected]

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