bacharel em psicanalise

Bacharel em Psicanálise?

Posted on Posted in Curso de Psicanálise

Nesse enfoque sobre o bacharel em psicanalise, vamos abordar um tema que vem causando polêmica com debates divergentes, que por hora ainda não existe oferece uma convergência alinhada e nivelada, de forma harmônica, com relação à formação dos psicanalistas pela academia formal (Faculdades & Universidade).

A proposta da criação do bacharel em Psicanálise pelas universidades causou mal estar geral entre os analistas e dividiu os que são ‘pró’ e os que são ‘contra’ a proposta. Vamos examinar o tema e responder a seguinte indagação formulada e ofertada para reflexão: ‘Quais são as implicações da criação do curso do ‘bacharel’ em Psicanálise pelas faculdades e universidades? O tema é instigante e desafiador.

Introdução: sobre bacharel em psicanalise

Nesse artigo vamos abordar um tema que vem causando polêmica com debates divergentes, por hora ainda não existe uma convergência alinhada e nivelada, com relação à formação dos psicanalistas pela academia formal (Faculdades e Universidades). A proposta da criação do ‘bacharel’ em Psicanálise, no Brasil, num curso ofertado de forma inédita causou mal-estar geral entre os analistas e dividiu os que são ‘pró’ e os que são ‘contra’ a proposta.

Vamos examinar o tema e responder a seguinte indagação formulada e ofertada para reflexão: ‘Quais são as reais implicações da criação do curso de bacharel em Psicanálise pelas Faculdades e Universidades? O tema é instigante, desafiador e vem causando inclusive conflitos e rupturas entre os que não aceitam tal possibilidade.

Vamos examinar o que vai ser dessa proposta de bacharelado, como tem sido a formação dos psicanalistas, a questão da regulamentação e formalização institucional de um órgão de classe. Será que Sigmund Freud (1865-1939) aceitaria tal proposta se fosse vivo?! Tudo isso e muito mais vamos examinar. Porém, para dar tal passo precisamos saber o que é um curso de bacharel.

O curso de bacharel em psicanalise

A proposta que vem causando celeuma (divisões cognitivas) se refere a formação do profissional como ‘bacharel’ via uma Universidade ou Faculdade que por ventura venha ter a modalidade aprovada, seja ela presencial, semipresencial ou EaD (a distância), com grade de disciplinas (matérias) ou os créditos, cumpra os requisitos formais estabelecidos pela LDB, Lei de Diretrizes e Bases, nos moldes legais. Geralmente o bacharel é uma titulação que envolve alguns anos de estudos, mas no mínimo 4 anos.

A formação passa, portanto, a ser realizada num campus universitário ou numa faculdade cumprindo o que esta estabelecido na resolução e portaria expedida pelo Ministério da Educação. O curso passa a ser reconhecido formalmente pelo Estado através do Ministério da Educação com homologação e registro do diploma. Muitos analistas chamam de ‘chancela do Estado’.

Os cursos livres não tem a chancela, mas são realizados e podem ter certificados, atestados, ou declarações ou até um diploma; podem usar nomenclatura de bacharel ou tecnólogo, mas ‘pro forma’, sem valor legal, e não tem o reconhecimento estatal. Isso não impede de forma alguma que um curso livre certificado por um Instituto ou Associação ou Centro de Formação não possa ser lançado no curriculum da plataforma Lattes.

A Plataforma Lattes

Importante destacar que a Plataforma Lattes é um sistema de currículos virtual criado e mantido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, pelo qual integra as bases de dados curriculares, grupos de pesquisa e instituições em um único sistema de informações, das áreas de Ciência e Tecnologia, atuando no Brasil. Geralmente usada para examinar carreira cronológica de uma pessoa.

Muitos lançam no Lattes os cursos livres, mas especificam. Existem em vários países plataformas privadas com seus sistemas e os CV privados, pessoais. Mas, afinal, como era e como tem sido a visão e percepção da formação em Psicanálise antes dessa ideia do ‘bacharelado’ formal via academias?! Será que já existem algumas modalidades formais?!Sim, existem pós- graduações, puxados e empurrados pelas academias que emitem seus certificados.

A visão consuetudinária da Psicanálise

Eis então o cerne do conflito nos bastidores que divide opiniões, entre os analistas ‘pró’ versus os analistas ‘contra’. . A formação dos psicanalistas a partir de sua concepção, sistematização e instalação no tecido e imaginário social era e tem sido ainda, chamada de ‘consuetudinária’ ou seja, a tradição da formação pelos seus pares e geralmente com vínculos em associações. Uma linha própria.

Leia Também:  O que faz um Psicanalista? Conheça seu mercado de trabalho

A formação em vários países tem sido consuetudinária, ou seja, por fora da academia ou extra-acadêmia e de excelente qualidade. Em que pese, tenham ocorrido propostas como a de Jacques-Marie Émile Lacan (1901-1981) psicanalista francês, que idealizou e tentou implementar o ‘passe’, uma forma embora por fora da academia, mas que deveria ocorrer com um argumento de qualificação e não obteve êxito.

Foi uma proposta que não encontrou eco e não prosperou porque não foi aceita. Entretanto, a formação teve e ainda tem um tripé, onde existe a parte teórica, a supervisão e o acompanhamento de colegas pela supervisão e discussão de cases. Algumas associações criaram seus métodos próprios.

A hierarquia do saber

Contudo ainda continua com um viés bem consuetudinário, ou seja, por fora da academia. A academia é entendida como o ‘locus’ da hierarquia do saber nas Universidades e Faculdades. A visão ‘extra-acadêmica’ ou ‘contra acadêmica’ não aceita a hierarquia do saber e muito menos vê como importante a titulação.

Vale salientar que embora ainda não tenhamos o bacharelado já existem as especializações ‘latos e strictos sensus’, ou seja, as pós-graduações e mestrados e até doutorados puxados e empurrados pela academia formal em vários países do planeta.

Os ‘prós’ e ‘contras’ com relação ao ‘bacharelado’

No Brasil surgiu essa polêmica quando uma conceituada ‘Universidade’ lançou proposta de formar bacharéis em Psicanálise para o mercado emergente fazendo a ponta que será seguida pelas demais que tenham projetos nesse sentido. Muitos analistas de chofre se insurgiram contra a proposta. Obviamente, em face da objeção, surgiu um rol de motivos, e no topo deles, a pré visão da outra etapa pós-formação, a regulamentação com inevitável criação de órgão de classe por lei imperativa.

Porém, esse não seria problema se fosse facultativa a adesão. Ocorre que parcelas desejam que seja obrigatória a adesão e pagamento de anuidade ou mensalidade. Isso formará um bolsão controlador como tem sido, por exemplo, o Direito e a Contabilidade no Brasil. Tentaram na Engenharia e Medicina em que pese tenham órgão de classe que são obrigatórios, porém, sem provas (exames) de escrutinação e seleção inobservado a prerrogativa do diploma.

    NÓS RETORNAMOS PARA VOCÊ



    Quero informações para me inscrever na Formação EAD em Psicanálise.

    Este ponto tem sido muito grave e delicado no case brasileiro e chamado de ‘darwinismo social’. O bacharelado na c concepção de muitos analistas, poderá direcionar para a regulamentação e formação de órgão federal e estaduais de classe. E a formação que tem sido consuetudinária terá que se diluir na academia. Poderá afetar produção técnica profissional em que pese muitos publicam seus artigos e enfoques em revistas especializadas de academias inclusive.

    Bacharel em psicanalise e a neuropsicanálise

    A favor existem muitas correntes sendo que a linha da Neuropsicanálise deseja uma formação mais acadêmica e que possa se unir a Psicanálise com a tese de que a mente não esta isolada do cérebro. A premissa é que o cérebro produz e é a sede da mente.

    Muitos analistas possuem entendimento que a Psicanalise corre riscos de ir pela via da academia e até melhorar seu método e crescer e se expandir muito mas ficar dominada pelos psiquiatras e psicólogos, neurologistas e neuropsicanalistas.

    A Psicanálise pela via acadêmica formal com máxima certeza irá formar pontes pela via inter, pluri, multi, trans e polidisciplinariedade. Consideram uma visão pós-moderna e de vanguarda e de tendência muito forte a Psicanálise com a Neurociências.

    Muitos querem esse rumo, sentido e direção

    Outros desejam que a velha guarda permaneça e quem quiser vá em frente, mas que não destruam a vertente consuetudinária de tradição freudiana. Não querem ser médicos, nem psicólogos e muitos menos psiquiatras, desejam simplesmente ser psicanalistas da nata e vertente antiga.

    Muitos temem as intensões da agenda oculta da Psiquiatria pós-moderna, da Neurologia emergente e da Psicologia Quântica. Existe para muitos analistas uma crise de tentativa de usurpações de atribuições, entretanto, a Psicanálise tem seu objeto, o inconsciente.

    Bacharel em psicanalise, regulamentação profissional e órgão de classe

    O argumento de que a institucionalização da Psicanálise pela academia levará indubitavelmente a regulamentação judicial, por lei, da profissão e o controle de órgão de classe colegiado centralizador assusta muitos analistas. Porque S. Freud (1856-1939) era médico neurologista, mas face não ter se agradado de usar a ‘hipnose’ para acessar o inconsciente e até tentou a pressão, abandonou tais concepções e partiu para criar o seu método próprio, a ‘livre associação’ com o uso da palavra e os reforços através da análise também pelos lapsos, sistes, atenção flutuante; Freud criou o seu método.

    Leia Também:  Psicologia e psicanálise: principais diferenças

    E este foi o diferencial dele como um novo entrante e potencial substituto com seus diferenciais no auxílio da cura pela palavra. Para muitos analistas essa via vai ficar prejudicada com uma Psicanálise de viés mais acadêmico que prioriza a hierarquia do saber e famosas ‘vacas sagradas’ tituladas levem para o lado da Sociologia, Antropologia, Ciências Políticas, Teologia, entre outros ramos, distorcendo a Psicanálise.

    O risco da titulação e das decorebas é grande. Forjar um bom analista psicanalista leva-se anos no ‘setting’ e na supervisão, debates e produção. Será que a academia pela via formal estaria à altura com mestres e doutores para alcançar tal entendimento ?

    O órgão de classe

    Este seria o risco da titulação e regulamentação e do órgão de classe como um bolsão que tem demonstrado que caminham para o lado da criação de ‘clusters’, de ‘pool’, e culminam na linha rentista monetarista com tabelas, e tudo mais, o que pode levar a ser algo de luxo e para certas classes de renda, quebrando a capilaridade que era a inspiração de Lacan. Lacan tirou a Psicanálise só para nobreza e classes altas e levou para classe média francesa chegando nas classes populares.

    Por outro prisma, a pesquisa poderá avançar, mas ser travada pela verve dos que desejam a Neuropsicanálise substituindo no futuro a Psicanálise. O debate continua forte nos bastidores entre os analistas ‘pró’ versus os analistas do ‘contra’ a criação do bacharel em Psicanálise por tais razões supra elencadas. A percepção possível sobre ‘legado’ de Freud e a formação acadêmica formal.

    O Sigmund Freud (1856-1939) tem sua historicidade e enraizamento na Psicanálise como médico e laborava na esfera neurológica; ele sabia que a mente era produto do cérebro. Que a mente jamais era algo solto e sem vínculos neurológicos. Em 1895, ele concebeu e elaborou um texto sobre um possível projeto para uma visão neurobiológica que pudesse explicar via cérebro como ocorre a mente.

    Bacharel em psicanalise e o acesso ao inconsciente

    Entretanto, ele mesmo refere em seus escritos de próprio punho que o ‘acesso ao inconsciente’ é que ele denominou de ‘Psicanalise’ e que ele não tinha uma predileção por ‘hipnose’ e desejava algo novo e de fato, ele sistematizou um novo método para atingir o inconsciente. A este método ele deu o nome de Psicanálise, ou seja, um novo caminho pavimentado para chegar aos portões do inconsciente sem a pessoa perder os sentidos. Mais tarde, a Neurobiologia cerebral provou o inconsciente. O inconsciente existe.

    Como acessar a ele, eis o desafio. Ainda paira uma dúvida do que seja o inconsciente, se é ou não resultante de sinapses das conexões cerebrais e feixes nervosos ou se é a própria alma ou espírito dos seres humanos infundido por Deus pelo sopro. Ainda existe uma aura de mistério a ser descortinada. Bem como, outro ponto, alguns animais possuem um inconsciente? Não possuem a fala, mas teria um inconsciente?

    Existe o célebre relato bíblico de um burro que falou com seu dono, fato bíblico. Antes do dilúvio existem relatos apócrifos que animais falavam. Para Freud era possível que animais tivessem pensamentos e até um inconsciente. A libido é um fato biológico.

    O legado de Freud e o bacharel em psicanalise

    Charles Robert Darwin (1809-1882) naturalista, geólogo e biólogo britânico, célebre por seus avanços sobre evolução nas ciências biológicas mais tarde diria que somos animais emancipados da natureza apenas pela fala, articulação de fonemas.

    E após, com ajustes finos dominaríamos a escrita. Fala e escrita emanciparam os humanos?! Eis um mistério ainda a ser perquirido. Portando, o legado do Freud estava vinculado a um método que substituiu e competiu com um novo método, ou seja, a hipnose sendo superada pela psicanálise.

    Conclusão sobre o bacharel em psicanalise

    Em face do todo supra exposto, vamos neste pequeno enfoque, ofertar uma opção de resposta ao questionamento que foi formulado: “Quais são as implicações da criação do curso de ‘bacharel’ em Psicanálise pelas Faculdades e Universidades ?”

    Em rigor, estamos falando em termos de Brasil e não em termos globais, portanto, não haveriam implicações, se e somente se, a formação for desencadeada com vistas ao aprimoramento da Psicanálise e não a formação de um bolsão com foco numa regulamentação e criação de órgão controlador de adesão obrigatória e compulsória e imposição de anuidades. Até porque já existem pós-graduações lato e stricto sensus, como especialização e mestrado e inclusive doutorados, puxados e empurrados por Faculdades e Universidades.

    A Psicanálise ganharia muita tração em termos de pesquisas e ótimas interfaces tanto inter, pluri, multi, trans e polidisciplinares. Não esquecendo que ela é um método de acesso ao inconsciente. A Psicanálise não é Sociologia, nem Filosofia, nem Antropologia e muito menos Teologia e Ciências Políticas. O simples fato de um Universidade e/ou Faculdade conseguir resolução e portaria do MEC (Ministério da Educação) para deflagrar uma graduação desde que qualificada para tal, não seria problema algum.

    Leia Também:  Psicanalistas e Psicólogos em Belém: 20 melhores

    A criação do Staff e o bacharel em psicanalise

    O desafio será no futuro a tentativa de regulamentação com a criação de um ‘staff’‘ colegiado e a aplicação da linha rentista monetarista de extração de renda e centralismo impositivo por força de lei, o que indubitavelmente vai gerar um bolsão, uma bolha hermeticamente fechada e blindada por leis, e uma batalha para impedir as forças consuetudinárias e suas produções, de reproduzir seus saberes. Essa tem sido a força motriz natural da Psicanálise.

    Justamente isso que se observam em vários setores que estão dominados pelas bolhas e até envolvido em disputas judiciais para remover staff’s que se apoderam das direções. Além disso, o risco de formação de cartéis, monopólios, cluster e pool para disputas institucionais de grandes projetos como SUS entre outros planos de saúde nacionais. A Psicanalise continua ainda autoimune a tudo isso que corrompe o tecido social, oxida e geram relações tóxicas emergindo patologias psicossomáticas.

    Esse seria ‘em tese, e a priori’, o grande risco a médio e longo prazos. O debate, a discussão, a luta de tese e contra tese num devir dialético forte continua dos ‘prós’ e ‘contras’ criação do bacharel em Psicanálise, com relação aos seus efeitos colaterais.

    O futuro e o bacharel em psicanalise

    Se tal risco for isolado e neutralizado por cognitivos fortes, a formação dos bacharéis paralelos a outras modalidades de formação, a principio não causaria ameaça alguma, apenas ganhos de estudos, interfaces, intersecções, pesquisas e troca de experiências e aprendizados.

    O perigo sempre são as mentes tóxicas que desejam caminhos que desagregam. O futuro será dos que desejam interfaces e partilhar saberes por interfaces, fazendo o que se gosta, sem invasão de esferas e atribuições. Por fim vale o seguinte bordão: “ado, ado, ado, cada um no seu quadrado!”

    Artigo escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira, Licenciado em História e Filosofia. PG em Psicanálise. PG em Filosofia Clínica, PG em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica. Cursando Neuropsicanálise. Contato via e-mail: [email protected]

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado.