Big Brother segundo a Psicanálise

Big Brother: o que é o BBB para a psicanálise?

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Hoje entenderemos sobre o Big Brother segundo a Psicanálise. Um programa televisivo, o Big Brother Brasil foi criado em 1999, tendo sua primeira edição exposta na Holanda, tendo como inspiração o livro intitulado “1984” do autor George Orwell, no qual numa visão de uma sociedade futurista, todas as pessoas são filmadas em todas as suas atividades do dia a dia.

Entendendo o Big Brother segundo a Psicanálise

O ditador que tudo controla e vê é chamado de Big Brother, vendo tudo da Oceania, governando a população através das telas. Teve sua primeira edição no Brasil em 2002, pais que bateu recorde de tantas edições e de sucesso anual desde então, sendo o ponto forte do programa a visibilidade ofertada aos participantes. Nos quais, independente, do que isso gere, acabam por fazer a escolha entre a perda da privacidade em prol de uma visibilidade de cunho nacional. Diferentemente do livro, os participantes do programa, em sua maioria, acabam gostando da vivência e da ampla aparição, como um método de galgar uma fama e visibilidade propriamente.

Os moradores da cidade do livro, em sua maioria, haviam se adaptado com a rotina sem privacidade, e acabam por se moldar a uma rotina de controle, subordinação e fiscalização diária feita pelo Big Brother, mas, a diferença, como dito acima, consiste substancialmente que estes habitantes aparentemente não possuem o direito de escolha sobre o modo de levar a vida, o no programa é um ato não só de escolha, mas disputado por milhares de pessoas, escolhidas por critérios estabelecidos pela produção do programa.

Os participantes enclausurados, postos a conviver com pessoas desconhecidas e de hábitos e personalidades completamente distintas, são uma bomba relógio para possíveis confusões originadas pela convivência e pela exposição a situações nas quais não possuem contato com ninguém de fora do ciclo do programa, o que possibilita uma total alienação ao que se está vivenciando dentro da casa, por vezes exaurindo o senso crítico diante de situações bobas e levando os participantes a uma extrema exaustão mental e psíquica diante da mesmice da casa e do intenso convívio.

Big Brother segundo a Psicanálise e a rejeição

Coadunados com o medo diante da possibilidade de perder seu espaço no programa que mais se parece com um medo de rejeição em todos os aspectos, fazem a saúde mental dos participantes ser testada a todos os momentos. Os moldes do programa se baseiam numa estrutura toda feita para gerar a saturação e stresse, como “ratinhos de laboratório” teleguiados pela produção do programa e pela crítica cruel e massiva dos verdadeiros Big Brothers que se encontram na plateia julgadora dos comportamentos e personalidades.

Lacan trouxe consigo conceitos sobre: Sujeito que é um indivíduo marcado pela divisão consciente/inconsciente; Outro é onde se posiciona a cadeia do significante que determina o tanto quanto vai presentificar-se o sujeito, é o meio vivo o qual o sujeito tem de aparecer; o pequeno Outro é aquele cuja palavra não faz muita diferença na vida, ou seja, porque as pessoas que se encontram nessa posição atuam apenas como extensões ou projeções de nós mesmos; o grande Outro se torna uma instância, podendo não estar personificado, que executa proeminentemente uma característica de Determinação.

Nesse passo, fica fácil a identificação dos participantes como pequeno Outro e da plateia como grande Outro, havendo inclusive uma perda do papel de sujeito com sua unicidade por parte dos participantes, já que figuram quase como personagens dessa engrenagem que o jogo perpassa.

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O inconsciente e as personalidades

Inicialmente, no que se refere a produção do programa, esta cuida de prover atos em consonância com a inserção de fatores de grande stress, como privação do sono, frio intenso nos quartos, exposição a conflitos e intensa competição entre os participantes pela liderança que significa a permanência na casa, num ato de autoflagelo em concomitância com uma busca incessante pelo poder que poderia se caracterizar como uma atitude de pessoas com personalidade narcísica, que no geral possuem uma grande necessidade de admiração e falta de empatia.

O ser humano possui uma tendência de quando exposto a situações de grande stress e pressão, trazer à tona sentimentos e comportamentos reativos a esta pressão, que podem ser denominados de mecanismos de defesa que, por sua vez, são estratégias do Ego, de maneira inconsciente, de se blindar contra possíveis ameaças direcionadas a personalidade, que são: negação, formação reativa, projeção, deslocamento, identificação, isolamento, racionalização, intelectualização, sublimação.

O mais comum no programa é o isolamento no qual algum participante se distancia das relações entre os conviventes, se posicionando como vítima de ataques, se isolando do contexto de convivência e de jogo. Fato é que os que mais se destacam conseguem alcançar o carisma do público de fora da casa, que fica julgando e num ato de interação com o jogo vota em quem considera que não deve mais continuar jogando.

Conclusão

No Big Brother segundo a Psicanálise, numa análise das personalidades que venceram o Big Brother é comum encontrarmos pessoas que de alguma forma foram injustiçadas na casa, possivelmente pelo costume que o ser humano tem em sempre defender e torcer pelo lado “mais fraco” de uma situação, mesmo que inconscientemente.

É de se questionar o motivo desses indivíduos se colocarem nessa situação de exposição continuada, de oprimidos socialmente, sendo os opressores toda a sociedade julgadora, e ao mesmo tempo não se considerarem nesse local de relação oprimido x opressores, mas, apenas se intitularem como “vistos”. Num pensamento continuo de que serem “vistos” é sinônimo de fama, ou seja, o quanto que não é considerado como perdido na busca de ser famoso. E qual o significado de ser famoso?

Toda essa engrenagem faz com que os telespectadores esqueçam um pouco dos seus dramas e das suas questões e vidas sem graça, para exercerem a função de julgadores e desta forma se sintam com um poder sobre a vida alheia quando a partir de uma votação escolhem quem fica e quem sai, num ato de puro controle e perversidade por vezes. Talvez esse seja um dos motivos de tanto sucesso e da continuidade do programa por muitos anos. Restando o questionamento: Que engrenagem é essa que oferta o Poder a um grupo de pessoas para decidir sobre a vida alheia?

O presente artigo foi escrito por Priscila Wanderley Saraiva([email protected]). Psicanalista com foco no social.

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    2 thoughts on “Big Brother: o que é o BBB para a psicanálise?

    1. Como nunca assisti o Big Brother, esse texto , para mim, foi muito esclarecedor. Vou tentar assistir qualquer hora, ainda mais gora que tenho um “feed back” psicanalítico. Agradeço á autora e ao curso. .

    2. Bom comentário! Na verdade vivemos nos últimos dois anos e ainda tentam continuar com esse “grande BBB”, citado no livro “1984” de George Orwell. Essa tal de “pandemia” que na realidade é um grande “BBB” que é responsável pelo imenso número de pessoas com doenças mentais.
      E BBB da Globo lixo, foi a que conseguiu mostrar se o ego e o superego não consegui o equilíbrio da racionalidade, o ID sairá vitorioso. Será esse resultado que vemos cheios de abestados!

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