bloqueio mental

Bloqueio mental na vida e na terapia

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Neste artigo falaremos sobre o bloqueio mental na vida e na quando surge na terapia.

Análise, diante de qualquer situação, consiste em um exame detalhado sobre determinada matéria ou assunto, com o foco na observação de todos os elementos que formam cada parte de um todo.

Também chamada de Análise, temos a Psicanálise, que é uma disciplina fundada por Freud que consiste em analisar, na maioria das abordagens, através da associação livre do sujeito evidenciando o significado inconsciente de palavras, ações, sonhos, fantasias, delírios e diferentes manifestações trazidas pelo sujeito. Continue a leitura e entenda mais sobre o assunto.

O bloqueio mental e a resistência no dia a dia da análise

O método psicoterápico baseado nestas investigações depara-se com diferentes tipos de resistências podendo ser resistência transferencial ou do desejo. A resistência tem uma relação oscilante com a associação livre e o desejo de estabelecer uma comunicação. A identificação da resistência se inicia no processo de escuta do analista. Na escuta, o analista busca pelo processo inconsciente que originou aquela situação.

A descoberta e identificação da resistência deverá ser a primeira tarefa do analista diante do exercício da análise Caso o sujeito esteja dificultando a compreensão e elucidação do processo de resistência que ele apresenta, o dever do psicanalista é levá-lo à compreensão de que há um bloqueio por parte dele, o porquê ele está resistindo e como está resistindo.

O sujeito que está resistindo geralmente está tentando fazer um bloqueio mental, ou seja, bloquear emoções que lhe causam dor. Por exemplo, as emoções como vergonha, culpa, medo, ansiedade ou até mesmo a depressão são oprimidas durante o atendimento. A resistência pode também ser observada na união da fala com os gestos e expressões corporais.

Comportamento gestual, não-verbal e o bloqueio mental

A observação do comportamento gestuais e não-verbais que o sujeito apresenta durante a fala pode ajudar o analista a compreender sobre afetos ligados à fala e consecutivamente, ligados à resistência. A linguagem do analista deve ser direta, clara, simples e concreta. Diante disso, o analista pode questionar o sujeito acerca dos sentimentos que lhe ocorrem enquanto fala para ajudar a trazer um pouco do conteúdo inconsciente que está havendo resistência.

O analista deve considerar que as resistências que se exaltam no momento da análise não são frutos novos, ou seja, não é um comportamento novo e sim um novo jeito de expressar um velho fato. A resistência vem de uma repetição de fatos passados. Existe uma situação primordial a ser considerada quanto às resistências que é a questão transferencial. Há quem diga que a fonte mais frequente de resistência está na relação de transferência entre o analista e o analisando.

Quando as resistências analisadas não trouxerem frutos para o acesso dos conteúdos inconscientes, deve-se lançar mão de observar e codificar as reações transferenciais. A transferência pode derivar de sentimentos, atitudes e/ou fantasias que um paciente vivencia na situação analítica para com o Psicanalista que surgem através de processos inconscientes. Por exemplo: características de mãe, pai, familiares, amigos e outros são atribuídas ao analista.

Afetos, impulsos e fatos

Recapitulemos então os prováveis caminhos da resistência: analisamos os afetos, impulsos e fatos que podem ter causado determinado tipo de resistência. Não surtindo efeito, lançamos o olhar sobre os fatores transferenciais e geralmente aí está o caminho mais favorável para a investigação.

Porém, quando essa forma de resistência tende a se repetir devemos passar a atenção para o que se chama de traço de caráter e o que o paciente está fazendo durante as sessões, mudando o rumo da análise para analisar a resistência em si, podem ser as chamadas defesas de caráter. Todos esses movimentos anteriores foram para levar o paciente ao entendimento e identificação do que o levou ao bloqueio mental em seu comportamento, resistindo, seja por meio de ações, palavras e/ou gestos.

A partir da identificação, o papel do analista é fazer o esclarecimento e isso se dará fora da análise, ou seja, o analista sai do papel de analisador e passa a ser o esclarecedor daquela ação lançando luz à cabeça do analisado. Um exemplo de esclarecimento que o analista fará pode ser por meio de questionamentos como: O que aconteceu na sua vida que te levou a traçar esse comportamento de resistência?

Considerações finais

Quaisquer que seja o nosso posicionamento, quer seja como estudante ou como analista habilitado, estejamos conscientes de que o bloqueio mental, advindo da resistência sempre acompanhará o processo terapêutico, como já disse Freud sobre os diferentes tipos de resistências: ela vai estar presente em cada sessão, em cada aspecto e em cada passo até que a análise chegue ao fim.

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Então, a cada passo, a cada análise, a cada resistência precisa haver o processo de elaboração. A elaboração é o remédio para cada bloqueio mental e cada resistência que surgir, assim como cada resistência é parte fundamental do processo analítico como um todo. O paciente que pratica bloqueios e resistências de forma consciente ou inconsciente não deve ser alvo de críticas ou quaisquer formas de rejeição.

O bloqueio não é um defeito, um erro, uma birra ou uma fraqueza. O bloqueio mental é parte do processo analítico, é a expressão do paciente e constitui uma parte preciosa e necessária dentro do processo analítico caracterizando a Psicanálise.

O presente artigo foi escrito por Alana Carvalho([email protected]gmail.com). Psicanalista, Hipnoterapeuta e Reikiana. Traz a Psicanálise como pilar de todo e qualquer conhecimento que ela vem adquirindo e trabalhando profissionalmente. Com a Psicanálise é livre para pensar e se expressar no mundo e consigo mesma.

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    2 thoughts on “Bloqueio mental na vida e na terapia

    1. Penso que há questões em que ir no “âmago” delas, desenvolve no analisando um mecanismo de defesa, até para o cliente ou paciente, também, ou seja, em toda interação interpessoal que há! Assisti uma reportagem ontem, em que médicos estariam criticando, planos de saúde sobre o excesso de exames solicitados! Mas, eles os médicos deixam a cargo dos pacientes a responsabilidade (pela possibilidade de ocorrência de efeitos colaterais) advinda da medicação “para o contraste” do Órgão e ser melhor “filmado, nas imagens”; a própria Tomografia, longo questionário e sempre que me pedem, penso porque não podemos, nós pacientes, preencher, na tranquilidade pré exame em residência! Noutra ponta, me parece razoável, especialistas na saúde do homem, por exemplo e, se for homem, passar por uma consulta com sexologo! Me parece “singelo” a próstata ser avaliada em seu volume e marcador PSA, se relações sexuais alteram esses dados. Também quando os médicos sabem que a glândula pode inflamar, pelo acúmulo de resíduos, após cada orgasmo e ejaculação! Nesse caso, sugere um conflito dos especialistas homens, entre a atração que, por ventura, sentem pela região genital masculina e a reação frente ao orgasmo prostatico e ejaculação do paciente, ainda mais a dúvida que surgirá: reação meramente fisiologica ao exame, pelo examinado, ou “clima sexual mútuo” ai o médico convencer ou não ao paciente que esteja lhe desejando (quando a excitação peniana, do médico, ocorrendo)! Em suma, por pressão cultural, social, pudor, falar sobre si exige chegar a um grau de empatia e até ausência de hierarquia em certos momentos! Será que os sentimentos podem ficar em casa, nas consultas que se realiza e serem reprimidos em nome do objetivo inicial de um trabalho profissional? Por exemplo, uma colega, chefe, se resguardava tanto na palavra final ser dela, mas deixou-se iludir pelo “charminho” de um funcionário, que a turma do “deixa disso” fez ela aterrizar do momento “cinderela”: ela foi “puro sentimento” e nada racional!

    2. Muito bom artigo! Esse bloqueio mental, não seria que o paciente, apesar de estar fazendo análise, estaria com medo de descobrir o que está oculto?

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