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Caráter, Comportamento, Personalidade e Temperamento

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Este artigo tem o objetivo trazer esclarecimentos sobre: caráter, comportamento, personalidade e temperamento, este trabalho desmembra conceituadamente cada uma das vertentes e apresenta o que a psicanálise diz sobre cada uma.

Vamos ver as diferenças entre caráter e personalidade, diferenças entre personalidade e temperamento. Caráter, Comportamento, Personalidade e Temperamento: O que a Psicanálise tem a dizer?

Palavras chaves: dimensões subjetivas que constituem o ser humano, características humanas, caráter; comportamento; personalidade e temperamento humano.

Introdução sobre o caráter

Falar de caráter, comportamento, personalidade e temperamento é algo que requer “uma lupa” analítica. A Psicanálise por ser uma ciência investigativa, atua plausivelmente nas dimensões subjetivas nas suas características que se entrelaçam, nos contextos internos/externos que constituem o ser humano no que vem ser, ter, perder, se refazer e escolher como afinal deseja se apresentar no mundo.

Dimensões que constituem o ser humano, o que diz a Psicanálise Caráter, comportamento, personalidade e temperamento, são vertentes que possuem características distintas que se entrelaçam e descrevem o ser humano na sua conjuntura e particularidades individuais, ou em grupo, e que vamos chamar aqui: descrições de “perfil humano”.

Para se viver em sociedade é necessário se adequar a um grupo social, e isso acontece desde a infância, o ser humano é orientado a se enquadrar no modelo social no qual vive e assim se construindo como ser pertencente a este grupo, podendo no seu caminhar, criar um modelo, ou migrar para outro grupo.

Conceituando o caráter

Resumidamente as vertentes: Dicionário em Português (Dicionário on-line): Caráter: “Conjunto de qualidades (boas ou más) que distinguem (uma pessoa, um povo); traço distintivo: o caráter do povo brasileiro”. Comportamento: “Conjunto das atitudes específicas de alguém diante de uma situação, tendo em conta seu ambiente, sociedade, sentimentos, etc”. Personalidade: “As características próprias e particulares que definem moralmente uma pessoa”.

Temperamento: “Conjunto dos aspectos psicológicos e morais que condicionam o modo de ser e de se comportar: temperamento calmo. Dicionário de Filosofia: Caráter: …“uma marca indelével, um sinal permanente ou distintivo”. – Sponville, p. 90. Comportamento: “Opõe-se a movimento ou motivação, e mais geralmente a tudo o que se pode ser aprendido subjetivamente ou do interior”. – Sponville, p. 113/114.

Personalidade: “O que faz uma pessoa ser diferente de outra, e de todas as outras, não apenas numérica, mas também qualitativamente”. – Sponville, p. 452. Temperamento: …“conjunto dos traços gerais que caracterizam a constituição fisiológica ou individual de um ser”. – Sponville, p. 585. Todo o cenário subjetivo é material investigativo da psicanálise, afinal o ser humano é constituído de inúmeras características, sendo uma ou mais que transcende, que deixa o ser humano em pé, é a “viga” que sustenta todo “o edifício humano”.

Psicanálise e caráter

Portanto, a psicanálise é neutra. No dicionário de psicanálise não existe conceito para as vertentes, mas entrelinhas é assim que a psicanálise “se expressa”: caráter: “possui forte associação nas intenções do ser humano, é algo que se constrói e depende de inúmeros fatores, é algo mutável”, comportamento: “postura que o ser humano se apresenta socialmente”, personalidade: “é o que a pessoa é de fato, e Freud diz que existem apenas três tipos de personalidade: a neurótica, a psicótica e a perversa”, temperamento: “é o que a psicanálise chama de Selfie, do ser” e é algo inato, mas por condições sentimentais, pode sofrer com uma variante emocional.

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O contexto cognitivo, existe a herança genética. Todo este cenário pertence a fatores inconscientes, por Freud: “O que estamos relacionando aqui é, de um lado o gasto psíquico em uma representação e, de outro, o conteúdo disso que é apresentado.” – Freud, p. 271. Lacan nos diz que o ser humano se expressa no seu desenvolvimento – objetivo/subjetivo – por símbolos até que conquiste a maturidade devida se mostrar como significante do seu próprio eu.

No entanto, cabe sempre a psicanálise investigar qualquer sintoma em prol da saúde mental e todo o contexto objetivo e subjetivo que engloba a vida humana.

As características humana, e o que diz a Psicanálise

A esfera psicogenética ainda tem muito por se descobrir, e essa afirmativa é real e simbólica, pois a esfera subjetiva pode “sofrer mutação, transmutação”, modificando o cenário e sentido de existência do próprio ser humano, que morre subjetivamente e ao mesmo tempo nasce, renasce com outro sentido de vida, deixando de ser símbolos genéticos e revelando assim o seu significado de existência, e não mais um significante de/pra alguém.

Segundo Lacan: “O primeiro símbolo em que reconhecemos a humanidade em seus vestígios é a sepultura, e a intermediação da morte se reconhece em qualquer relação em que o homem entra na vida de sua história.” – Lacan, p. 320.

Afirmativa de Lacan, é coerente. O a evolução subjetiva é possível, pois fatores emocionais e sentimentais são mutáveis.

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    Metáfora sobre as vertentes: caráter, comportamento, personalidade e temperamento, e o que diz a Psicanálise

    A pessoa ao contar piadas porque sente prazer arrancar risos (o gracejo é comportamento), mas no conteúdo da piada (a personalidade transcende) há a finalidade em ludibriar quem ouve (o caráter se mostrando) e assim agir de má-fé, que ao ser percebido age em sequencia ações agressivas podendo ser físicas ou verbais (o temperamento destemperado) contra a vítima, sendo assim, o prazer real é o de aplicar golpes.

    “O que brota do sujeito é essencialmente um desejo cego de prazer” – Jung, p. 59. Um humorista, com temperamento explosivo, cuja personalidade é de característica perversa, apresenta comportamento de gracejo aceitáveis pela sociedade, mas possui um caráter de cunho que entra na esfera judicial, por Jung: “Não há dúvida de que o impulso de poder penetra no que há de mais sublime e mais real na alma humana”. – Jung, p. 67.

    Geralmente o temperamento esta enrustido em conjunto com todas as ações, porém, se expressa no impulso, fortemente quando certo objetivo não é alcançado, e a psicanálise age com neutralidade, jamais julga, condena ou absolve, Fink nos diz o seguinte: “O ponto forte da psicanálise não reside no fornecimento de um ponto arquimediano fora do discurso, mas simplesmente uma elucidação da estrutura do discurso em si.” – Fink, p. 168.

    A articulação da metáfora

    A articulação da metáfora é simplesmente analogia dos símbolos e figura um perfil humano, portanto, passa longe de colocar a profissão humorista como sociopata.

    A metáfora serve apenas para descrever traços sociopata, pois os sociopatas estão espalhados estrategicamente pelo mundo com e sem profissão.

    Conclusão

    Enfim, finalizo este artigo com afirmativa de que o ser humano é uma infinitude de aspectos psíquicos, emocionais e sentimentos, e que envolve genética. Qualquer pessoa, pode apresentar qualquer característica das vertentes e ao mesmo tempo, nas ações/reações.

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    Referências Bibliográficas

    Fink, Bruce – O sujeito Lacaniano, entre a linguagem e o gozo – p. 168, 1º ed., Zahar, 1998. Freud, Sigmund – O chiste e sua relação com o inconsciente [1905] – p. 271, 1º ed. Companhia das Letras, 2017. Jung, Carl – Psicologia do Inconsciente, 7/1 – p. 59, 67, 24º ed., Editora Vozes, 2020. Lacan, Jacques – Escritos – p. 320, 1º ed., Zahar, 1998. Sponville, André – Dicionário Filosófico – p. 90, 113/114, 452 e 585, 2º ed., 2011. Aurélio – Dicio, Dicionário Online de Português – pesquisado em 03 de agosto de 2021.

    O presente artigo foi escrito por Jamily Sombra([email protected]). Eterna pesquisadora de conhecimentos sobre a subjetividade humana.

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