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Catarse e Método Catártico em terapia

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Você já ouviu falar em catarse ? Com o terceiro grande tapa na cara do Sapiens, a Psicanálise inaugura – por assim dizer – um novo episódio na História. Sim, primeiro Copérnico esbofeteia-nos dizendo que a Terra não é o centro do universo, depois Darwin nos traz A Origem das Espécies dizendo que sim, evoluímos, ou seja, não somos fruto de um criacionismo mitológico qualquer. São dois tapas na cara, correto? E Freud cunha o terceiro grande momento da busca científica de nossa espécie com a palavra “inconsciente”.

Dito isso estamos contextualizados: não ao antropocentrismo, não ao criacionismo e não ao consciente como única manifestação do mecanismo psíquico humano. Com isso aprendemos um ponto central de nossa curta existência sobre esse pálido ponto azul: não somos o centro de nada. Contudo não é essa a abordagem principal do presente texto. Se até aqui nos situamos enquanto meros coadjuvantes na história é hora de pontuar uma das questões que nos levam a repensar o que achávamos protagonismo. O método catártico é aqui esse grifo, como veremos a seguir.

Psicanálise e catarse

Quando iniciando os estudos acerca da Psicanálise e de como ela poderia ser utilizada para auxiliar na saúde mental das pessoas, Freud descobre o inconsciente. Daí ele busca também uma maneira de acessar esse lugar até aquele momento, século XIX para século XX, desconhecido e intocado.

Dentre as investigações com Josef Breuer, Sigmund entende que é necessário liberar os afetos que foram separados de sua representação simbólica ainda na infância para trazer de volta saúde aos pacientes. Saúde nesse caso quer dizer lucidez diante do que se apresenta no habitual do dia a dia.

A melhor forma para nosso jovem inovador é por definitivo abandonar a hipnose e investir todos os seus esforços no método catártico, ou conversação livre, ou ainda livre associação. Freud traz ao consultório o melhor conceito de divã que alguém poderia trazer.

Comunicação  e catarse

Percebamos que todas as vezes que precisamos falar algo sério e desafiador para alguém, a comunicação verbal esbarra na comunicação do olhar porque até então a fixidez e a fuga do olhar nos diz que não estamos falando de nós, que muitas vezes estamos tentando falar do outro, uma defesa.

Então quando o analisando se lança no divã e fica longe de qualquer olhar, o que ele está falando não é mais sobre os outros. Ele está envolto no que chamamos de catarse.

Ao invés de escrever, desenhar ou qualquer outra coisa, ele fala, fala o que vem no seu fluxo de pensamentos que brotam do fluxo das emoções, oferecendo assim, ao analista, uma maneira real de apreender o que foi dito e auxiliar o analisando a lidar com seu mecanismo psíquico.

Analista, analisando e catarse

Freud rompe com Breuer justamente no ponto onde os dois justificam ou não (Breuer) o método em comento em consultório. Sigmund percebe que a fala livre, a livre conversação, traz elementos para o analista e analisando que dia após dia vão reconstruindo o simbólico que foi quebrado, ferido, dissociado lá na infância e leva o indivíduo em análise a perceber como ele pode amarrar novamente as pontas soltas, mesmo que devagar, e ter uma vida com saúde mental funcional, que lhe traga conhecimento de si e dos eventos que se dão em sua volta.

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A insuficiência terapêutica muitas vezes apontada à Psicanálise pode ter aqui uma possível explicação. Não é que ansiolíticos e o método cognitivo são os grandes resolvedores dos problemas em saúde mental. A questão fundamental é: a psicanálise, à partir do método catártico, exige tempo.

Tempo para que o analisando traga paulatinamente, ou melhor, no seu próprio tempo, as demandas que o analista deverá ter a expertise de observar e investigar sem nenhum tipo de preconceito, no trato de tentar correlacionar o verbalizado com o que está depositado no inconsciente. Não há que se falar em ineficácia portanto, mas sim de uma abordagem que exige entrega e tempo. Eis pois o desafio de uma Psicanálise construída e aperfeiçoada com base na catarse.

O método catártico na Psicanálise freudiana

O método catártico é na verdade um grande compêndio que desafia aqueles que querem respostas rápidas através de ansiolíticos e do método cognitivo – sem aqui, fazer juízo de valor da clínica de outros profissionais.

Sim, a psicanálise freudiana pode ser lenta para alguns, mas para outros mais atentos às suas próprias fraturas emocionais, o método que aqui descrevemos, é um grande passo na Psicanálise, perdendo talvez só para o grande tapa na cara da humanidade narcisista, que foi a descoberta do conceito de “inconsciente”.

Ou seja, nossas ações não são guiadas pela presença consciente e pleno conhecimento de todas as circunstâncias que ali estão envolvidas. Nós temos muito lixo psíquico e emocional que nem fazemos ideia que estão lá, lá no fundinho do nosso inconsciente.

Conclusão

E uma boa conversação livre pode ajudar o analisando a romper ciclos doentios de seu próprio mecanismo psíquico apenas externalizando seus sentimentos e, em um processo calmo, reconhecer novamente as representações simbólicas que acompanham sua vida e esforçar-se para mantê-las saudáveis.

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    O presente artigo foi escrito por Raphael Juliano. Graduado em Ciências Sociais e especialista em Violência Urbana, ambos pela Universidade Estadual de Montes Claros. Formou-se em Dramaturgia pelo Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte/MG. Escreveu o livro de contos “Frágeis Esperanças” e a ficção “As noites Mal dormidas de Caio Jochem”. Estuda psicanálise e atua como moderador de conflitos. Contato: @juliano.raphael

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