temor de castração

Complexo de Édipo, superego e o temor de castração

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Você sabe o que é o temor de castração ? O Complexo de Édipo acontece na tenra infância, para ser mais específico, dos três aos cinco anos de idade, período em que a criança está na fase fálica – terceira fase do desenvolvimento psicossexual infantil – onde há um desejo; desejo esse que está presente desde os primeiros anos de vida.

Entendendo o temor de castração e a fase oral

Na fase oral (0 – 1 ano), há uma total dependência do bebê, que investe aquilo que o constitui (libido) à sua mãe (investimento objetal). Nesse período, há, ainda, uma identificação com o pai.

A mãe, por ser, em primeiro momento, provedora de toda a satisfação do seu filho, que por seguinte, não terá essa percepção de externalização do objeto, acredita ser, ele mesmo, o objeto (uma espécie de relação simbiótica).

Após alguns anos, esse desejo pela mãe se fortalece, e, aquela identificação pelo pai, transforma-se em um sentimento de contenda. A partir desse sentimento hostil da criança para com o pai, origina-se, o complexo de Édipo.

Temor de castração e a fase fálica

A fase fálica (3 – 5/6 anos), o pênis da criança é a zona erotizada, fonte da maior parte da sua libido. Começa a sentir prazer através da manipulação do seu órgão genital; ele mesmo, através do tocar, consegue ser, provedor do seu próprio prazer. Seus pais, na tentativa de fazer com que seu filho pare com essas atitudes, o ameaçam, dizendo que se continuar com esse comportamento, seu órgão será retirado.

“A força impulsiva que essa porção masculina do corpo desenvolverá posteriormente na puberdade, expressa-se nesse período da vida sobretudo como premência a investigar, como curiosidade sexual” (Freud,1923, p.158).

Nesse período, a criança percebe uma distinção entre homens e mulheres, mas não vincula essa distinção à diferença dos órgãos genitais. Pelo fato de possuir, no seu órgão genital, a maior parte da libido que o constitui, procura também nas outras crianças e nos seres inanimados, um órgão semelhante ao seu.

A criança e o temor de castração

A criança, no decorrer de suas investigações, percebe, que nem todos os que se assemelham a ela, possuem pênis. No brincar com sua amiguinha, ele percebe que algo está errado, mas rejeita essa não visualização de um pênis, e, acredita, de fato, que há um pênis, mesmo que ainda pequeno. Ele crê que o “pênis” ainda pequeno de sua amiguinha, irá crescer após um certo tempo.

Depois de perceber que não haverá o crescimento do órgão, chega à conclusão de que, pelo menos um dia, o pênis esteve lá. Após essa conclusão, ele lembra das ameaças do seus pais sobre a retirada do seu órgão, devido a manipulação constante; e acredita que a sua amiguinha (sem pênis), foi, de fato, castrada.

A possibilidade de uma possível castração, foi responsável pela interrupção de seus atos masturbatórios. Essa libido, que é constituída por um desejo à sua mãe, é interrompida. Há uma distância entre desejo e objeto. Esse desejo pela mãe é interrompido.

O desejo objetal

Após a interrupção desse desejo objetal, é necessário um preenchimento em relação a sua identificação: que pode ser tanto uma assimilação com o pai, tanto com a mãe. No curso normal desse processo de identificação, o esperado é que a criança se identifique com o pai, que permitirá uma relação afetuosa com sua mãe (o que implica um caráter masculino); mas, é possível uma intensificação dessa identidade com a mãe (que mostra um carácter bissexual).

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A castração implica uma latência na sua primazia fálica. Acontece então, a dissolução do complexo de Édipo. A criança passa a se identificar com o pai, ou, com a mãe. A partir disso, ocorre sua entrada no período de latência (6 – 10 anos).

Na obra Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905), é possível constar que são criados mecanismos psíquicos que servirão como barreira aos impulsos sexuais da criança, que não cessarão totalmente, mas, através do processo de sublimação, esses impulsos serão investidos em outras áreas.

Considerações finais

Após a dissolução do complexo de édipo, e, a entrada no período de latência, há, o desenvolvimento do Superego. O superego não se constitui apenas com os resquícios de investimentos objetais do id, se constitui também, de todos os conteúdos que foram reprimidos após as ameaças (de castração do seu órgão genital) dos pais (principalmente o pai), em relação ao seu desejo Edípico por sua mãe. Essas ameaças funcionam exatamente como um entrave entre desejo e objeto.

A criança, por sentir-se distante daquilo que deseja, introjeta em si, o obstáculo, responsável pela repressão. Quanto mais forte for o Complexo de Édipo, mais forte será a repressão, que agirá praticamente na totalidade da criança — como uma introjeção da autoridade do pai —, e que posteriormente será representada pela religião, pela educação escolar, e por outras características adquiridas na sociedade, que agirão sobre ela, como um representante moral de tudo aquilo que vivencia.

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    Todo esse interesse que a criança terá por outras áreas, é justamente a sublimação de toda aquele desejo libidinal que foi investido à sua mãe (objeto sexual na fase fálica), e que foi dessexualizado e sublimado para outros fins.

    Referências Bibliográficas

    FREUD, S. (2006). O ego e O Id e outros trabalhos. A organização genital infantil (Uma interpolação na teoria da sexualidade) (1923) Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. XIX). Rio de Janeiro: Imago. FREUD, S. (2016). Obras completas, volume 6 : Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, análise fragmentária de uma histeria (“O caso Dora”) e outro. O Período de Latência Sexual (1901-1905) (1ª edição ed., Vol. 6 Obras completas). (P. C. Souza, Trad.) São Paulo: Companhia das Letras.

    O presente artigo foi escrito por Luckas Di’ Leli([email protected]). Estudante de filosofia, e está em processo de formação em Psicanálise pela IBPC.

     

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