complexo de Édipo mal resolvido

O complexo de Édipo mal resolvido

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Através da observação dos seus estudos sobre a histeria e da prática clínica, Freud percebeu a grande influência da sexualidade infantil para o desenvolvimento do aparelho psíquico. Continue a leitura e entenda sobre complexo de Édipo mal resolvido.

O Complexo de Édipo

Com o tempo Freud compreendeu que suas pacientes histéricas, em algum momento da infância, nutriram desejos sexuais pelos pais. Desejo este que na maioria das vezes era reprimido pelas pacientes por ser socialmente imoral.

Por meio de cartas Freud relatou ao seu amigo médico Fliess que sonhou com Mathilde, sua própria filha e após a análise deste sonho constatou que realmente existe um desejo inconsciente dos filhos pelos pais.

Freud também relatou os sentimentos que tinha pela mãe e o ciúme do pai, na infância. A partir daí começava a se formar um conceito de suma importância para a Psicanálise: o Complexo de Édipo.

Fases do desenvolvimento psicossexual

Para entender melhor o Complexo de Édipo é necessário conhecer um pouco das fases do desenvolvimento psicossexual postuladas por Freud.

  • 1a. Fase: oral – onde a boca é o foco da satisfação libidinal. Do nascimento aos 2 anos.
  • 2a. Fase: anal – onde a região anal é o foco da satisfação libidinal. Dos 2 anos aos 3 ou 4 anos.
  • 3a. Fase: fálica – os desejos libidinosos, mesmo que inconscientes, são direcionados aos pais. Dos 3 ou 4 anos aos 6 anos. Assim como as outras fases, a fase fálica é fundamental para o desenvolvimento da criança, pois é nela que se dá o Complexo de Édipo.

A origem do termo e o complexo de Édipo mal resolvido

O termo Complexo de Édipo tem origem na tragédia grega escrita por Sófocles: Édipo Rei. Na história, Laio – rei de Tebas, descobre através do Oráculo de Delfos que seu filho, futuramente, o mataria e se casaria com sua mulher, ou seja, sua própria mãe. Sabendo disso, Laio entrega o bebê para ser abandonado com o objetivo de provocar a sua morte.

Com pena da criança o homem responsável por abandoná-lo o leva para casa. Porém, este homem e sua família são muito humildes e não tem condições para criá-lo, por isso acabam doando o bebê. A criança acaba ficando com Pólibo, rei de Corintos. O rei passa a criá-lo como um filho.

Posteriormente, Édipo descobre que é adotado e muito confuso, acaba fugindo. No caminho Édipo encontra um homem (seu pai biológico) e seus companheiros na estrada.

Transtornado pela notícia que recebera, Édipo mata todos os homens. Sendo assim, a primeira parte da profecia se concretiza. Mesmo sem saber, Édipo mata seu pai.

O complexo de Édipo mal resolvido e o enigma da esfinge

Chegando em sua cidade natal, Tebas, Édipo se depara com uma esfinge que o questiona com um desafio que até então nenhum homem conseguiu solucionar.

Após decifrar o enigma da esfinge Édipo foi coroado rei de Tebas e se casa com a rainha Jocasta (sua própria mãe) realizando a segunda parte da profecia. Após consultar o Oráculo e descobrir que seu destino se cumpriu, Édipo desolado fura os próprios olhos e Jocasta, sua mãe e esposa se mata.

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Aspectos do Complexo de Édipo

É notório que o Complexo de Édipo é um conceito freudiano fundamental para a Psicanálise. O Complexo de Édipo é inconsciente e passageiro, mobiliza pulsões, afetos e representações ligadas aos pais. Assim que o bebê nasce projeta sua libido na relação com a sua mãe mas, com a aparição do pai, este bebê percebe que não é o único na vida dela.

A presença do pai fará com que a criança perceba a existência de um mundo externo e de limites na relação mãe-bebê. Assim, se estabelece uma ambivalência de sentimentos na relação com os pais, onde o amor e o ódio podem ser experimentados simultaneamente.

O Complexo de Édipo mal resolvido se inicia na fase fálica.

O filho se sente ameaçado pelo pai na sua relação com a mãe, mas ao mesmo tempo entende que o pai é mais forte que ele. É quando aparece o Complexo de Castração. O menino acha que será castrado pelo pai por desejar a mãe.

Nessa fase a criança está descobrindo a diferença entre o corpo masculino e o feminino. Dessa forma, o menino se volta para o pai, se aliando à ele e entendendo que esta é a única forma de ultrapassar este conflito.

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    Complexo de Electra

    Já no caso da menina (Complexo de Electra, segundo Jung), ela acredita que todos nascem com um falo, no caso o dela seria o clitóris. A mãe tem um papel muito importante em sua vida, porém quando a menina descobre que seu clitóris não é o que ela pensa ser, ela culpará a mãe pela falta do falo e se voltará para o pai, achando que ele pode dar a ela o que a mãe não deu.

    Ou seja, enquanto no menino a castração faz com que ele se alie ao pai e saia do Complexo de Édipo, na menina, a castração faz com que a mesma entre no Complexo de Édipo Feminino (Complexo de Electra).

    Considerações finais

    Para o menino o Complexo de Castração é uma perda e para a menina uma privação. O pai têm representações diferentes tanto para o menino quanto para a menina.

    A menina reconhece e admite o Complexo de Castração enquanto o menino o teme. Assim, o superego do homem tende a ser mais rigoroso e inflexível.

    Todos esses estágios são normais e precisam ser vivenciados na infância. Quando superados proporcionam que a criança tenha maturidade e um bom desenvolvimento emocional e psicossexual.

    O presente artigo foi escrito pela autora Thais Barreira([email protected]). Thais possui Bacharel e Licenciatura em Filosofia e será futura psicanalista no Rio de Janeiro.

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