compulsão sexual

Compulsão Sexual: significado e características

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Qualquer adulto com vida sexual ativa e sadia consegue lidar adequadamente com a sua vontade de se relacionar com alguém. Mas nem todo mundo pode controlar seus impulsos e acaba se tornando refém deles, especial os de cunho sexual. Entenda o significado de compulsão sexual e características para identificá-la.

O que é a compulsão sexual?

A compulsão sexual pode ser vista como uma tendência descontrolada para ações que envolvam física e mentalmente o sexo. Nisso, o indivíduo pode se masturbar excessivamente, ter vários parceiros sexuais, ver bastante pornografia ou mesmo pensar constantemente nisso. Esse comportamento tende a aumentar em intensidade e frequência com o tempo.

Está ligado, em maior parte, à ansiedade, bem como outros distúrbios obsessivos compulsivos. Consequentemente, o compulsivo sexual enfrenta dificuldades em se concentrar no que não envolve a ideia de sexo. Nesse caminho, se mostra vulnerável a ter problemas familiares, relacionamentos e trabalho.

A doença pode ser ignorada porque está diretamente ligada ao prazer e isso, no começo, não parece ser ruim. Graças a isso que o compulsivo convive com o problema durante anos antes de procurar ajuda e perceber a gravidade. É comum que essa etapa somente aconteça quando a vida social está profundamente destruída por sua postura.

Como ela se desenvolve?

Os gatilhos para o surgimento da compulsão sexual podem começar em um momento distante do passado do doente. O histórico da compulsão na família com outros membros, como pais e irmãos, pode afetar diretamente o indivíduo. Sem contar a dependência em álcool e/ou drogas, abrindo portas para novos vícios.

Além disso, o próprio relacionamento familiar problemático pode gerar sequelas ao campo sexual do paciente. Não o bastante, o contato prematuro do sexo com adultos na infância pode deixar marcas profundas.

Todos os elementos acima citados são capazes de alimentar desajustes psicológicos, levando a pessoa a procurar amortecedores no prazer sexual. E esses mesmos eventos psíquicos são capazes de fazer alterações nos neurotransmissores cerebrais, mudando a química do cérebro. Isso é bastante comum de acontecer na adolescência e início da fase adulta.

Nem todo mundo que gosta muito de sexo é compulsivo

Existe um grande equívoco na cultura do prazer, por assim dizer, quando falamos de sexo. Isso porque muitas pessoas validam que todos os que gostam muito de sexo são compulsivos sexuais natos. Contudo, esse tipo de afirmação é errônea, já que existem grandes diferenças entre os grupos.

De maneira alguma que ter uma vida sexual muito ativa indica que você possui uma compulsão sexual. A compulsão, entre as maiores caraterísticas, tem o descontrole sobre os impulsos que são imediatistas e inconsequentes. Ou seja, os compulsivos não possuem qualquer controle sobre a vontade de terem contato sexual consigo e os outros.

A cultura do sexo ao longo do tempo

Observando o modo de vida da humanidade é possível defender que a compulsão sexual era defendida… Entre homens. Como bem sabe, o sistema patriarcal dava carta branca a qualquer pessoa do sexo masculino a agir como quiser. Em relação ao sexo não era diferente, já que quanto mais relações íntimas, maior o atestado de virilidade.

Por outro lado, o mesmo comportamento em mulheres era recebido com mais severidade e até represália. Muitas acabaram internadas por terem um apetite sexual maior, sofrendo tratamentos desumanizados. Enquanto os homens eram tratados como machões viris, as mulheres eram vistas como vadias por terem comportamento semelhante.

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Isso é exemplificado na história de Shelley, personagem da segunda temporada da série American Horror Story: Asylum. Ninfomaníaca, sofreu retaliação do marido infiel por também ter relações fora do casamento, denunciando sua ninfomania. A todo o momento a personagem questiona esses padrões sexuais que sempre favorecem os homens.

Características

Quando se conhece de perto a compulsão sexual fica muito mais fácil identificá-la em si e nas pessoas próximas. Ainda que seja algo extremamente prazeroso, é preciso levar em conta que se trata de uma postura gradativamente destrutiva. Suas características primárias se concentram em:

Tolerância sexual

Com o passar do tempo, o indivíduo se coloca em práticas sexuais cada vez mais frequentes e intensas. A ideia é que possa ter sempre a mesma sensação que tinha no início do problema. Nisso, podemos fazer um comparativo ao dependente químico, sendo aqui o contato de corpos a droga em si.

Abstinência muda seu comportamento

Caso passe muito tempo sem sexo o indivíduo sentirá mal-estar físico e mental. Diminuir sua frequência ou lutar contra a vontade pode adoecê-lo.


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Sexo é mais valioso do que as pessoas

Alguns procuram se ocupar mais tempo com o sexo do que com pessoas próximas. Mesmo que não esteja transando com alguém, se valem da masturbação para se satisfazer.

Tarefas e pessoas começam a ser prejudicadas

O desempenho no trabalho ou nos relacionamentos pode se alterar negativa e rapidamente. Isso porque é comum pensar ou fazer algo sobre o sexo do que trabalhar ou se relacionar com a família. Há um gasto de tempo e energia maior a isso do que qualquer outra coisa.

Ficção

O cinema tem trabalhado personagens com compulsão sexual já há bastante tempo. A ideia é mostrar como eles se colocam no mundo enquanto precisam lidar com seus impulsos sexuais. Este é o caso de Leila, personagem no longa Deite comigo, lançado em 2005.

Leila é ninfomaníaca, indo a boates para que consiga se completar através das relações sexuais frequentes. Embora conheça um rapaz e goste dele, Leila enfrenta dificuldades em lidar com o relacionamento e os seus impulsos. Ao mesmo tempo em que se conecta ao rapaz, não consegue abandonar o sexo compulsivo com estranhos.

Passando por fases de felicidade, sofrimento e desafios, o casal caminha na estrada dividida entre amor e sexo. O telespectador é provocado a pensar se o abismo criado pela compulsão pode ser reformado pelo amor genuíno de outra pessoa. Juntando sensibilidade com sexo explícito, mostra as dificuldades do casal sobre algo tão complexo e sensível.

Tratamento

O tratamento para a compulsão sexual pode ser feito no trabalho em conjunto com psicólogo e psiquiatra. Ambos trabalharão os aspectos da mente e corpo, a fim de dar ao paciente mais autonomia sobre seus impulsos. O acompanhamento consiste em:

Psicoterapia

Por meio desta que é possível recuperar um grande controle sobre o seu comportamento. Com o passar do tempo o indivíduo terá a sua composição interna aprimorada para que consiga lidar com sua impulsividade. Basicamente, é ensinado a enxergar a situação sozinho, compreender e lidar com suas ações no cotidiano.

Medicamentos

Alguns remédios podem atuar de maneira indireta sobre esse problema, lidando com as reações psicológicas que causa. Antidepressivos, por exemplo, podem inibir o desejo e a força da impulsividade. Sem contar o uso de medicamentos devidamente administrados para controlar a ansiedade.

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Considerações finais sobre compulsão sexual

Embora a compulsão sexual pareça um atestado de vitalidade, é preciso expor as implicâncias que pode trazer. Imagine se tornar um prisioneiro daquilo que deveria ser controlado por você a fim do prazer? Cada minuto consciente se mostra uma tortura usando aquilo que o indivíduo mais queria ter a todo o momento: sexo.

Aos compulsivos, é de extrema importância o acompanhamento de alguém especializado para lidar com isso. O propósito não é inibir o sexo, mas, sim, que se tenha um controle maior e sadio sobre ele. Não deixar algo bom e positivo para a saúde se mostrar um abismo ao desespero.

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