construção da identidade

Construção da identidade e razões das escolhas em Psicanálise

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Neste artigo, vamos falar sobre construção da identidade e nossas escolhas e as raízes inconscientes. Abordaremos aspectos de Filosofia e Psicanálise sobre a construção de nossa identidade.

A Filosofia e a Psicanálise, embora distintas em seus propósitos, convergem notavelmente ao explorar a complexidade da natureza humana e sua evolução.

Enquanto a Filosofia propicia reflexões profundas sobre questões fundamentais, como a origem de nossa existência, desenvolvimento, ética, justiça, amor e verdade, desafia a aceitação passiva do que “parece ser”, incentivando-nos a questionar verdades aparentes e buscar compreensões mais profundas das complexidades humanas.

Entendendo sobre a construção da identidade

A Psicanálise, desenvolvida por Sigmund Freud e continuamente enriquecida por inúmeros psicanalistas, proporciona uma perspectiva singular ao investigar e analisar profundamente o indivíduo e suas subjetividades. Mergulhando nas camadas do inconsciente, explora como influências recalcadas podem moldar toda uma existência e examina a interação complexa entre o indivíduo, o ambiente e suas dinâmicas relacionais, evidenciando como esses fatores contribuem para uma personalidade muitas vezes fragmentada.

O âmago dessa perspectiva, conforme enfatizado pelo IBPC no módulo 12 de seu curso em Psicanálise Clínica, é a ideia de que “somos resultados e expressão de nossa história de vida”. Essa concepção ganha relevância em uma história fictícia amplamente conhecida, cujo autor desconhecido narra a trajetória de dois irmãos. Esta narrativa não apenas destaca a complexidade das escolhas individuais, mas adentra nas raízes inconscientes que moldam nossas vidas.

A história envolve dois irmãos que se reúnem semanalmente em um banco de uma praça para compartilhar um lanche e conversar. Este enredo representa uma encruzilhada da vida; um é um executivo bem-sucedido, enquanto o outro é um morador de rua enfrentando desafios relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas.

A construção da identidade e comportamentos

Ambos apontam para um denominador comum para justificarem suas jornadas: o pai alcoolista, cujo comportamento agressivo e exemplos prejudiciais deixaram marcas profundas em suas vidas.

Ao refletirmos sobre essa narrativa, torna-se evidente que reduzir as vidas dos dois irmãos a escolhas simples e deliberadas seria uma simplificação injusta. A aparente dicotomia entre o sucesso do executivo e a difícil situação do morador de rua não reflete a verdadeira profundidade da experiência humana.

Enquanto a filosofia nos instiga a transcender a visão superficial e questionar não apenas os resultados socialmente aparentes, a psicanálise complementa essa abordagem propondo a necessidade de explorar o impacto profundo que a influência paterna proporcionou no interior de cada indivíduo.

Sentimentos e emoções

Isso se traduz em uma gama de sentimentos, emoções e traumas, muitas vezes não conscientes, que estão recalcados no inconsciente, influenciando e moldando suas escolhas, sendo determinantes para os resultados em suas trajetórias. Através de um olhar psicanalítico, podemos explorar as nuances das relações interpessoais do irmão executivo e os impactos de suas experiências passadas em sua psique.

Considerar fatores como se ele buscou ou não ajuda para lidar com questões complexas relacionadas ao pai e outras dimensões de sua vida, bem como sua percepção diante da situação de seu irmão, permite-nos compreender que o sucesso externo, que resulta em uma maior aceitação social, não necessariamente reflete o equilíbrio interno, o caráter e a satisfação pessoal.

Por outro lado, rotular o irmão morador de rua e possivelmente um adicto como alguém que “escolheu” a adversidade é uma simplificação até mesmo cruel. Tanto a filosofia quanto a psicanálise desafiam essa concepção, instigando-nos a questionar como suas experiências passadas, profundamente enraizadas no inconsciente, influenciaram suas escolhas e sua relação consigo mesmo e com o mundo.

A construção da identidade e escolhas conscientes

Assim, os mesmos questionamentos e análises devem ser direcionados aos dois irmãos, desafiando a ideia de que alguém “escolheria” conscientemente o sofrimento, dando espaço para a reflexão e análise mais profunda das influências e circunstâncias que os conduziram por caminhos tão distintos.

Portanto, a narrativa transcende a mera dimensão das escolhas conscientes, revelando a influência profunda e, frequentemente, inconsciente do ambiente em que nascemos e nos desenvolvemos. A Psicanálise nos instiga a uma análise destemida das complexidades que moldam nossa existência, reconhecendo que, em diversos aspectos, somos verdadeiros “frutos do meio” que habitamos.

Através dessa história, é possível refletirmos sobre como o ambiente desempenha um papel fundamental na moldagem de nossa identidade, revelando uma intrincada rede de fatores a ser minuciosamente analisada.

Influência paterna

Quando negligenciamos esses aspectos, qualquer avaliação tende a se tornar superficial e rasa. Inicialmente, ao considerarmos que ambos os irmãos compartilham uma influência paterna semelhante, somos confrontados com suas respostas singulares diante das circunstâncias.

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    Nesse ponto, a Psicanálise emerge como uma ferramenta inestimável para desvendar a complexidade das escolhas humanas. Ela reconhece que aquilo rotulado como “escolhas” frequentemente representa decisões deliberadas conscientemente tomadas pelo indivíduo, onde a liberdade individual não se contrapõe, mas coexiste, nem sempre de maneira harmoniosa, com as influências determinantes do passado.

    No entanto, essa aparente dualidade pode ser ilusória, especialmente quando as experiências do passado comprometem a capacidade do indivíduo refletir, planejar e, por fim, fazer escolhas elaboradas e conscientes.

    A construção da identidade e impulsos

    Ao explorar as pulsões e impulsos muitas vezes inconscientes, conforme delineadas por Freud, a psicanálise oferece um olhar mais aprofundado sobre as forças subjacentes que moldam as trajetórias dos personagens, desafiando a visão simplista de escolhas conscientes e conscientizando-nos da complexidade desses processos.

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    Assim, ao contemplarmos a narrativa desses dois irmãos, torna-se evidente a complexidade das escolhas individuais, mas também nos chama a atenção para uma outra perspectiva ao abordar as pulsões e impulsos que transcendem a simples possibilidade de fazer escolhas conscientes.

    Ao convidar os irmãos, e por extensão todos nós, a explorar as camadas mais profundas do inconsciente, onde frequentemente residem as raízes de nossas decisões, a Psicanálise não apenas desvela a influência do ambiente, mas também proporciona uma oportunidade de conscientização e liberdade ética.

    A autodeterminação

    Dessa forma, cada indivíduo, assim como esses irmãos, inicialmente parece encorajado a escrever sua própria narrativa de transformação e autodeterminação. No entanto, é fundamental considerarmos o que Freud sabiamente observou: “o eu não é mais senhor em sua própria casa”, destacando a complexa interação entre o consciente e o inconsciente na formação de nossas escolhas e identidade.

    Com essa história, chamamos a atenção também para o importante papel da família na construção da identidade. A figura do pai alcoolista não é apenas um personagem secundário, mas um agente poderoso que deixou uma influência persistente nas escolhas (muitas vezes inconscientes) e comportamentos dos irmãos.

    Isso ressalta a importância de examinar as dinâmicas familiares na análise psicanalítica, além de considerar a influência da sociedade e do ambiente de forma mais ampla.

    A transformação pessoal e a construção da identidade

    Ao contemplarmos a profunda influência do ambiente que permeia nossa origem, desenvolvimento e existência cotidiana, somos instigados a não apenas compreender as complexas forças que moldaram nossa trajetória, mas, igualmente, a descobrir a força intrínseca necessária para promover uma transformação pessoal.

    Este convite à reflexão transcende a mera análise passiva das circunstâncias que nos cercam; implica um chamado à ação interior, uma jornada na qual não apenas decodificamos os elementos que deram forma à nossa história, mas também nos capacitamos para redefinir ativamente nossa narrativa. Nesse processo, reconhecemos não apenas o poder do ambiente sobre nós, mas também a força resiliente que reside em nosso interior, capaz de reconfigurar o curso de nossa própria evolução.

    Em conclusão, a história dos dois irmãos destaca a riqueza e complexidade das abordagens filosófica e psicanalítica no que diz respeito ao nosso desenvolvimento a partir das experiências vividas e às influências muitas vezes inconscientes que nelas se inserem. A Psicanálise não apenas nos auxilia na compreensão das forças que moldaram nosso passado, mas também nos capacita a forjar conscientemente um futuro livre.

    Conclusão sobre a construção da identidade

    Nessa jornada, somos desafiados a explorar as profundezas do inconsciente, a reconhecer a marcante influência da família e a abraçar a liberdade ética como alicerces para uma identidade em constante evolução, proporcionando uma experiência única e transformadora por meio da análise psicanalítica.

    Embora tenhamos explorado uma narrativa fictícia de dois irmãos que, apesar de compartilharem a mesma experiência traumática, seguiram caminhos antagônicos, essa história ressoa na realidade de muitas pessoas e famílias. Não devemos nos esquecer de que cada indivíduo é único, dotado de qualidades e limitações, e suas relações interpessoais, encontros, desencontros, afetos e desafetos compõem suas experiências, transformando-os de maneiras inéditas.

    Nesse contexto, cabe ao psicanalista considerar cada pessoa de maneira singular, dedicando-se a estabelecer, no setting analítico, uma relação fundamentada na ética, confiança e empatia.

    Este texto sobre “Nossas escolhas e as raízes inconscientes na construção da identidade” foi escrito por Alexandre Baptista. É graduado em Filosofia e encontra-se em formação como Psicanalista Clínico. Possui uma sólida trajetória de mais de duas décadas dedicadas ao campo de tratamento da adicção. Além disso, exerce um papel ativo como Palestrante, com o objetivo de informar, conscientizar e prevenir acerca das problemáticas envolvendo as dependências compulsivas e obsessivas. Tem compartilhado seu conhecimento e experiências tanto com empresas e seus colaboradores, quanto com instituições de ensino e seus alunos, abordando questões pertinentes ao alcoolismo, dependência química e adicção. Para entrar em contato, você pode enviar um e-mail para [email protected].

     

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