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A crise ética e moral brasileira à luz da Psicanálise

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Um dos temas emergentes, na pós-modernidade dos tempos líquidos, e que se apresenta de forma ‘glo-cal (global e local; local e global) e faz parte do processo de disruptura social e que estamos presenciando tal situação bem configurada, se refere a gigantesca crise ética e moral que esta nos atingindo de forma capilar social nacional.

Não possuímos argumentos para refutar a tese e nem repelir e fulminar ela na base, pois, nós estamos vivenciado, sem exceção, todos nós, uma monumental, estupenda e gigantesca crise ética-moral e comportamental sem precedentes.

Entendendo a crise ética

Alguns pesquisadores e teóricos, pessoas de boas luzes e de ótima proa e inclusive até alguns expoentes sociais contra argumentam expressando que discordam da tese da grande crise ética-moral nacional e global e apontam a 2ª grande guerra mundial (1939-1945) como uma tremenda crise ética seguida, depois pelo muro de Berlim que foi uma barreira física construída pela Alemanha Oriental, em 13 agosto de 1961, mas demolido em 1991.

Porém, tanto a guerra como o muro de Berlim, tinham implicações de projetos de gestões governamentais. Não era uma situação como vive o Brasil atualmente, que esta à deriva e a reboque, gastando muito do seu erário e orçamento com uma burocracia forte e sem um projeto nacional desenvolvimentista e envolvido e grande corrupção.

O Brasil cresce, mas não se desenvolve. Esta é a grande diferença, cada vez mais aumenta o fosso entre um establishment e seu apoio administrativo que tem interesses e de pobres, mendigos, espoliados, vítimas da extração de renda. E notem bem, que tivemos duas gestões da chamada esquerda que se intitulou humanista e dos se dizentes trabalhadores. E se revelou uma grande farsa nacional.

A crise ética e as obras superfaturadas

Porque todas as condições de opressão e exclusão continuaram, embora maquiadas em alguns pontos surgindo o desintegrado, uma nova categoria além dos excluídos, que são os que estão fora das redes digitais. Não tem como comprar tecnologia e pagar a conta. O mais marcante de tudo foram as mega obras superfaturadas, algumas paralisadas que gerou um contra ponto, a operação lava-jato.

Culminou com um ex-presidente detido e em reclusão. Por fim, invalidaram todas as provas e começaram a soltar todos os implicados sem rever bem cada caso cm promessas de retrabalho que ficou impossível. Alguns negaram em que pese as provas foram contundentes, mas como invalidaram provas argumentam: ‘olha, não temos provas válidas estão, estamos livres de assumir uma culpa’.

E os mais implicados voltando a postos de gestão. Então, a crise passou a ser ética e moral. Era uma crise da ética, mas foi se somando a uma crise moral. E isso abalou o psíquico social de forma capilar nacional das pessoas em sociedade e comunidades, nos transformando num povo infeliz e sem ética e com uma moral bastante questionável. Todo o povo sem exceção.

A crise ética e a luta de classes

Isso nos remete a indagar a tese se o motor da história é a luta de classes como defendia Karl Marx (1818-1883). Para a tese de Marx o fator determinante da História é a luta de classes. A imensa e gigantesca crise ética e moral que vivemos nos leva a refletir pela via da Psicanálise que tem seu foco no fato psíquico e nas emoções e sentimentos, se realmente a História é uni-fatorial (luta de classes) ou seria multi fatorial.

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Porém, vale frisar e destacar bem que para muitos pesquisadores a História é muti fatorial, porém, o fator determinante da História é o ético-moral e não a luta de classes. Muitos menos a cultura. Alguns estudiosos apresentam a tese de que o fator mais relevante, entre outros, seria a própria natureza humana.

E quando nos referimos à natureza humana estamos no campo dos sentimentos e emoções. E uma das emoções mais forte e que salta aos olhos é o apego ao dinheiro, aos bens materiais por via da cobiça e da ambição, que são emoções. Temos mais de 50 tipos de emoções. E a cobiça e a ambição que são emoções, são ativadas por uma corrida frenética por dinheiro, status, bens materiais, riqueza e bem-estar e indica que o ‘ter’ é maior e supera o ‘ser’, e que estamos numa crise espiritual muito forte.

A crise ética pelo olhar da Psicanálise

Os seres humanos esqueceram-se dos mandamentos, papel que foi exercido por Moisés (1487AC-1406AC) no monte Sinai em Israel-Egito, ao insculpir as tábuas com os dez mandamentos e colocá-las depois guardadas no baú denominado ‘arca da aliança’. Essa concepção coloca no eixo de análise a Psicanálise, porque ela trata dessa temática.

O crime praticado por Caim contra o Abel no mundo pré-diluviano foi um ato psicanalítico. A corrida por dinheiro é um ato psicanalítico movido por emoções, como a cobiça e ambição. A pessoa que é ambiciosa e cobiçosa e ávida por ter e lesar outros para ter, mesmo que seja a coletividade, esta praticando um ato psicanalítico.

Pertence a Psicanálise desvendar o ato porque envolve os sentimentos, as emoções, o superego, a inconsciência entre outros conceitos. A Psiquiatria vai tratar o desequilibro bioquímico, por medicação fruto de patologias. A Psicologia vai enfocar o comportamental e os argumentos de defesa, que a pessoa usa pela ativação dos mecanismo de defesa. Negação é um dos mais usados.

Emoções, sentimentos, ética e moral

Entretanto, será a Psicanálise que vai remover a cortina e olhar por trás dos palcos e ver a implicações das emoções, dos sentimentos, das intensões e cogitações, as motivações e os pensamento da pessoa, o que leva essa pessoa a desencadear a crise ética e moral.

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    Outros ainda argumentam que cabe a Teologia analisar o que é pecado e porque ocorreu essa cosmovisão ateia materialista que tirou tudo do trilho e removeu o medo de Deus e levou homens e mulheres a praticarem coisas gravíssimas no tecido social.

    Temos ‘n’ situações argumentadas, mães e pais mantando filhos, filhos assassinando pais, grande roubos, execuções, drogas, corrupções imensas, uma sociedade da mentira patológica, governos falsificando a verdade, patologias, traumas e perversões, neuroses, sociopatias e psicopatias, oligofrenias, natureza sendo abalada por atos antropogênicos e negados, enfim.

    As ciências e a Teologia

    Todo este arcabouço evidente tem o olhar de todas as ciências e a Teologia tem como insumo o conceito de pecado e a centralidade em Deus, mas é a Psicanálise que tem a missão de remover o véu porque tem sua centralidade nos atos e fatos psicanalíticos.

    Porque foram e continuam sendo os atos psicanalíticos que nos arrastaram e nos levam para uma crise ética e moral estratosférica. Vale destacar que sobre essa questão muito pouco estão escrevendo e parafraseando Margaret Eleanor Atwood, (n.1939), escritora e poeta canadense, muitos não querem deixar uma marca no papel como sinal de captura desse instante em forma de palavras.

    A Psicanálise na pós-modernidade tem a missão de examinar os ‘atos e fatos psicanalíticos’ e abrir as cortinas e ver quem são os que estão nos palcos e entender o porquê, a motivação. Ainda, alguns argumentam que a Psicanálise deseja alijar a Filosofia deste papel crucial que já conta com a Filosofia Clinica.

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    Considerações finais

    Porém, o ato e o fato psicanalítico não são objeto da Filosofia. A Filosofia é a mãe genitora de todos os ramos do conhecimento humano, mas seu papel é de reflexão. E a Filosofia Clinica tem seu foco e objeto no pensamento humano.

    O foco e objeto da Psicanálise é entender a etiologia dos fatos e atos psicanalíticos sob o prisma de suas instâncias e as emoções e sentimentos envolvidos.

    A crise ético-moral que estamos vivendo no percurso e marcha de nossas jornadas cronológicas existenciais são fruto de atos e fatos psicanalíticos.

    O presente artigo foi escrito por Edson Fernando Lima de Oliveira ([email protected]) é licenciado em Filosofia e História. Possui PG em Ciências Políticas, realizando PG em Psicanálise e acadêmico e pesquisador de Psicanálise Clinica e Filosofia Clinica.

    One thought on “A crise ética e moral brasileira à luz da Psicanálise

    1. Não acho que cabe a psicanálise o papel de explicar todos os fenômenos sociais. Freud era ateu e não gostava de religião. Ele encarava a religião e seus rituais como neuroses. Pode ser que um ateu comunista se preocupe mais com o bem-estar econômico do seu povo do que um puritano calvinista e capitalista, que só pensa em lucro e multiplicar as próprias riquezas. Não pensa nos que sofrem, que são marginalizados socialmente, mas só pensa em extorquir a população através do consumismo. O capitalista que só pensa no próprio lucro é mais imoral e antiético do que o comunista ateu, que mesmo não acreditando em Deus, ama mais o seu próximo do que o burguês. Os ateus muitas vezes se preocupam com o bem estar social e individual e pessoas religiosas e que defendem a religião são totalmente hipócritas, falsas e egocêntricas.

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